TURMA DO PETRÓLEO

TURMA DO PETRÓLEO

quarta-feira, 28 de março de 2012

Jovem chefiando velha guarda… Velha guarda chefiando jovem

Às vésperas de completar 50 anos de idade e 30 de profissão desde que entrei na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante passei a refletir sobre a velocidade com que as coisas tem acontecido no nosso ambiente de trabalho e no mercado profissional.
Não preciso repetir o que todo mundo já sabe, que o mercado de trabalho impulsionado pela exploração do petróleo criou um descompasso entre a formação profissional e a necessidade de preencher as vagas disponíveis.
Esse fato gerou duas situações:
Promoção de jovens oficiais a posição de comando e chefia e o retorno de vários profissionais que estavam há muito tempo fora do mercado às funções que deixaram quando o mercado encolheu.
Criamos aqui uma situação inusitada, jovens chefiando ou comandando velhas guardas. Na MM de antigamente raramente encontrávamos essa situação, muito raramente, é verdade.
Nós jovens àquela época tínhamos como superiores hierárquicos profissionais que além de serem mais velhos eram muito mais experientes. Idade correspondia na grande maioria dos casos  a uma vasta experiência e conhecimento adquirido ao longo dos anos de mar, numa época que nem se cogitava um por um , onde o normal era ficar embarcado por mais de um ANO.
Hoje, com a  remuneração diferenciada que o mercado oferece e pela carência de profissionais,   voltam a atividade  profissionais que estavam  aposentados, e aqueles que se afastaram voluntariamente da profissão sem fazer cursos de aperfeiçoamento.  Envelheceram uns depois de anos de experiência mas desconectados das exigências da vida marinheira atual e outros sem a experiência pois não ficaram na profissão suficientemente para adquirirem-na.
Aos jovens , e este é o motivo do texto que escrevo, vai a recomendação de tratarem com respeito a experiência destes Oficiais inexperientes. Eles tem uma história de vida e apesar de não terem ficado tanto tempo na profissão como alguns jovens que os comandam ou chefiam, ou tem muita experiência e estão apenas “enferrujados” precisando se adaptar a nova dinâmica da profissão. Qualquer lugar  em que se trabalha, seja no mar , seja em terra o ser humano deve ser sempre o foco, as coisas só acontecem porque nós, pessoas estamos lá.
A educação desta geração trouxe hábitos que não são entendidos ou aceitos pelos mais velhos, é preciso navegar neste mar revolto do conflito de gerações com sabedoria para não deixar o seu comando ou chefia naufragar numa gestão sem resultados, numa perda de oportunidade de aprendizado e enriquecimento entre a troca de experiências entre gerações.
Já os velha guardas devem entender que a MM mudou, na época que começaram 25 , 30, 35 anos atrás MM era longo curso, navios mercantes, LLoyd Brasileiro para o mundo todo, Netumar para a América, Aliança para a Europa, Frota Oceânica para a Ásia, Flumar, Global, Norsul e tantas outras bem como graneleiros pelo mundo afora e Transpetro na linha do Japão e para todo mundo, não havia quase nada de offshore e plataformas de perfuração não impactavam na profissão.
Atravessaram o “boom” da Construção Naval no Brasil na década de 70 o inicio do fim da década de 80, o encolhimento da frota mercante nacional e o crescimento do offshore na década de 90 e o “boom” do século XXI.
Hoje o ritmo em que as coisas acontecem é numa velocidade impressionante, o mercado de offshore é que dita as regras das oportunidades de emprego e nos benefícios da classe trabalhadora. O computador virou equipamento default a bordo é imprescindível se familiarizar com este equipamento, não adianta resistir a essa tecnologia, portanto, busquem a familiarização.
Motor diesel continua sendo o mesmo tendo camisa, pistão, anel de segmento, a diferença é que hoje a informática está presente monitorando o equipamento através de PLC com comandos semelhantes a um computador.  Isso vale para Caldeiras, purificadores, destiladores, painéis elétricos. Hoje a partida dos equipamentos é pela tela do computador, se não tem familiaridade com o mouse, trackball , touch screen como é que fica?
Hoje o Oficial de Máquinas é encontrado como Supervisor de Manutenção, Subsea Engineer e até na Perfuração, bem como Oficiais de Náutica. Hoje as mulheres estão no mercado, algo impensável no passado com as particularidades de sua presença a bordo.
Comprem um notebook, façam cursos de informática, familiarizem-se com os sistemas informatizados de gerenciamento da manutenção,  e de monitoramento de equipamentos de navegação e praça de máquinas. Leiam o manual!!!!!!!!!!!!
Profissionais do mar sempre tiveram que ser autodidatas e hoje mais do que nunca isso é imprescindível ao homem do mar.
O mercado de petróleo face as peculiaridades da exploração não dá margem a erros que podem provocar acidentes com perda de vidas e impactos ambientais .
Gestão Ambiental hoje é tema central desta exploração, a legislação se torna cada dia mais exigente e deve ser conhecida de quem está na profissão.
Por fim, a você que não abandonou a profissão e, como eu, continua na ativa, fica um recado: entenda a “Geração Y” de Oficiais que está no mercado, são da geração dos seus filhos ou netos, nada difícil de lidar, mas é preciso entender como eles enxergam o mundo hoje e como vêem a profissão, não tem os parâmetros nem as nossas referências.
Só respeitam os superiores que demonstram serem dignos do respeito pela postura profissional, pelo conhecimento que demonstram, pela liderança natural. São autênticos, francos e sinceros e isso muitas das vezes choca os mais velhos. Testam você diariamente não se prendem a empresas, desejam crescimento rápido, aceitam serem orientados desde que admirem o mentor.
Este é o nosso grande desafio, precisamos conquistar os subordinados pelas nossas atitudes.
Os desafios profissionais do Homem do Mar do século XXI é grande e começa na reflexão que cada um deve fazer do momento atual.
Saudações maquibambas.
Chefe Paulino
Paulino de Azevedo Soares Neto – EFOMM 82-84 – OSM

Petrobras – As mulheres do pré-sal

Já forma um time de futebol, mas ainda não dá uma partida. A Petrobras tem hoje apenas 18 mulheres com o crachá como o da presidente da empresa trabalhando em plataformas do pré-sal, um dos projetos mais promissores da economia brasileira.
Elas são apenas 4% dos funcionários dessas unidades de produção _o que corresponde a uma proporção de 23 homens para cada mulher_ percentual que desafia a presença feminina em cursos de Engenharia. Dos cinco mil alunos matriculados na Escola Politécnica da UFRJ, 30% são mulheres. Na engenharia civil, chegam a 40%.
Na empresa comandada por Graça Foster, ela própria a segunda mulher na empresa a subir em uma plataforma, as funcionárias ainda vivem em um ambiente dominado por homens, mas que vem mudando de cara lentamente. As mulheres representam hoje 15,4% do efetivo da estatal. Em 2003, eram 12,1%. A maior parte das embarcadas no pré-sal não tem filhos ou é casada há pouco tempo.
Além das 18 do pré-sal, há muitas outras terceirizadas nas plataformas da empresa. A estatal não passa os números, mas segundo o Sindipetro-NF, as terceirizadas são de longe a maioria entre as mulheres nas plataformas (de todos os tipos) do Norte Fluminense: com um placar de 1.707, contra 254 efetivas.
Poucas mudanças na rotina de trabalho
Sobre o que mudou no pré-sal? Muitas dizem que a rotina de trabalho pouco se alterou. Citam a viagem de helicóptero até a plataforma, que agora ficou mais longa (cerca de uma hora e vinte minutos), e o aumento da cobrança por rapidez nos resultados.
- O trabalho é basicamente o mesmo, mas a plataforma ganhou mais visibilidade na mídia por causa do pré-sal – afirma a técnica de suprimentos Adriana Souza da Cruz, 29 anos, embarcada há três na P-53, na Bacia de Campos.
Embora não falem em discriminação ou preconceito, reconhecem que passaram por um sentimento de “estranheza” quando começaram.
-Agora é tranquilo. No início teve um pouco de estranheza pelo fato de ser mulher, tradicionalmente nas plataformas onde a maioria de trabalhadores é homens. Mas, a cada dia que passa, há mais mulheres chegando. A mulher sendo competente e sabendo se colocar não tem problema – diz ainda Adriana.
Do total de funcionários com nível superior na estatal hoje, 20,8% são mulheres. Entre as 18 funcionárias do pré-sal, uma ocupa função com nível superior e as outras 17 são técnicas, embora muitas dessas tenham formação superior. Na posição de liderança, a Petrobras tem hoje 960 gerentes mulheres – o número quase dobrou de 2003 para cá, quando eram 526. Entre os homens, o comando fica com 5.013 deles.
Conversar pelo Skype com o marido
A química Cândida Carolina de Paula Santana, 30 anos, trabalha na FPSO Cidade Angra dos Reis, na Bacia de Santos, fiscalizando a atuação da da Modec, operadora da plataforma. Casada há um ano, desde outubro do ano passado está embarcada. Ela diz que a função é conveniente. O marido trabalha como engenheiro para a indústria automobilística no Uzbequistão, na Ásia. Nos 21 dias que tem de descanso, ela voa para encontrá-lo. Quando está embarcada, sua rotina inclui conversas pelo Skype, a leitura de um livro, quando há tempo, e os momentos em que socializa com os colegas no refeitório.
-É bem intenso quando se trabalha, mas depois quando tem a folga, há longo período de descanso. Exige planejamento, tenho minhas contas todas no débito automático – afirma.
A técnica de operações Vívian Patrícia de Paula Reis trabalha na sala de controle, junto a monitores e telas, acompanhando os dados de exploração, sem nenhuma outra mulher para tratar diretamente. Está há quase quatro anos na P-53. Namora, tem 28 anos e acha que por enquanto é difícil compatibilizar a ideia de filhos com o trabalho que leva.
-Ter filho para nós, pelo menos por um período, é inviável porque passamos muito tempo fora de casa. É complicado ter um bebezinho e estar embarcando – diz.
“Não temos que ouvir só futebol”
A engenheira Ana Maria Blanco, da Gerência de Desenvolvimento de Projetos do Pré-Sal, vê uma mudança no panorama das mulheres dentro da empresa, desde que começou na empresa, trabalhando embarcada, na década de 80.
- Quando comecei havia muito poucas mulheres. Hoje, no departamento que trabalho, somos 42 pessoas, sendo que a metade, mulheres. O ambiente fica mais equilibrado, mais agradável, não temos que ouvir só futebol – afirma.
Se a ascensão de Graça Foster acelera o espaço das mulheres na empresa? As opiniões são divididas, mas boa parte acha que a escalada profissional está mais ligada ao empenho pessoal.
-Não sei, acho que a mudança principal tem a ver com a competência – considera Ana Maria.
Segundo a Petrobras, na área de pesquisa, as mulheres também aumentam a participação. Em 2002, antes da descoberta do petróleo na camada pré-sal, 113 mulheres atuavam nas atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas à Exploração e Produção, no Cenpes. Hoje são 162 mulheres dedicadas às atividades de pesquisa ligadas ao pré-sal.
“18 virou número cabalístico”
A economista Hildete Pereira, especialista em gênero e pobreza no Brasil, lembra que além do número funcionárias do pré-sal, 18 também é o número de mulheres que ocuparam cargo de ministras na república brasileira. A conta vai até 2010 e não considera o governo Dilma.
- É um número que parece ter virado cabalístico. Temos nas plataformas do pré-sal, que são as plataformas do futuro também 18 mulheres, o que permite pensar que o poder pode ser dividido entre calças e saias – afirma.
Hildete considera um avanço a petrolífera ser comandada pela primeira vez por uma mulher, em um setor eminentemente masculino, mas lembra que no Parlamento e nas empresas, elas ainda estão em menor número.
-As mulheres são muito boas para administrar a pobreza, tomar conta da casas, gerir o Bolsa Família, mas para gerir a riqueza e o poder, chamam os homens. Isso ainda acontece no mundo inteiro – afirma.
Com as informações – O Globo
Por Rodrigo Cintra

PSV: A embarcação maldita!


Tirando as lanchas de suprimento, a embarcação mais simples usada no apoio marítimo é o chamado PSV (Platform Supply Vessel). Nele é embarcado tudo o que se usa a bordo de uma unidade de produção ou perfuração. Peças, equipamentos e até comida. É considerado por muitos, o fusquinha do apoio marítimo e, bem, razão de ser desta matéria, são rejeitados pela maioria dos marítimos. Tentei descobrir os motivos pelos quais esta embarcação é tão maldita. Confira!
O ponto de vista mais polêmico é o fato dos pilotos “correrem” da função de navegar. Atualmente, parece que o cara já se forma para ser operador de DP. Então, preferem ficar embarcados em navios de mergulho ou lançamento de linhas, ou então nas plataformas com sistema de DP - POSICIONAMENTO DINÂMICO. Não estou afirmando, mas é o que muitos pilotos e maquinistas já me disseram. 
Outros já são de uma opinião com a qual eu concordo mais, que é a perspectiva do mercado ter mudado. Realmente, as oportunidades como um todo nas áreas de DP são melhores. Sem contar que é uma tecnologia de ponta, apesar de não ser nenhuma novidade. Quem não quer estar na crista?
Essa visão dos oficiais mercantes, principalmente dos pilotos, em relação aos PSV´s – claro – causou um impacto no mercado. E se a procura de vagas em barcos de apoio cai, a qualidade do serviço inevitavelmente cai junto, reforçando a imagem ruim em relação a estas embarcações.
Existirá forma de reverter este quadro? Mais que isso; existe um motivo para reverter? O mercado realmente está mudando, mas o que me intriga é saber que os PSV´s são necessários e continuarão sendo por muito tempo. São os “fazem-tudo” do apoio marítimo. Como podem ser tão desprezados?
Será que faltam investimentos das empresas nessas embarcações? Faltam oficiais com vontade para trabalhar a bordo delas? Sinceramente, eu gostaria muito de saber. Minha humilde visão entende que é preciso revolucionar os barcos de apoio às plataformas. Comprar novos, reinventar o jeito de abastecê-las, e assim, criar um novo mercado para nós, revertendo o foco da oferta versus procura e melhorando a qualidade do serviço.
Se o objetivo é fazer uma Marinha Mercante melhor e, consequentemente, um país mais rico, a medida é essa. No entanto, sabemos que esse assunto é complexo.
Opinem, discutam, quero aprender mais sobre isso!
Um forte abraço!
Por Marcus Lotfi

Curso de Especialização em Equipamentos de Perfuração e 

Serviços de Poços de Petróleo

As inscrições para o Curso de Especialização em 
Equipamentos de Perfuração e Serviços de Poços de 
Petróleo acontecem até o dia 19 de abril.

Estão abertas as inscrições do concurso para seleção 
dos candidatos a uma das vagas do Curso de 
Especialização em Equipamentos de Perfuração e 
Serviços de Poços de Petróleo, uma parceria do
 Instituto Federal Fluminense com a GE Oil & Gas do Brasil.

O período de inscrição é de 24 de março a 19 de abril, 
exclusivamente pela internet, no Portal do IF Fluminense, 
e estão sendo oferecidas 30 vagas, no campus Macaé. 
Tanto as inscrições como o curso são gratuitos.

Os candidatos que não possuem acesso à Internet 
ou que apresentarem alguma dificuldade com o 
procedimento de inscrição poderão obter apoio
 no campus Macaé.

O concurso está aberto aos portadores de:

a) diploma de curso técnico em eletromecânica;
b) diploma de curso técnico em mecânica;
c) diploma de curso técnico em eletrônica;
d) diploma de curso técnico em automação industrial.

A seleção vai contar com duas etapas, uma prova 
objetiva e entrevista escrita, ambas aplicadas no 
dia 01 de maio de 2011, com duração total de 
quatro horas – das 8h30min às 12h30min. Para saber 
o local de realização do concurso, os candidatos 
deverão retirar o Cartão de Confirmação de Inscrição 
no site www.iff.edu.br, a partir do dia 26 de abril de 2011.

O IF Fluminense vai colocar o gabarito oficial do concurso 
à disposição da imprensa bem como na Internet, pelo 
endereço www.iff.edu.br e na portaria da instituição, logo
 após realização da prova.

O resultado final está previsto para 09 de maio e as 
matrículas no dia 10 de maio. As aulas irão começar 
em 11 de maio.

O curso de especialização em Equipamentos de P
erfuração e Serviços de Poços de Petróleo

O Curso de Especialização em Equipamentos de P
erfuração e Serviços de Poços de Petróleo, especialização t
écnica de nível médio na área profissional de indústria, surge d
o interesse da GE Oil & Gas do Brasil em aumentar seu 
quadro de funcionários para atender ao crescimento da
 demanda no setor.

Assim, o Instituto Federal Fluminense e a GE Oil & Gas 
do Brasil se unem para oferecer este curso de especialização 
em nível técnico, na área profissional de indústria, cujo campo
 se abre para novas turmas, onde os candidatos terão uma 
perspectiva ampla de atuação no setor de petróleo, 
com amplas possibilidades de emprego na própria GE.

sábado, 24 de março de 2012

Entrevista com Marcelo Lima de Mendonça


1) A Petrobras bateu novo recorde na entrega de gás natural ao mercado, em 2011, alcançando uma vazão anual de 37 milhões de metros cúbicos por dia de gás ofertado. A companhia divulgou também o aproveitamento do gás natural que é produzido junto com o petróleo nas plataformas da Petrobras, onde atingiu a marca recorde de 89,2%, em 2011. Quais os maiores gargalos do setor de Gás Natural no Brasil?
A 5X Petróleo dessa semana é com o gerente Técnico e de Desenvolvimento da Gas Energy, Marcelo Lima de Mendonça. Responsável pela carteira de clientes industriais da área de gás natural da Gas Energy, o executivo falou sobre os potencias e os gargalos que o setor enfrente no Brasil e no exterior.

É verdade que nos últimos anos a Petrobras incrementou significativamente sua capacidade de produção, processamento e transporte de gás natural. A infraestrutura de transporte cresceu em cerca de 8%, como resultado principalmente dos vários programas de ampliação como Malhas e Plangás. Os aumentos concentraram-se principalmente na ampliação da comunicação entre os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro com a construção do gasoduto Campinas-Rio. Outro ponto importante da ampliação foi a ligação entre as malhas sudeste e nordeste com a construção do Gasene. Esse gasoduto permite principalmente que a produção excedente do Espírito Santo possa ser enviada para outros estados como RJ e BA.

A capacidade de processamento também foi expandida, com a instalação de novas UPGNs, como a Monteiro Lobato em SP e Sul Capixaba no Espírito Santo. No entanto, toda essa ampliação da infraestrutura de processamento e de transporte foi projetada para garantir o escoamento de volumes em torno de 86 Mm³/d, sem contar a produção esperada das reservas do Pré Sal, que segundo estimativas pode vir a alcançar em 2020 cerca de 75 Mm³/d adicionais. Em outras palavras, a malha de transporte e a capacidade de processamento atual do Brasil não têm capacidade de processar ou transportar todo o volume de gás adicional. Para o devido escoamento dessa produção serão necessários novos gasodutos e um aumento da capacidade de processamento. Sem falar da necessidade de ampliar as redes de distribuição, para que o gás possa chegar aos consumidores finais...
2) A Gas Energy realiza serviços de assessoria empresarial, abrangendo toda a cadeia produtiva do gás natural e do petróleo, passando pela indústria química e petroquímica. Quando e como vocês perceberam que esse mercado estava carente?
A Gas Energy foi criada em 2005 e naquela época o mercado de gás natural no Brasil estava apenas começando. Percebemos que não tinha muita expertise no país sobre gás natural. Consultorias estrangeiras atuavam no país, mas sem realmente conhecer a realidade local. Os sócios fundadores, Marco Tavares e Douglas Abreu, tinham uma longa experiência corporativa na indústria de gás natural e na indústria química e petroquímica. Foi natural atender esse segmento, que era, e ainda é, muito demandante de estudos e assessoria.

Hoje a Gas Energy atua em toda a cadeia do gás natural, como também nos mercados de petróleo, derivados, carvão e de produtos petroquímicos. Atualmente somos a maior empresa brasileira de consultoria especializada em gás natural, com foco no Brasil e em toda a América Latina. Nossos clientes abrangem toda a cadeia do gás, de produtores de petróleo e gás, nacionais e internacionais, passando por empresas transportadoras e distribuidoras de gás, até os consumidores finais. São nossos clientes as maiores empresas industriais do país que consomem gás ou querem expandir seu consumo de gás. Assessoramos também associações industriais e órgãos de governo, tanto federal como estaduais.
3) O presidente da Bolívia Evo Morales inaugurou semana passada as obras de ampliação do maior complexo de gás natural do país, San Antonio, cuja capacidade de produção passou de 15,4 para 22,1 milhões de metros cúbicos diários, o que permite assegurar a elevação da oferta prometida ao Brasil e à Argentina. Como está essa questão do fornecimento do Gás boliviano para o Brasil. Até quando seremos dependentes da Bolívia?

O contrato da Petrobras com a Bolívia vai até 2019, e contempla o suprimento de 30 milhões de m³/dia, com um Take or Pay anual de 80%. A partir de 2019, certamente já teremos uma produção significativa no Pré-Sal, a entrada de novos produtores tanto offshore e onshore, e seguramente haverá uma sobre oferta de gás. Com este cenário, seria possível deixarmos de importar gás boliviano, porém ainda há bastante incerteza acerca dos cronogramas de exploração e produção da Petrobras e dos novos produtores e da implantação da infraestrutura para o escoamento desta produção (gasodutos de transferência, gasodutos de transporte, UPGNs).
Por outro lado, ainda em uma grande parte do País, o gás boliviano é a melhor solução econômica para manter e ampliar o mercado. Por esses motivos, é muito provável que o contrato com a Bolívia seja prorrogado, possivelmente com uma renegociação das condições de preços e mais flexibilidade nos volumes. Acreditamos que conviveremos, sem dependência, ainda por bastante tempo com o gás boliviano. No entanto, para que o suprimento da Bolívia continue e seja confiável, é necessário que outros projetos sejam implantados no país vizinho, para compensar a declinação normal dos campos que já produzem a mais de 12 anos.
4) No final do ano passado, o presidente da HRT Oil, Márcio Mello, chegou a dizer que a Petrobras não é a única opção da empresa para escoar sua produção de gás na bacia do Solimões, mas também disse que nunca houve uma conversa entre as duas petrolíferas à respeito do assunto. O gasoduto da Petrobras é a única opção? Quais seriam as outras?
O gasoduto da Petrobras não é a única opção para escoar a produção da HRT. A Gas Energy realizou em 2010 um estudo para a HRT onde foram analisadas alternativas de escoamento para sua produção e também de mercados para sua monetização, que dependerão claramente dos recursos que vierem a ser comprovados. A lógica econômica indica que, naquela região, os produtores deveriam colaborar em infraestrutura já que os mercados finais pretendidos são claramente diferenciados.
De toda forma, outras formas de transportar gás foram estudadas e também recentemente, estamos indicando ao mercado uma nova tecnologia denominada de GNL LITE que possibilita a liquefação do gás natural em condições mais econômicas, com materiais mais comuns no mercado de gás e com forte redução no investimento.
5) O gás natural ainda é muito difícil e caro de transportar e armazenar (Gás e GNL) e, portanto, requer firmar contratos de transporte e contratos de venda (Take or Pay e entrega ou pagamento) de comprimento prazo 20 anos. Por que essa logística de transportes e armazenamento ainda saem caro? O gasoduto ainda é caro para os padrões brasileiros?

O transporte e a armazenagem do gás natural são, no mundo inteiro, mais caros que o transporte e a armazenagem dos combustíveis líquidos e sólidos. O transporte de gás, por gasoduto ou sob a forma de GNL, requer altos investimentos em infraestrutura fixa, que requer largos períodos para recuperação do capital. Por isso são comuns contratos de compra e venda de longo prazo. No caso do GNL tradicional, o gás deve ser mantido a uma temperatura de –160°C e pressão de 1 atmosfera, o que requer o uso de materiais especiais no transporte e na armazenagem do gás natural liquefeito. Por isso, o investimento é caro. O GNL Lite é uma nova tecnologia onde o gás natural é liquefeito a uma temperatura de –40°C e uma pressão de 100 bar. Nestas condições, é possível o uso de materiais mais comuns, reduzindo os investimentos.

No Brasil, os gasodutos são muito caros quando comparados aos custos internacionais. Este vai ser um desafio para ANP e EPE, que em decorrência do PEMAT serão responsáveis pela elaboração do gasoduto de referência, que será usado como base para as licitações dos novos projetos de gasodutos. Esta será a oportunidade para trazermos estes custos para uma realidade internacional
.

Pré-Sal


A discussão sobre a existência de uma reserva petrolífera na camada pré-sal ocorre desde a década de 1970, quando geólogos da Petrobras acreditavam nesse fato, porém, não possuíam tecnologia suficiente para a realização de pesquisas mais avançadas.
Pré-sal é o nome dado às reservas de hidrocarbonetos em rochas calcárias que se localizam abaixo de camadas de sal. É o óleo (petróleo) descoberto em camadas de 5 a 7 mil metros de profundidade abaixo do nível do mar. É uma camada de aproximadamente 800 quilômetros de extensão por 200 quilômetros de largura, que vai do litoral de Santa Catarina ao do Espírito Santo.
Para extrair o óleo e o gás da camada pré-sal, será necessário ultrapassar uma lâmina d’água de mais de 2.000m, uma camada de 1.000m de sedimentos e outra de aproximadamente 2.000m de sal. É um processo complexo e que demanda tempo e dinheiro.
O petróleo encontrado nesta área engloba três bacias sedimentares (Santos, Campos e Espírito Santo), a capacidade estimulada da reserva pode proporcionar ao Brasil a condição de exportador de petróleo. Vários campos e poços de petróleo e gás natural já foram descobertos na camada pré-sal, entre eles estão o Tupi, Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara. Tupi é o principal campo de petróleo descoberto, tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas do mundo dos últimos sete anos.
De acordo com a atual Lei do Petróleo, as áreas de exploração serão leiloadas entre diversas empresas nacionais e estrangeiras. As que derem o maior lance poderão procurar óleo por tempo determinado. Conforme a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis), as descobertas do pré-sal irão triplicar as reservas de petróleo e gás natural do Brasil, a estimativa é que a produção alcance a marca de 50 bilhões de barris.
Segundo a Petrobras, a produção teste será iniciada em 2009, no campo de Tupi. O início da produção em larga escala está previsto para 2013 ou 2014
Petrobras faz nova descoberta no pré-sal
NN com informações do Jornal O Globo 

A Petrobras anunciou ontem uma nova descoberta de petróleo no pré-sal. A existência de petróleo de boa qualidade foi confirmada em poço perfurado no bloco BM-S-8, em águas ultraprofundas na Bacia de Santos. Denominado Carcará (ou 4-SPS-86B), o novo poço localiza-se a 232 quilômetros do litoral de São Paulo, com reservatórios situados a 5.750 metros de profundidade. Carcará é o terceiro poço perfurado pela Petrobras na área de prospecção chamada de Bem-te-vi, e fica a 20 quilômetros da primeira perfuração, situada numa lâmina d"água menos profunda, de 2.027 metros.
Como o processo de perfuração de Carcará não está concluído ainda, restando determinar "o limite inferior dos reservatórios, bem como identificar outras possíveis zonas de interesse", a Petrobras não deu indicações sobre prováveis volumes das reservas em questão. Mas a nova confirmação da existência de óleo na área foi considerada pelos especialistas como mais um importante indicador do potencial de reservas do pré-sal. A Petrobras, operadora do bloco, informou que o consórcio responsável pela exploração continuará perfurando. O consórcio é operado pela Petrobras, com 66% de participação, e participam a subsidiária Petrogal Brasil (de Portugal, com 14%) e as brasileiras Barra Energia (10%) e Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP, 10%).
Corrida contra o tempo
O Globo, Negócios&Cia - Flávia Oliveira 

A Petrobras espera a liberação até abril, do terreno que abrigará a Refinaria Premium II, no Ceará, para que o prazo de entrega da unidade não seja comprometido. O projeto de USD 10 bilhões, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, é o maior da história do estado. Tem conclusão prevista para outubro de 2017, mas está empacado por problemas com o terreno. Pelo cronograma inicial, as obras começariam em setembro do ano passado. A refinaria integra o PAC 1, do governo federal. Terá capacidade para processar 300 mil barris de óleo por dia.
O governo cearense cedeu o terreno, mas a liberação não foi possível até hoje pela proximidade com terras indígenas. A Funai exigiu estudo de tradicionalidade na área. O relatório foi entregue, mas o estado tem de arrumar outro terreno para reassentar os índios do entorno. Sem acordo, as obras da refinaria não começam. A Premium II é a quarta das cinco refinarias que a Petrobras planeja pôr em operação até 2019. É o caminho para reduzir a necessidade de importação de combustíveis.

segunda-feira, 19 de março de 2012

China amplia fatia no petróleo do Brasil
O Globo, Economia - Vivian Oswald, Danilo Fariello 

De bloco em bloco, o petróleo do Brasil está ficando menos nosso e cada vez mais chinês. Desde 2010, a China investiu por aqui USD 15 bilhões nesse setor, segundo a consultoria Dealogic. A principal estratégia asiática é comprar participações em empresas já atuantes para assegurar fornecimento ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia, a China se tornará em breve o maior consumidor mundial de petróleo, dado o interesse por carros da sua crescente classe média. Nos últimos anos, as estatais chinesas já investiram USD 4,8 bilhões na aquisição da Petrogal Brasil (de origem portuguesa), USD 7,1 bilhões em 40% da Repsol Brasil (espanhola) e USD 3,07 bilhões para ser parceira da Statoil (norueguesa) no campo de Peregrino.
Os chineses também têm parcerias com a própria Petrobras no Pará e no Maranhão. São exemplos de negócios que estão levando a China a um papel protagonista na exploração do petróleo brasileiro. A compra de petroleiras aqui segue o ritmo da disparada no volume de exportações de petróleo bruto do Brasil para a China. O valor total exportado em petróleo saltou de USD 210 milhões em 2004 para USD 4,8 bilhões no ano passado, crescimento de mais de 20 vezes, bem acima da alta de cerca de 100% do barril de óleo no período. No fim de fevereiro, a Repsol Sinopec anunciou uma grande descoberta de petróleo na Bacia de Campos. O poço Pão de Açúcar, segundo a empresa, apresenta um reservatório com espessura de 500 metros, um dos maiores já descobertos no país
Petróleo, alvo da cobiça de locais e argentinos
Fim de Semana - O Globo, O Mundo 

“A culpa desta atual confusão toda com a Argentina é que nós agora temos petróleo e eles também querem o produto”. A frase é ouvida constantemente nas ruas de Stanley. Na semana passada, o governo Cristina Kirchner prometeu iniciar uma série de medidas administrativas e legais para estrangular empresas que vêm explorando o petróleo malvinense. O governo local, no entanto, anuncia que vai reagir porque a exploração é feita legalmente e dentro das milhas náuticas usadas desde a guerra de 1982 para a desenvolvida indústria pesqueira local, hoje responsável por quase 60% do PIB das Malvinas.
Locais, mas a captação de recursos é feita na London Stock Exchange, a Bolsa de Valores londrina. O próprio Luxton admite que ao “menos quatro gigantes internacionais” já se associaram às empresas malvinenses. A primeira amostra de óleo foi descoberta em 1998, e o primeiro barril deverá ser extraído em 2016 — a exploração é toda offshore, em bacias ao norte e ao sul de Stanley, e o total de reservas é estimado em até 5,7 bilhões de barris. O iminente boom petrolífero já vem alterando a rotina dos malvinenses.