TURMA DO PETRÓLEO

TURMA DO PETRÓLEO

quarta-feira, 22 de maio de 2013


Qualificação, eis a questão

    
A indústria vivencia uma demanda crescente por profissionais
 qualificados. Entretanto, a formação de recursos humanos
 tem sido o grande gargalo do setor. Apesar do número de
 graduados, as empresas reclamam da falta de profissionais 
aptos às suas necessidades.

O mercado de construção naval, petróleo
 e gás brasileiro passa por grandes mudanças.
 Os cenários são otimistas, demandando 
profissionais das mais diversas áreas para garantir
 o aumento da capacidade produtiva dos estaleiros
 e petroleiras. Com as perspectivas de aumento
 da produção de petróleo no Brasil, principalmente
 após as descobertas do pré-sal, cursos voltados
 para a formação de mão de obra para o setor
 proliferaram em todo país. Segundo o Ministério
 da Educação, nos últimos dois anos foram criados
 nada menos que cerca de cem novos cursos superiores
 destinados à capacitação para o setor de óleo,
 gás e indústria naval. São Paulo concentra a maior parte deles, seguido de
 Rio de Janeiro, mas também há oportunidades em estados como Espírito Santo,
 Amazonas e Bahia. A grande procura por profissionais, especialmente por
 parte de multinacionais, também tem impulsionado a expansão de treinamentos
 e cursos livres.

A indústria do petróleo engloda as mais diversas atividades, desde a
engenheria ao direito, passando pela medicina e pela administração
 de empresas, dentre outras. Com  isso, vários cursos profissionalizantes
 e de graduação surgiram para atender não só as centenas de
empresas nacionais e internacionais, mas também pessoas interessadas
 em ingressar no mercado de óleo e gás - com remunerações até 30%
 superiores ao que é pago em outros setores da economia.

Em 1999, a PUC-Rio iniciou a turma de especialização em Engenharia
 de Petróleo, para graduados em Engenharia Plena, com o objetivo de
 formar profissionais em curto tempo (400 horas). Depois de ganhar
 experiência com as várias turmas, a instituição decidiu criar o curso
 de graduação em engenharia de petróleo, iniciado em 2005.
Segundo Sérgio Fontoura, coordenador do referido curso, a procura
 pela especilização é grande. "Anualmente, recebemos cerca de
30 alunos para o curso de graduação e 40 alunos para a especialização
 em Engenharia de Petróleo para graduados", afirma ele. "Nossa maior
 preocupação é garantir uma formação de alto nível para estes alunos e
 suprir o mercado com bons profissionais", diz.


A profissão de engenheiro de petróleo, por exemplo, está em franco
 crescimento. O salário médio inicial de R$ 2 mil e o interesse de
empresas do porte de Petrobras, Ipiranga e Shell, fazem da
engenharia de petróleo uma opção atrativa para quem pretende
construir uma carreira profissional. Além de trabalhar com o estudo
 e análise  de jazidas de petróleo, e projetos de extração do produto,
o profissional dessa área pode trabalhar com outros combustíveis,
como o gás natural.

Tecnólogos

A maior parte dos cursos destinados à formação de tecnólogos
que têm diploma de curso superior, mas não título de bacharel. 
São cursos de menor duração do que uma graduação tradicional, 
voltados exclusivamente para o mercado de trabalho.

O cursop tem duração menor ( média de dois anos) que a do
bacharelado (quatro a cinco anos). No entanto, com esta formação,
 os profissionais ainda não são aceitos nas inscrições para vagas
 de nível superior em concursos da Petrobras. A altenativa, nesse caso
, é buscar trabalho em empresas terceirizadas.

Cada curso de tecnologia em petróleo e gás prioriza áreas específicas
, como técnica operacional, refino, processamento de petróleo, mineração
, gestão de negócios, serviços em poços de petróleo, produção industrial,
 entre outras.

Indústia Naval

Pegando carona na necessidade de contratação do setor petrolífero,
 a indústria naval também está em fase de expansão e,
consequentemente, chamando profissionais para trabalhar nos
 estaleiros e nas empresas da área. Estudo recente identificou
 a necessidade de qualificar 207 mil pessoas até 2013.

A revitalização da indústria naval inaugura um período de
 oportunidades para os interessados em atuar na área. Por 
conta da construção de todos os navios do programa
 Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota), 
da Transpetro, empresa de logística da Petrobras, é estimada
 a geração de 40 mil empregos diretos.

"No final da décado de 1990, os cursos navais quase foram
 extintos, mas hoje, estão todos lotados", recorda o coordenador
 do curso de construção naval da ETE Henrique Lage, Antônio
Carlos de Jorge.

De acordo com dados da Fundação de Apoio à Escola Técnica
do Rio de Janeiro (Faetec), a demanda de profissionais no setor
 naval, é de cerca de 16 mil pessoas, o que mostra que
existem muitas oportunidades e quem quiser entrar nesse mercados
 tem que se qualificar.

Por isso, a área de engenharia naval também está em alta, inclusive
 com relação aso salários que chegam em média a R$ 3 mil para
 iniciantes na carreira. O profissional formado  nesta área tem um
 campo de trabalho bastante extenso, o que significa que terá
oportunidades em diversas empresas.

Entre teoria e a práticas de fato, a demanda existe , porém,
 segundo Tertuliano Soares, coordenador pedagógico da
 Petrocenter, escola de logística, exploração e produção de
 petróleo e gás, é necessário difereciar o contexto das duas
 cadeias produtivas no tocante a mão de obra. "Por um lado
 temos recursos humanos, porém, carentes de atualização
 profissional; por outro, a emergência de formar profissionais
 com alto nível de especialização em escolas técnicas e
 universidades", aponta.

A indústria de construção naval brasileira absorve uma gama
 diversificada de profissionais, desde pintores a engenheiros
 navais especializados. De acordo com o especialista, o
grande gargalo está nos profissionais de qualificação técnica
 de nível médio e alguns de nível básico como soldadores
, eletricistas e instrumentadores.

O candidato também
 deve estar pronto para
 mudar de domicílio e
 migrar para onde
 os parques industriais
 estão se instalando.
 "Atualmente a contratação
 de determinado empregado
 implica a necessidade de o mesmo migrar de onde reside
 para outra localidade. O problema não é simplesmente a
 escassez de especialistas, mas o de estar disposto a migrar
 para outra região do país", explica.

Para o coordenador pedagógico da Petrocenter, cabe ao
 mercado contribuir para a solução desse problema.
 "A superação destes desafios está numa articulação
 entre os diversos atores do mercado com as escolas
 técnicas privadas, por exemplo", avalia. "O fortalecimento
 das escolas privadas de educação profissional é a saída
 a curto prazo  para que a sociedade tenha acesso a
 serviços educacionais de alto nível e as empresas tenham
 profissionais com currículos adequados às necessidades
 dos processos produtivos vigentes", conclui.

De acordo com o coordenador do Instituto Senai de Educação
 Superior (Ises), Caetano Moraes, nos últimos anos foram
 percebidas mudanças na área educacional, inclusive na
 formação especializada ou continuada.

O Senai-RJ, por meio do Ises, desenvolve cursos de pós-graduação
 para atender a crescente demanda por profissionais da cadeia
 de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, tendo em vista a
 projeção de investimentos para toda a cadeia produticva de
 petróleo no Brasil até o ano de 2014. Investimentos esses na
 ordem de US$ 224 bilhões.

As universidades, em sua maioria, desenvolvem os cursos
 de graduação para o atendimento das diferentes demandas
 industriais. Entretanto, as indústrias do segmento de Petróleo
, Gás e Biocombustíveis necessitam  de profissionais com formação
 especializada e linguagem técnica específica.

Diante disso, os cursos de espacialização do Ises sã
o elaborados a partir de discussão com o setor produtivo
 e, assim, são incorporados as necessidades técnicas específicas
 das indústrias. Além disso, as aulas são ministradas, em
 grande parte, por profissionais que atuam diretamente no
 setor, o que reforça a imagem do Senai e do Ises como formador
 de mão de obra para a indústria.

Fonte: Tn do Petróleo - Guia do Estudant

Novas fronteiras de exploração em águas profundas

Crescem os investimentos na produção de petróleo e gás
NN Margarida Putti - 
Ao longo da história da indústria do petróleo, a exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas nunca estiveram tão ascendentes como nos dias de hoje. A ordem agora é avançar, produzir e descobrir novas fronteiras de exploração. Enquanto, os outros países discutem a possibilidade do fim da era do petróleo no decorrer deste século, o Brasil está passando de um modelo de escassez para um modelo de fartura com as novas descobertas do pré-sal, já programadas para as próximas décadas.
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dizem que caso sejam confirmadas as perspectivas sobre o petróleo brasileiro, estaremos diante de uma reserva adicional de 30 bilhões a 50 bilhões de barris de petróleo, que a US$ 120 o barril, representariam 6 trilhões de dólares, isto é, uma quantia correspondente a 37 anos de exportações brasileiras. O instituto ainda revela que, em 2007, o Estado do Rio de Janeiro recebeu - sem incluir os recursos do Fundo Especial - mais de 80% dos royalties arrecadados com o petróleo.
Chego a pensar que, o Brasil está diante de uma oportunidade única, talvez a maior de sua história em termos econômicos e geopolíticos. Contudo, o setor de P&G, enfrenta muitos desafios, dentre eles os gargalos tecnológicos, gerenciais e logísticos. Nomes como royalties, commodities e pregão da BM&F Bovespa, envolvem empresas como a Petrobras, considerada como a companhia detentora da quarta maior reserva do mundo, numa disputa de mercado acirrada pelo “poder e pelo lucro”. Lucratividade, essa não foi uma boa palavra para a estatal, que vem experimentando um período de intensa volatilidade nos preços dos barris e também uma amarga queda em suas ações na Bolsa. Até a gestão da presidente da estatal, está na mira dos investidores, que não pouparam saliva para criticar e supor que a crise nas ações da petrolífera se agravou depois que Graça Foster assumiu o cargo, em 13 de fevereiro.
È válido registrar que o intenso desenvolvimento do segmento offshore resulta de pesquisas, inovações tecnológicas, investimentos governamentais e operações de investidores, que permitem uma constante redução de custos na exploração e produção do petróleo e gás. Contudo,  acredito que o potencial remanescente de petróleo, ainda está por ser descoberto em campos não dominados completamente pela indústria brasileira. Quanto ao gerenciamento de uma petrolífera, reconheço que não deve ser uma tarefa fácil, principalmente quando se precisa urgentemente gerar receita, abrir novos caminhos e produzir para "agradar à todos".

Golfo Pérsico - Os Reis do Petróleo

Cinco das maiores reservas de petróleo do mundo estão no Golfo Pérsico
Mauro Kahn e Pedro Nóbrega - 
Quando falamos em Golfo Pérsico, se com relação ao petróleo o que temos diante de nós é um verdadeiro império de reservas (cinco das maiores do mundo estão ali), em termos políticos estamos diante de um complexo amálgama de posicionamentos. Enquanto os países árabes mantêm um peculiar alinhamento com os EUA, o Iraque permanece um enigma e o Irã coloca-se em firme oposição à política ocidental. Nesta equação, o único elemento constante é o petróleo, e a possibilidade de equilíbrio entre as partes muito difícil de obter. É sabido que, desde as primeiras décadas do século passado, os países do Golfo Pérsico já se estabeleciam como grandes produtores. A princípio, o investimento estrangeiro foi recebido com passividade. No entanto, a medida que os Estados se familiarizavam com a produção do petróleo, começavam também a enxergar a possibilidade de lucrar sem a incômoda interferência estrangeira.
E neste momento os conflitos tornaram-se inevitáveis. Além das primeiras crises do petróleo, o movimento de criação da OPEP (Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kwait, Emirados Árabes e Catar pertencem ao grupo) e o endurecimento dos governos regionais foram os desencadeadores da situação geopolítica que perdura até hoje (com momentos de maior e menor tensão). A primeira ação de grande impacto da OPEP foi aquela que desencadeou a segunda crise do petróleo, quando – devido ao apoio americano à Israel na Guerra do Yom Kippur – os países-membros da organização decidiram aumentar em 300% o preço do petróleo.
Em 1979, a Revolução Iraniana (que derrubou o Xá Reza Pahlevi, maior aliado americano) sedimentou de vez os caminhos para o anti-americanismo na região, o qual existe até mesmo dentro de países aliados (vale lembrar que Bin Laden é saudita). Como já foi dito anteriormente, o Golfo Pérsico conta com uma boa parte das reservas do mundo, o que torna impossível um imediato desligamento dos consumidores em relação à região. Novas alternativas – como o Canadá, o Brasil e o Mar Cáspio – parecem boas, mas ainda devem ser desenvolvidas e sempre com um custo de produção bem mais elevado do que no Oriente Médio. Isso sem contar com as reservas ainda não descobertas: apenas no Iraque, projetam-se 100 bilhões de barris em reservas ocultas. Dentro do Golfo Pérsico em si também é bastante provável que exista um bom número de reservas, embora a exploração atual não seja muito intensa (graças à grande quantidade de petróleo em terra). Deduzimos esta afirmativa por puro bom senso: uma vez que há tantas reservas provadas no Mar Cáspio, é natural que existam também em águas tão próximas.
A situação do Golfo Pérsico é paralela à dos campos de Baku e Grozny no início do século XX (grandes reservatórios em terra, bem próximos ao mar). Outro facilitador da região é a rasa profundidade: o Golfo Pérsico apresenta uma lâmina d'água sempre inferior a 100 m (a média é de 50m, contra 184m do Mar Cáspio). Nos últimos tempos, a tensão no Iraque parece estar diminuindo, o que pode proporcionar um largo aumento na produção do país e torná-lo um ponto chave para os interesses ocidentais. O Iraque, além de fantásticas reservas (melhor R/P do mundo), possui um posicionamento geográfico bastante estratégico. De um lado está a Turquia, país com o qual os EUA estão firmando diversos acordos para construção de dutos que permitirão o transporte do petróleo até o Mar Mediterrâneo (os americanos pretendem ainda construir dutos na Arábia Saudita, objetivando escoar o petróleo árabe até o Mar Vermelho).
Do outro lado está o Irã, país a partir do qual há muitos anos vem surgindo os maiores problemas da região. É fundamental para o governo do Iraque também chegar a um entendimento com o governo do Kwait para que seja desenvolvido o potencial iraquiano, pois as condições de escoamento através do Golfo Pérsico são limitadas para o país: o Iraque conta apenas com o delta do rio Shatt Al Arab para a exportação de seu petróleo por via marítima (a situação é problemática porque uma das margens do rio pertence ao Irã). Importante lembrar que esta dificuldade logística já foi no passado uma das motivações do Iraque para invadir o Kwait, o qual muitos iraquianos sempre viram como uma extensão natural de seu território.
Por mais que a instabilidade seja uma marca até mesmo dentre aliados dos EUA, como a Arábia Saudita, é o Irã que de fato gera a maior parte do mal estar global em relação à região do Golfo Pérsico. Para “agravar” a posição do Ocidente, o país parece deter a chave de todas as portas. De um lado, mantém relações amigáveis com a Turquia, o que lhe permite um acesso ao mercado europeu; de outro, está posicionado entre o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico, com bilhões de reservas a serem exploradas em ambos os mares; por outro ainda, o país é aliado do Turcomenistão, uma possível rota para a China; e por final, o país exerce controle sobre o Estreito de Ormuz, onde passa a maior parte do petróleo que deixa o Golfo Pérsico por mar.
Um dos maiores temores, tanto dos produtores da região quanto dos consumidores do Ocidente, é que o Irã venha a fechar ou sabotar o Estreito de Ormuz, o que levaria a um prejuízo inestimável. Para Teerã, bastaria bloquear todo o estreito com navios e pequenas embarcações (em sinal de protesto, por exemplo) para atrapalhar a navegação dos petroleiros e causar saltos elevados na cotação do barril de petróleo.
Estando em jogo tanta riqueza, a aposta de risco em uma região como o Golfo Pérsico leva os investidores a se dependurarem sobre a velha questão: produzir barato ou comercializar em paz? Afinal, até que ponto é possível conciliar os dois?

Logística de mercado avançada torna gás americano mais barato

'Toda essa estrutura está montada e recebe investimentos regulares de vários agentes', diz especialista'
Fonte: Agência Brasil -
Uma logística de mercado mais avançada faz com que o shale gas (gás de xisto) explorado nos Estados Unidos tenha um custo menor para a indústria norte-americana na comparação com o custo do gás natural para a indústria brasileira. A avaliação é do diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), economista Jean-Paul Prates, em entrevista à Agência Brasil, ao comentar estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) sobre o custo do gás no Brasil e nos Estudos Unidos.
“Existe um preço de mercado que é reflexo não apenas de uma estrutura de produção já muito desenvolvida, que o Brasil proporcionalmente também já dispõe, mas de uma outra coisa que o Brasil não dispõe, que é uma logística de coleta, de mercado de gás, que o país nunca chegou a desenvolver”. Isso significa que mesmo antes do gás de xisto, o valor do gás americano sempre foi mais baixo em função da logística de coleta, de transporte (gasodutos) e, finalmente, do sistema de distribuição, que são lastreados em regras claras, o que torna a indústria americana competitiva, informou Prates.
“Toda essa estrutura está montada e recebe investimentos regulares de vários agentes”. Essa estrutura pressupõe um monopólio natural, que é altamente regulado, disse o economista. Segundo o diretor-geral do Cerne, a estrutura de gás no Brasil tem um único agente, que é a Petrobras. “O setor sofre pouca intervenção da parte do governo em termos regulatórios”, observou.
Em relação aos elevados tributos cobrados no Brasil, Jean-Paul Prates indicou que uma eventual modificação do cenário depende de uma política setorial de governo que passe a considerar o gás como um insumo valioso para o país. Ele entende que faz parte da política brasileira racionalizar a demanda de gás natural, porque ele não é abundante. “O Brasil anda na corda bamba no consumo de gás, que é muito maior que a disponibilidade que ele tem hoje”, avaliou. Segundo ele, ainda há um espaço de três a cinco anos para a entrada no mercado do gás extraído do pré-sal.
O Brasil, de acordo com Prates, ainda não produz gás de xisto. Há intenção do governo, porém, de entrar nessa área para diversificar e ampliar a matriz energética brasileira. Embora vislumbre que haverá muita discussão sobre o assunto internamente, do ponto de vista ambiental, o economista defende que o país “precisa viver essa experiência”. A primeira licitação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em áreas de xisto está prevista para outubro deste ano.
O diretor-geral do Cerne ressaltou que a indústria do xisto norte-americana está vivendo um momento de revitalização. O xisto significa para os Estados Unidos uma saída para a importação de gás do México ou do Canadá. A política atual é voltada para dentro do território, buscando o desenvolvimento de soluções caseiras. A produção de xisto, entretanto, traz consequências. Devido ao fracionamento do subsolo, “provoca em alguns lugares contaminação do lençol freático, alterações do subsolo que até hoje são pouco estudadas”.
A produção de gás de xisto é recomendada no Brasil em algumas áreas. Prates acredita, contudo, que isso não ocorrerá de forma tão rápida como foi nos Estados Unidos, onde “já existe uma cultura de convivência com esse antagonismo entre comunidades, fazendeiros e a indústria do petróleo”. Indicou que em locais como Minas Gerais, na região do São Francisco; no interior de São Paulo; ou na Bacia do Paraná, onde há potencial de xisto, o primeiro momento será de euforia ante a possibilidade de prosperidade. Em seguida, haverá a contra reação, com o movimento de ambientalistas, estimou.
Segundo Prates, a Petrobras já tem alguma experiência na área de xisto no Paraná. Mas avalia que isso não representa uma salvação para o mercado de gás brasileiro de curto prazo. O processo de xisto deverá levar entre cinco e dez anos no Brasil para mostrar uma produção significativa. “O que eu acho que vai salvar [o mercado] e já está indicado nos planos de investimento da Petrobras e no próprio perfil de produção do país como um todo, é o gás do pré-sal. Este entra primeiro [que o xisto] e com volumes mais altos”. A perspectiva, de acordo com ele, é que nos próximos dois a três anos o gás do pré-sal entre no mercado com mais força e amenize o problema de demanda reprimida do gás no Brasil.

segunda-feira, 20 de maio de 2013


Leilão ratifica apetite das petrolíferas pelo Brasil

Brasileiras têm boa participação e asiáticas não aparecem no leilão
NNpetro Júlia Moura - 
A 11ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petrobras (ANP) terminou ontem (13) antes do previsto. A estimativa da ANP era de dois dias de leilão, mas o apetite pelas empresas pelos blocos exploratórios, tanto da margem equatorial quanto de áreas terrestres, marcou o leilão com recorde de arrecadação, R$ 2,823 bilhões. Segundo a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, a rodada ratificou o modelo de concessão como o regime brasileiro de exploração e produção.
Magda ressaltou que o apetite demonstrado pelas petrolíferas é um bom termômetro para a 12ª rodada com foco em gás, marcada para outubro. “O sucesso da Bacia do Parnaíba mostra o forte apetite das empresas por áreas em terra com foco em gás”, disse Magda Chambriard.
A diretora também destacou os lances realizados pela OGX e da Queiroz Galvão como operadora “A”, com permissão para explorar em águas profundas, reforçando o crescimento das petrolíferas brasileiras.
A Petra Energia se consolida como operadora em áreas terrestres. A empresa arrecadou como operadora 24 blocos integralmente, nas bacias do Parnaíba e do Tucano Sul.
Nova estratégia
Petrobras mostrou uma nova estratégia no leilão. A estatal entra com participação, mas não como operadora na maioria dos lances. Apenas dois blocos foram arrematados como 100% da Petrobras na bacia terrestre de Potiguar, outros dois na bacia de Sergipe-Alagoas e mais três na bacia do Espírito Santo. Para o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, a Petrobras cumpriu seu papel no leilão.
“A participação da Petrobras foi mais acentuada do que eu esperava. Ela permitiu que outras empresas tomem a relevância. É importante ressaltar que hoje nós temos uma multiplicidade de atores novos operando. O mapa do petróleo hoje é um mapa diferente, com muito mais atores o que é muito bom para o dinamismo da indústria como um todo”, conclui.
Outro ponto positivo destacado por Magda foi o retorno da Total como operadora, com forte interesse na área marítima. Além do retorno da britânica BP, com a parceria da Petrobras, demonstrando o interesse pelo Brasil.

Petróleo: agora, pode ser a vez de empresas asiáticas

As asiáticas, que não apareceram na 11ª rodada, devem disputar os próximos leilões da ANP
Fonte: O Globo - 
O Brasil voltou a ficar no radar de investidores do mundo todo, não apenas de gigantes petrolíferas como Exxon, Shell e BP, entre outras, mas também de outros grupos fora do setor, como grupos financeiros que estão enxergando nas atividades de exploração de petróleo oportunidades atraentes para aplicarem seus recursos.
Esta é a opinião de vários especialistas do setor ao avaliarem os resultados da 11ª Rodada de Licitações de áreas, realizada na semana passada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os especialistas acreditam que, diante do resultado, nos próximos leilões, empresas asiáticas, como Mitsui e Sumitomo, entrarão firmemente na disputa dos blocos.
Pedro Dittrich, da área de Petróleo e Gás do Tozzini, Freire Advogados, explica que a atração é compreensível pelo fato de o Brasil ter um regime político democrático e regras estáveis no setor, e áreas bastante atraentes. "O nível de segurança jurídica que ampara o setor, a estabilidade política do país e o cenário geopolítico favorável são essenciais para atrair o investimento de empresas estrangeiras no país e abrem boas perspectivas para os dois próximos leilões: o de gás, em outubro; e o do pré-sal, previsto para ocorrer ainda este ano", afirmou Dittrich.
Por sua vez Rafael Baleroni, do Souza, Cescon Advogados, destacou a importância de o Brasil voltar a fazer leilões: "as petrolíferas precisam aumentar suas reservas e olham para o mapa mundial em busca de oportunidades. A retomada dos leilões no país coloca o Brasil no foco dos investidores internacionais e o país volta a fazer parte do mundo".
Os especialistas esperam disputa acirrada no leilão em novembro dos blocos no pré-sal na Bacia de Santos. O potencial de reservas que poderá ser oferecido é de dez bilhões de barris de petróleo. As reservas conhecidas atuais são de 15 bilhões de barris.
Já no leilão no fim de outubro para o gás natural não convencional em áreas terrestres, a expectativa é de alguns trilhões de metros cúbicos de gás em reservas. A diretora geral da ANP, Magda Chambriard, destaca que não se sabe o volume de gás não convencional no país, mas alguns técnicos estimam que pode chegar a 17 trilhões de metros cúbicos.

Poços secos: é possível evitar gastos desnecessários?

Pesquisadora questiona validade dos estudos geológicos feitos previamente à exploração
Colaboradora Rachel Ann - 
Os primeiros sucessos de poços perfurados em território brasileiro foram um incentivo a mais na corrida atual pelo petróleo. Porém, muitos poços perfurados em processos pré-exploratórios, em tentativas de obtenção de petróleo, têm recentemente se mostrado secos ou são classificados como produtores subcomerciais de petróleo.
Por exemplo, a petrolífera OGX, do empresário Eike Batista, tem sofrido muitos prejuízos com relação aos poços secos. Em dezembro de 2012, a empresa informou que esperava volumes recuperáveis totais entre 209 e 270 milhões de barris de óleo, e de 184 a 294 milhões na Bacia de Campos. Em janeiro de 2013, porém, reportou não ter encontrado óleo em uma das áreas perfuradas, desistindo de perfurar “após não identificar presença significante de hidrocarbonetos”. Com isso, o prejuízo da OGX mais que quintuplicou do ano passado para cá.
Com relação à Petrobras, no final de 2012, as despesas decorrentes de poços de perfuração de petróleo chegaram a R$ 2,73 bilhões, sendo o primeiro prejuízo da Petrobras em 13 anos, desde a desvalorização do real, em 1999. Isto vem ocorrendo não apenas com poços em camadas rasas de água, mas também com poços de perfuração do pré-sal. O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Formigli, disse ainda que os poços de Itaboraí e Corcovado, no pré-sal da Bacia de Santos, também foram secos. A justificativa para este aumento no registro de poços secos da estatal foi justificado por conta de “uma maior exploração em novas fronteiras”.
Em outro caso, a HRT, parceira da Petrobras, comunicou que não encontrou petróleo em dois poços na Amazônia, onde anteriormente havia dito que as reservas seriam “supergigantes”.
Neste contexto, podemos pensar em outras justificativas, que sejam mais reais e apresentem mais consistência, para a perfuração em locais onde não há o produto desejado, como, por exemplo, o levantamento ineficiente de dados geológicos ou erros crassos humanos (pois é o responsável pelos estudos prévios de monitoramento da área que fornece ao equipamento a informação de onde deve ser monitorado). Se o local não tem nenhum indício de reservas de petróleo, não haveria porquê ser monitorado no final das contas, não é?
É de se pensar bastante a respeito dos bilhões gastos na perfuração de locais que, ao final, não apresentam reservas o suficiente para darem lucro às empresas, impactando o meio ambiente de forma irreversível. Seria então um fato que os estudos geológicos prévios, que demoram, muitas vezes, anos para serem completados, não servem para nada? Tudo isto, ao fim, levando aos gastos absurdos de bilhões de reais por trimestre, e que poderiam ser investidos em alternativas energéticas mais verdes e sustentáveis como já comentado em outras matérias.

Projeto Especial 11ª Rodada: veja o perfil das empresas que arremataram blocos

Cerca de trinta empresas deram lances e arremataram blocos de óleo e gás no país
Redação NNpetro - 
11ª Rodada de leilão de áreas exploratórias de petróleo e gás bateu recorde de arrecadação nesta terça-feira (14). O bônus de assinatura final foi de R$ 2,823 bilhões para os 142 blocos adquiridos, dentre os 289 ofertados - o maior número de blocos na história dos leilões. Durante o evento, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, disse que a rodada marca uma “nova fase” para o país. “Por um tempo, havíamos desistido de fazer licitações por razões de interesse nacional”, disse.
maior lance da rodada foi feito pela operadora Total E&P Brasil (40% de participação), em consórcio com a Petrobras (30%) e BP EOC (30%). O bloco FZA-M-57, na bacia da Foz do Amazonas, foi arrematado por um bônus de R$ 345,95 milhões, com conteúdo local de 37% na fase de exploração e 65% na fase de desenvolvimento.
Havia grandes expectativas sobre a bacia da Foz do Amazonas, situada na porção oeste da margem equatorial brasileira, já que as características geológicas do local se assemelham com a costa africana, onde óleo de boa qualidade foi encontrado. Foram ofertados 97 blocos na região, mas apenas 14 foram arrematados. Mesmo assim, a bacia foi a que mais arrecadou de todas as 11 oferecidas.
Foi considerado um sucesso também o leilão dos blocos na bacia do Parnaíba. Sete empresas deram lances e arremataram os 20 blocos em terra, divididos em três setores, por um total de bônus de assinatura de cerca de R$ 119 milhões.
Destaque para a norueguesa Statoil que adquiriu seis blocos na bacia do Espírito Santo, por um valor total de bônus de R$ 494 milhões, sendo que o investimento mínimo previsto para todas as áreas é de R$ 1,275 bilhões. A petrolífera irá operar quatro dos blocos.
A BP saiu muito satisfeita da 11ª Rodada de Licitações, disse Mike Daily, vice-presidente executivo de exploração da companhia. "Com essas aquisições aumentaremos nossa presença exploratória em áreas de fronteira ao longo da margem equatorial brasileira”. A BP e seus parceiros venceram as licitações de 8 blocos em águas profundas na costa brasileira.
Para a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, o apetite demonstrado pelas petrolíferas é um bom termômetropara a 12ª rodada com foco em gás, marcada para outubro. “O sucesso da Bacia do Parnaíba mostra o forte apetite das empresas por áreas em terra com foco em gás”, disse Magda Chambriard.
CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO E CONFIRA O ESPECIAL PREPARADO SOBRE AS EMPRESAS QUE ARREMATARAM BLOCOS NO LEILÃO DA ANP

  1. Galeria de Fotos: