TURMA DO PETRÓLEO

TURMA DO PETRÓLEO

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Gás Natural: mais uma “nova fronteira” à vista


As reservas gigantes de petróleo da camada do pré-sal sequer entraram em amplo desenvolvimento e o setor já pode estar diante de uma nova fronteira exploratória no Brasil. Agora, de gás natural. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, o país possui 29 bacias sedimentares com as mesmas características de outras regiões do mundo que apresentam grande potencial de gás natural. E apenas 4% destas bacias foram leiloadas pela ANP.
O ínfimo desenvolvimento de bacias sedimentares, de Norte a Sul do Brasil, revela grande potencial inexplorado de gás natural
Em uma séria de notícias publicadas, durante a cobertura da última edição do Rio Gas Forum, executivos do setor de gás natural presentes na conferência deixaram transparecer expectativa de aumento na produção no país. Na época, o superintende da ANP e geólogo, Marcelo Castilho, confirmou que a Agência investira US$ 311 milhões para preparar as 19 bacias sedimentares para leilão.
Segundo o jornal O Globo, o ministro de Minas e Energia Edison Lobão disse, em entrevista, que este potencial inexplorado pode representar a autossuficiência do país em gás natural nos próximos cinco anos. Em levantamento realizado pelo jornal, dados apontam que em áreas do interior dos pais, como Mato Grosso (bacia do Parecis) e Minas Gerais (Bacia do São Francisco), o gás natural chega a borbulhar do solo (processo de exsudação). A concentração permite, inclusive, a combustão do gás.
Segundo informações do Globo, o desenvolvimento destas áreas é capaz de aumentar 360% a produção de gás no país, de 65 mi para 300 milhões de metros cúbicos, por dia, até 2027. A oferta deverá ajudar a estabilizar o preço do combustível no país. Atualmente, o gás custa, em média, US$ 16,84 por milhão de BTU, 17,3% mais caro frente à média mundial – com o avanço na produção de gás de xisto, os EUA, por exemplo, produzem o gás a US$ 2 por mi de BTU, enquanto no Brasil o custo gira em trono de US$ 8 por milhões de BTU.
Potencial para gás no pré-sal não convence executivo
Em relação à exploração de gás na camada pré-sal, o setor mostra-se mais desconfiado. Além da necessidade de reinjetar o gás no poço para desenvolver a extração de óleo, a real quantidade gás natural no pré-sal ainda é uma incógnita para o vice-presidente Comercial do BG Brasil, Marcelo Menicucci. Durante o Rio Gas Forum, o executivo disse ter “dúvidas sobre a quantidade de gás disponível” nos campos.
Foto: Produção de gás de xisto nos EUA (reprodução)

domingo, 29 de abril de 2012


Escassez de mão de obra qualificada torna mercado de petróleo e gás um dos mais atraentes para profissionais

Com vagas sobrando e altos salários, demanda por trabalhadores na área deve continuar em alta pelo menos até 2020, tanto no Brasil quanto no exterior
No furor do bom momento vivido pela economia brasileira (e sendo, inclusive, um dos responsáveis por ele), o setor de petróleo e gás tem se posicionado como um dos mais promissores, principalmente após as descobertas do pré-sal. Como consequência imediata, a demanda por profissionais para as diversas áreas que envolvem seus processos – da exploração à comercialização nos mercados internacionais – cresceu bastante e deve permanecer em alta, pelo menos, até 2020. Em contrapartida, o número de pessoas qualificadas para esse tipo de trabalho ainda é bastante inferior à necessidade das companhias, o que – em um primeiro momento – gera pelo menos dois fatores aos quais os interessados em atuar nessa área devem ficar atentos: vagas sobrando e salários cada vez mais altos.
“As perspectivas são promissoras, visto que a previsão de investimentos no setor é grande para os próximos anos. Só o montante anunciado pela Petrobras já indica a ordem de grandeza da abertura de novas vagas: serão US$ 224,7 bilhões de 2011 a 2015″, explica Goret Pereira Paulo, diretora adjunta e coordenadora do Núcleo de Energia do FGV in company.
O crescimento do setor tem ainda reflexos diretos em outras áreas com as quais está relacionado, gerando paralelamente o aumento da demanda por profissionais também nesses segmentos. “Se levarmos em conta que os projetos vão movimentar também a indústria de novos equipamentos, de ferro e aço e o fornecimento de uma série de serviços, podemos multiplicar esse investimento por quatro ou cinco”, afirma Goret.
Formação urgente e necessária
Pelo menos 173.686 pessoas já se deram conta do bom momento que o mercado de petróleo e gás vive hoje. Esse foi o número de inscritos no último concurso da Petrobras para cargos de níveis médio e superior cujos salários ultrapassavam os R$ 6 mil.
Ter vagas no mercado não significa, entretanto, que elas estão lá para serem preenchidas pelo primeiro que chegar. O grande calo enfrentado hoje pelo setor de petróleo e gás é a falta de profissionais capacitados, e para isso só existe uma solução: capacitá-los.
“Várias cursos de faculdades já estão se adaptando na especialização e formação de profissionais para o setor de óleo e gás. Contudo, não há no mercado hoje mão de obra especializada para algumas áreas como o pré-sal, por exemplo”, afirma Gabriel Jacintho, especialista em assuntos relacionados a petróleo e gás.
“O pré-sal, por enquanto, ainda é uma promessa de um grande negócio ― digo “promessa”, pois as estimativas precisam ser confirmadas ―, mas a sua exploração envolve uma tecnologia muito sofisticada que ainda nem foi completamente desenvolvida”, complementa Goret.
A coordenadora do Núcleo de Energia da FGV in company ressalta ainda algumas áreas em que a demanda é maior. “O setor precisa de profissionais qualificados em diversos segmentos, mas destaco quatro, devido à natureza do negócio: análise de risco, finanças, logística e planejamento. De uma maneira geral, faltam engenheiros e mais ainda: engenheiros com conhecimento de gestão, uma das principais reclamações das empresas. O setor também está carente de mão de obra especializada em gestão de projetos, regulação, meio ambiente, apoio offshore, processamento e refino, distribuição e revenda”, detalha Goret.
Apesar das dificuldades, entretanto, o especialista Gabriel Jacintho se mostra otimista. “A intenção é de que o setor e a economia brasileira não tenham seu crescimento travado por falta de profissionais qualificados. As faculdades devem responder de forma efetiva aos desafios e as complexidades do setor”, afirma.
Onde estão as oportunidades
Todo o Brasil, no final das contas, deve se beneficiar com o bom desempenho do setor de petróleo e gás. Mas algumas regiões específicas concentram as principais atividades e é nelas onde está grande parte das vagas. “São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro são estados fortes no setor e sempre precisarão de mão de obra qualificada. Nos últimos anos, o setor de extração e refino de petróleo também vem sendo responsável, direta ou indiretamente, por novas vagas na Região Nordeste, que deverá sediar novas refinarias”, explica Goret Pereira Paulo.

O pré-sal e a demanda por profissionais

Em 2006, a Petrobras descobriu, a poucos quilômetros de nosso litoral, gigantescas reservas de petróleo e gás natural de alta qualidade que podem fazer do Brasil um dos maiores produtores dessas commodities no mundo. Apesar dos desafios representados pela localização dos campos do pré-sal – como é conhecida esta área localizada em alto mar, entre 250 km e 300 km da costa, em uma faixa que vai do Espírito Santo a Santa Catarina, e cujas jazidas estão, em alguns casos, a mais de 7 mil metros abaixo do nível do mar -, especialistas consideram que a exploração comercial dessa riqueza é plenamente viável, o que deve mexer com a economia nacional.
As reservas brasileiras de petróleo e gás anteriores à descoberta do pré-sal somavam aproximadamente 14 bilhões de barris equivalentes. Somente com as reservas estimadas de áreas já descobertas, como Tupi (agora conhecida como campo Lula), Iracema (agora nomeada campo Cenambi), Iara, Guará, Libra, Franco e outras, a disponibilidade total pode chegar a cerca de 40 bilhões de barris. No entanto, há estimativas de que a região do pré-sal (com aproximadamente 800 km de comprimento entre o Espírito Santo e Santa Catarina e largura média de 200 km) possa conter de 50 a 100 bilhões de barris.
A maior empresa petrolífera brasileira, a estatal Petrobras, já se prepara para a exploração dessa riqueza, com a perspectiva de que sua exploração comercial se firme a partir de 2014 e consolide-se por volta de 2030, quando se acredita que o Brasil possa ser um dos cinco maiores produtores do mundo. A companhia está se capitalizando para ter recursos necessários aos vultosos investimentos exigidos pela empreitada. Por exemplo, ela realizou em setembro uma oferta pública de ações e aumentou seu capital social em cerca de R$ 120 bilhões, o que equivale à maior operação deste tipo na história em todo o mundo. Grande parte deste investimento foi pelo próprio governo, que aumentou sua participação na estatal adquirindo ações. No entanto, sócios minoritários e investidores privados também participaram da empreitada.
A Petrobras é reconhecida em todo o mundo como uma das empresas de ponta na exploração de petróleo em águas ultraprofundas (a partir de 1.000 metros). A lâmina d’água onde as perfurações de poços do pré-sal ocorrerão tem entre 2.000 metros e 3.000 metros. O problema é que, além desta enorme faixa de água, atingir os depósitos de petróleo e gás do pré-sal demanda perfurações de até 5.000 metros de solo. A tecnologia já existente permite a exploração comercial de poços nessas condições, mas é preciso investir no desenvolvimento de novas soluções para que os custos de extração sejam reduzidos e, por conseguinte, a capitalização dos poços venha a ser potencializada.
Este é um dos grandes desafios que o país tem à frente: desenvolver tecnologias que garantam retorno adequado na relação entre a produção e a comercialização do petróleo e gás do pré-sal. Para que isso ocorra, é preciso, acima de tudo, dispor de capital humano qualificado nos mais variados segmentos para dar sustentação a todo o processo, que foi iniciado com a descoberta das reservas e que exigirá, a partir de agora, pesquisadores, técnicos e gestores capacitados em quantidade suficiente para desenvolver as soluções exigidas; construir e ampliar infraestruturas; operar equipamentos; e gerenciar os processos de extração, armazenamento, distribuição e comercialização.
Além da exploração específica da região do pré-sal (que demandará investimentos estimados em mais de US$ 200 bilhões ao longo dos próximos anos, segundo especialistas) e do segmento produtivo de petróleo e gás (que inclui prospecção, refinarias, distribuição, indústria petroquímica, etc.), inúmeros setores serão estimulados, como a indústria naval, a metalúrgica, a de construção civil, a prestação de serviços e todas as áreas que orbitam e terão contato direto ou indireto com esse fenômeno. Exemplo notável desse envolvimento multissetorial é o mercado imobiliário, que já vem sendo aquecido nas cidades litorâneas próximas às regiões da área de exploração do pré-sal.
Para se ter uma idéia da demanda enorme que haverá por profissionais qualificados, somente a Petrobras deve contratar mais de 200 mil pessoas até 2013 para atender às necessidades do projeto do pré-sal.
Os reflexos dessa demanda serão percebidos também no setor de Educação. Algumas instituições de ensino superior já estão a criar novos cursos nas áreas de Engenharia e Química para atender mais especificamente o segmento petrolífero. Mas vale lembrar que o mercado exigirá ainda profissionais de nível técnico, administradores e gestores para dar suporte ao crescimento geral esperado.
Às empresas que direta ou indiretamente se beneficiarão da exploração do pré-sal cabe planejar seu crescimento e investir desde já na organização ou na contratação de estruturas destinadas a oferecer capacitação a seus colaboradores, para que todos estejam preparados no momento em que a demanda de fato se concretizar. As entidades de ensino também precisam avaliar a procura atual e futura de formação para as atividades específicas do setor de petróleo e gás e para as atividades assessórias, se preparando para atender à crescente demanda. Aos profissionais e estudantes que pretendem “surfar a onda” do pré-sal, capacitação, qualificação e especialização são as palavras-chave para o breve futuro, quando se espera um mercado ávido por um volume enorme de profissionais. No entanto, se iludem aqueles que pensam poder entrar neste mercado sem ter as credenciais exigidas pelas empresas. Em um mundo globalizado como o nosso, a importação de mão de obra, em especial aquela altamente especializada, é um dos fatores que será, sem dúvida, ponderado pelos contratantes na hora de formar suas equipes.
Fonte: DCI

Mão de obra é desafio para setor de petróleo


O executivo aponta entre os desafios do país prover a indústria de engenheiros, técnicos e principalmente infraestrutura capazes de preparar tantos eventos simultâneos que vão exigir maciços investimentos como a Copa do Mundo de futebol de 2014, a Olimpíada de 2016 e o plano estratégico da Petrobras para o pré-sal. Com alguns parceiros, a estatal prevê aumentar de 2 milhões para 3 milhões de barris por dia a produção de petróleo até 2014/2015 e para 5 milhões de barris/dia em 2020. Os investimentos programados até 2014 são de US$ 224 bilhões, mas estão em fase de revisão. Somente o pré-sal da bacia de Santos vai absorver US$ 73 bilhões em investimentos até 2015, dos quais 74%, ou US$ 54 bilhões, virão da Petrobras e o restante dos seus parceiros (BG, Repsol, Galp e Shell, entre outros). “Será um desafio para o país prover todas as pessoas, os talentos, os trabalhadores e a infraestrutura para fazer tudo o que é preciso ao mesmo tempo”, lembra Aristeguieta.
Com estabilidade política e econômica e a abertura do mercado, o Brasil é um país “inevitável” para um número cada vez maior de empresas do setor de óleo e gás. Principalmente porque a Petrobras, a empresa mãe do setor no Brasil, tem um plano bilionário de investimentos do qual ninguém quer ficar de fora. Essa é basicamente a visão de Francisco Aristeguieta, diretor da área de serviços financeiros do Citibank para a América Latina e México, sobre a situação atual do país, que tem condições incomparáveis de atração de investimentos, oportunidades e desafios. “O mais difícil já se logrou, que é o modelo político e o processo fiscal estável, sem inflação”, afirma.
Michael Roberts,, chefe global do corporate banking e de crédito de capitais do Citibank, compara a situação atual do Brasil, que ele considera desafiadora, à da Noruega na década de 70, no início da exploração de petróleo no Mar do Norte. Ele lembra que na época o país nórdico encontrou as primeiras reservas e atraiu empresas que levaram tecnologia e capital.
A grande diferença com relação ao Brasil é que a Noruega é menor e com necessidades energéticas que puderam ser atendidas facilmente, permitindo a exportação de excedentes da produção de petróleo e a formação de um fundo soberano bilionário. Já o Brasil é um país gigante que descobriu grandes reservas no momento em que ainda tem um enorme mercado para ser atendido.
Os dois executivos avaliam como correta a decisão do governo brasileiro de atrair não apenas a indústria como a transferência de tecnologia para o mercado local no momento em que o país se prepara para viver um “boom” no setor. O próprio Citi começou a investir nesse nicho no país há cerca de dois anos, contratando pessoal com conhecimento sobre a indústria. Além da Petrobras, a sua carteira de clientes no Brasil conta com Odebrecht, Repsol, Chevron, El Paso, Anadarko, Baker Hughes, Transocean, Statoil, Cameron e as chinesas Sinochem e Sinopec.
Roberts compara a situação do país com a Rússia, exportador onde não há segurança regulatória e onde é difícil empresas estrangeiras operarem, e a China, que não produz o suficiente para atender a própria demanda e precisa focar na produção fora do país, para concluir que o Brasil é o melhor local para se estar. “É no Brasil que estamos dispostos a financiar mais projetos. O país tem uma série de atrativos e isso explica o êxito do aumento de capital da Petrobras.”

O Eldorado brasileiro

Nos próximos anos, o setor de petróleo deve receber até US$ 1 trilhão de investimentos, o que fará o país sair da 14ª posição para a 7ª no ranking mundial de produção.
O Brasil é a nova fronteira na exploração de petróleo. Com reservas confirmadas de 16,6 bilhões de barris e estimativas de que esse volume alcance a marca dos 100 bilhões de barris quando a exploração do pré-sal estiver em seu ápice, o Brasil pode receber investimentos entre US$ 600 bilhões e US$ 1 trilhão, nos próximos dez anos. Somente no ano passado, foram anunciados US$ 50 bilhões em investimentos em extração de petróleo e gás e US$ 12,4 bilhões na indústria de derivados de petróleo e biocombustíveis, segundo levantamento da Rede Nacional de Informações sobre Investimento (Renai). “Os grandes projetos no setor estão vindo para o Brasil”, diz o engenheiro David Zylberstajn, dono da DZ Negócios com Energia, que auxilia investidores interessados no setor.
Ouro negro: Petrobras vai gastar US$ 227 bilhões até 2015, em exploração e refino.
É o maior desembolso do mundo.
A Petrobras, responsável pela descoberta e principal exploradora do pré-sal, tem planos de investir US$ 127,5 bilhões, até 2015, em prospecção, dos quais US$ 53,4 bilhões na chamada Amazônia Azul – a faixa de mar territorial ao longo da costa brasileira. O investimento total da estatal, de US$ 224,7 bilhões entre 2011 e 2015, é o maior plano de investimento do setor no mundo. Desse total, US$ 46,2 bilhões devem ser investidos já em 2012. O presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, confirmou em dezembro que a companhia captou no mercado US$ 18 bilhões e tem recursos em caixa para realizar os planos de expansão sem se preocupar com a crise internacional e eventual falta de liquidez no mercado. Isso porque a demanda por petróleo está aquecida. “A maioria das empresas petroleiras do mundo está aumentando seus investimentos, pois está crescendo o consumo de combustível em países como China, Índia e África do Sul”, disse Gabrielli. Outras companhias também fazem planos ambiciosos para explorar o Eldorado brasileiro.
A britânica BG Group já anunciou que pretende investir US$ 30 bilhões, no País, nos próximos anos, e a Repsol, de capital hispano-argentino, separou US$ 14 bilhões para ampliar sua presença no País. A OGX, do empresário carioca Eike Batista, investiu R$ 2,2 bilhões até o terceiro trimestre de 2011 e planeja começar a produção no início de 2012. Juntas, as companhias ajudarão a transformar o Brasil no sétimo maior produtor mundial de petróleo no médio prazo, gerando empregos e oportunidades de ganhos para toda a cadeia de produção. Somente a Petrobras vai demandar 265 mil profissionais até 2020. A estatal oferece, ainda, apoio para estruturar uma cadeia de fornecedores, independentemente do porte. Hoje a companhia tem 14 mil parceiros diretos e 250 mil indiretos. Em 2011, foi criado o projeto Progredir, que reuniu seis bancos para garantir crédito aos fornecedores da Petrobras. Tudo para estar preparado quando a riqueza do pré-sal começar a jorrar.
A presidente da Petrobras comentou: “Cresce o consumo de petróleo em países
como China, Índia e África do sul”.
“Ainda vamos esperar uns cinco anos até que o petróleo extraído da camada do pré-sal tenha participação significativa na produção brasileira”, diz Luiz Pinguelli Rosa, diretor do instituto de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Como a estratégia do governo é consolidar a cadeia produtiva em território nacional, alguns investimentos já começam a maturar. Para 2012, há R$ 8,2 bilhões em investimentos anunciados pela Petrobras na modernização do seu parque de refino. A refinaria de Abreu e Lima, na região metropolitana do Recife, é a maior em construção no País, e deve entrar em operação em 2013. Já o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), localizado em Itaboraí, a 45 quilômetros da capital carioca, deve ser concluído em 2018, com investimento de R$ 17,6 bilhões. A complexidade da extração nas águas profundas do pré-sal tem atraído recursos para o desenvolvimento de novas tecnologias.
Um centro tecnológico de pesquisas do pré-sal já foi instalado na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, onde fica a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nos próximos dois anos, o parque deve atrair R$ 500 milhões em investimentos de multinacionais do setor. No ano passado, as três maiores prestadoras de serviços de perfuração – a francesa Schlumberger, e as americanas Baker Hughes e Halliburton – iniciaram suas obras por lá. Mas esse é apenas o começo. A BG Group, maior parceira da Petrobras no pré-sal, decidiu transferir para a ilha toda a sua estrutura mundial de pesquisa. A empresa espera obter no País um terço da produção mundial da companhia. “Com o pré-sal, vamos virar uma empresa quase brasileira, e isso já é motivo para ampliarmos as pesquisas no Brasil”, diz Damian Popolo, gerente de tecnologia da BG Brasil.
Fonte: ISTOÉ Dinheiro (Por Denize BACOCCINA e Guilherme QUEIROZ)

No futuro, exploração de petróleo poderá dispensar plataforma


A Petrobras está em busca de novos sistemas de produção de petróleo, mais simples e compactos, de custos menores e maior produtividade. Essa combinação é fundamental para exploração cada vez mais distante da costa e em águas ultraprofundas no pré-sal brasileiro. O gerente-executivo do Centro de pesquisas Leopoldo Miguez (Cenpes), da Petrobras, Carlos Tadeu Fraga, disse que as pesquisas buscam simplificar os sistemas, reduzindo o número de equipamentos em cima das plataformas.
O objetivo é instalar verdadeiras fábricas submersas no fundo do mar, com custos menores, produção maior e menos impacto ambiental
O objetivo é instalar verdadeiras fábricas submersas no fundo do mar, com custos menores, produção maior e menos impacto ambiental. Uma das novidades é o Separador Submerso de Água e Óleo (SSAO). O primeiro equipamento está sendo instalado para testes no Campo de Marlim (Bacia de Campos). Para muitos, é o primeiro passo para se produzir petróleo sem plataforma. O SSAO fica instalado no fundo do mar, e substitui os separadores em cima das plataformas.
A Petrobras duplicou o Cenpes, na Ilha do Fundão, no Rio, para desenvolver tecnologias, principalmente para o pré-sal. Para Carlos Tadeu, é fundamental desenvolver sistemas simples e de menor custo, porque considerando as atuais reservas do pré-sal de 15 bilhões de barris, cada US$ 1 de redução nos custos de exploração, traz economia de US$ 15 bilhões.
O SSAO foi desenvolvido para a Petrobras em parceria com a FMC Tecnologies, uma das gigantes fabricantes de equipamentos submarinos para o setor. O primeiro SSAO desenvolvido no novo Centro Tecnológico da FMC, no Parque Tecnológico da Cidade Universitária, fará em breve testes no Campo de Marlim e será conectado a um dos poços da plataforma P-37.
O equipamento pesa 407 toneladas, fica no solo marinho e separará óleo, gás e água. O petróleo, ao sair dos poços, é separado no SSAO e pode ir para um navio-tanque ou oleoduto. O SSAO traria ganhos ambientais ao reduzir emissões de gás carbônico.
“Estamos com o pé no acelerador para fazer uma nova geração de sistemas de produção de petróleo, tendo como meta minimizar (reduzir) tudo que existe em cima do mar (plataforma)”, explicou Paulo Couto, vice-presidente de Tecnologia da FMC Technologies, para quem o SSAO pode ser um primeiro passo para produção sem plataformas. “A direção é essa. Mas é difícil saber se no futuro teremos plataformas menores, desabitadas, ou sistemas no fundo do mar e só navios para armazenar petróleo. Está se caminhando para isso.”
Tecnologias para reduzir prejuízos ao perfurar poços
Aumentar a produção de forma mais eficiente também é preocupação da Baker Hughes, outra gigante internacional que instalou seu centro tecnológico para toda América Latina no Parque Tecnológico no Fundão.
“Um dos desafios tecnológicos é que a perfuração de um poço no pré-sal consiga atravessar uma camada de sal de dois quilômetros”, disse César Muniz, diretor da Baker Hughes.
A Petrobras pretende adquirir um veículo autônomo, o Autonomous Underwater Vehicles (AUV), que trafega no fundo do mar com câmaras, comandos à distância, manda imagens e é capaz de fazer intervenções nos equipamentos. Desenvolvido pelo Cenpes, está em testes no pré-sal da Bacia de Santos um equipamento inédito que separa o gás carbônico do gás e o reinjeta nos poços.
Estudar reservatórios é a linha do Centro de Pesquisa e Geoengenharia da Schlumberger, no Parque Tecnológico do Fundão. Com tecnologias avançadas, pode-se evitar que a perfuração de um poço, que custa de US$ 50 milhões a US$ 70 milhões, não seja um tiro certeiro. Hoje, corre-se o risco de esse investimento ir pelo ralo, se o poço estiver seco .
Fonte: Gazeta do Povo (PR)

Uma revolução na extração de petróleo

A FMC Technologies, líder mundial em tecnologia de extraçã de petróleo submarino, acaba de entregar a Petrobras no um gigantesco sistema de separação de água e óleo a grandes profundidades no mar. 
O Separador Submarino de Água-Óleo (SSAO) é o primeiro equipamento no gênero no mundo e será destinado ao Campo Marlim, localizado na Bacia de Campos. Se o novo sistema confirmar no fundo do mar o que demonstrou nos testes preliminares, estará inaugurada uma nova era internacional na exploração submarina de petróleo. A separação de óleo e água não mais ocorrerá nas plataformas, como ocorre hoje. 
A área liberada nas plataformas será usada para armazenar um volume ainda maior de óleo extraído dos poços submarinos. O projeto está a cargo do diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, e é fruto de uma cooperação tecnológica entre a Petrobras, a FMC e a Statoil.
 O SSAO – que pesa mais de 400 toneladas – será instalado nos primeiros meses de 2012 a uma profundidade de 900 metros. 
É também a primeira vez que se fará funcionar um sistema de separação água-óleo com reinjeção de água dentro do reservatório para aumentar a capacidade de produção de poços maduros. O novo sistema processará diariamente 22.000 barrís de líquido.