TURMA DO PETRÓLEO

TURMA DO PETRÓLEO

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

FALCK INVESTE EM CURSO PARA GERENCIAMENTO DE GRANDES EMERGÊNCIAS EM PLATAFORMAS

fotoA dinamarquesa Falck Safety Services, que no Brasil atua focada no segmento de treinamentos, está passando por uma mudança no modelo de gestão, com o intuito de gerar uma estrutura mais participativa e mais voltada às necessidades dos clientes. O novo executivo de contas da empresa,Reginaldo Cruz, contou que a companhia tem grandes expectativas para 2014, com previsão de ampliar em até 30% o número de cursos ministrados. Para isso, inauguraram um novo Centro de Excelência em Gerenciamento de Grandes Emergências na base de Macaé (RJ) e estão montando uma estrutura similar na unidade da Barra da Tijuca (RJ), onde fornecerão um novo curso voltado para gerentes de plataforma. Além disso, a empresa planeja instituir três pontos de atuação focal pela região Sudeste, distribuídos entre Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP) e Vitória (ES). O objetivo é identificar as necessidades das companhias nessas áreas e estruturar cursos de acordo com a demanda delas, podendo ser ministrados nas instalações das próprias empresas ou até a bordo de embarcações, plataformas e FPSOs.
Como avalia o ano de 2013?
Mediante as circunstâncias do mercado, foi um ano muito bom, em que executamos 90% do que havíamos planejado. Identificamos que as empresas decidiram segurar os investimentos no segundo semestre, com o intuito de adiar para esse início do ano os treinamentos com mais intensidade. Então consideramos que tivemos um bom ano em relação ao cenário nacional. Além disso, passamos por uma importante mudança no modelo de gestão.
Pode detalhar essa mudança de modelo?
A empresa está passando por uma grande mudança estrutural para melhorar os serviços junto aos clientes. O processo foi marcado pela chegada do novo CEO ao Brasil, Graham Gall, que trouxe uma gestão participativa, fazendo com que a empresa se mobilizasse para apresentar melhorias. Um exemplo disso foi que acabamos de contratar uma gerente de atendimento aos clientes, que será um canal de atendimento exclusivo para eles.
Quais foram os cursos mais procurados em 2013?
O mais buscado foi o curso básico de segurança em plataforma (CBSP), que teve uma procura de 9 mil treinamentos. Além dele, outros dois cursos foram destaques: Trabalho em Altura e Movimentação de Cargas. Somados, eles representaram cerca de 15 mil treinamentos.
Quantos cursos foram ministrados no ano passado no Brasil?
Realizamos quase 40 mil treinamentos no ano, quase todos para empresas. Temos uma procura por parte de pessoas físicas, mas é irrisória se comparada à de pessoas jurídicas.
Qual a meta para 2014?
A perspectiva para 2014 é maior, com uma projeção de crescimento de 20% a 30%. Essa previsão se dá em função dessa mudança de estratégia das empresas, que postergaram investimentos em treinamento do semestre passado para este ano, e pela ampliação de nossa atuação com pontos focais. E já estamos sentindo um cenário melhor nesses primeiros dias do ano.
Já?
Só para se ter uma ideia, no nosso segundo dia útil de trabalho do ano estive em quatro empresas para fechar contratos de novos treinamentos.
Como será a atuação por meio de pontos focais?
Vão ser instalados em Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES). No Rio, ele já está começando a funcionar em teste e nas outras duas localidades a atuação plena deverá ser alcançada ainda neste semestre. O objetivo é identificar as necessidades das empresas naquelas áreas e estruturar cursos para elas.
De que forma?
Um dos objetivos é formatar cursos para serem ministrados nas próprias instalações das companhias, de modo que não precisem enviar seus funcionários à Macaé, onde fica nossa base. Além disso, também realizamos treinamentos a bordo das plataformas e dos FPSOs, de acordo com a necessidade das empresas.
Há novos cursos em desenvolvimento?
Estamos iniciando um curso chamado Gerenciamento de Grandes Emergências (MOME, na sigla em inglês), que já começou a ser ministrado na base em Macaé e ainda no primeiro semestre vai ser ministrado em nossa base na Barra da Tijuca. O objetivo é criar um cenário offshore com a possibilidade de risco iminente, para capacitar gerentes de plataformas. Toda a estrutura de controle da unidade offshore será simulada para que os profissionais aprendam a dar respostas rápidas a qualquer início de incidente.
A empresa fez novos investimentos para criar o curso?
Inauguramos, recentemente, o Centro de Excelência de Gerenciamento de Grandes Emergências na base de Macaé, e estamos montando outro na Barra. Os investimentos em equipamentos, tecnologia e tudo o mais, somados, são da ordem de R$ 2 milhões.
Os cursos voltados à operação de FPSOs tiveram muito crescimento? Quais as perspectivas neste mercado?
Estamos identificando um grande aumento do treinamento a bordo, tanto em FPSOs, quanto em plataformas, em função de haver muitos estrangeiros embarcados. Como boa parte deles trabalha em regime de 14 ou 28 dias, nas folgas eles querem voltar para seus países de origem. Para atender a isso, nós realizamos treinamentos a bordo. Eles têm duas horas por dia para receber treinamentos.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CONTRATAÇÃO DE SEGUROS AMBIENTAIS DEVE CRESCER EM 2014

Por Rafael Godinho (rafael@petronoticias.com.br) - 
A legislação ambiental brasileira é uma das mais rigorosas do mundo. De acordo com o Roberto Dalla Vecchia, diretor executivo da AD Corretora de Seguros e especialista na área de Petróleo e Gás, é em cima desse rigor que está plantada a expectativa de bom crescimento nos contratos de seguros de Responsabilidade Civil-Ambiental este ano. Segundo a empresa, o seguro, comercializado há quatro anos, visa ao acionamento de medidas de contenção e mitigação de riscos ambientais. Além disso, oferece apoio para a análise, identificação e tratamento desses riscos. No público-alvo, está um amplo leque de indústrias, de empresas alimentícias a companhias de petróleo.
Qual é o objetivo de um seguro de responsabilidade civil-ambiental?
O objetivo é atender à demanda de poluição súbita ou gradual. A poluição súbita é aquela ligada a uma indústria, um armazém, que de repente sofre um acidente. Um exemplo é o caso daquele derramamento de açúcar queimado em Santa Helena, que escorreu até os rios da região. Já a poluição gradual ocorre quando o tanque de um posto de gasolina, por exemplo, começa a vazar discretamente, contaminando os lençóis freáticos. 
Entre os maiores acidentes em Óleo&Gás, destaco a famosa catástrofe do Alasca [1989]. O vazamento de óleo despertou providências maiores em favor do meio ambiente e por uma cobertura para os prejuízos das empresas: na época, a Exxon chegou a tremer financeiramente. Aqui no Brasil, a Petrobrás se envolveu no derramamento de milhões de toneladas de óleo na Baía de Guanabara.
De forma ampla, qual é a cobertura oferecida?
Além dos danos ambientais, o seguro inclui as custas judiciais do processo, como honorários advocatícios, e as perdas financeiras. Por exemplo, se aquele shopping paulista, construído sobre um lixão, tivesse um seguro como esse, estaria protegido dos embaraços. Deixamos claro, no entanto, que o seguro não cobre multas: subentende-se que a multa é consequência de uma falta individual da empresa.
Cobre também os prejuízos provocados a um povoado local?
Danos pessoais e também materiais estão abrangidos. O seguro cobre toda a responsabilidade da empresa ao transportar, produzir ou operar materiais perigosos, incluindo prejuízos aos habitantes locais.
Qual é seu parecer sobre a legislação ambiental brasileira?
É importante saber por que no Brasil se contrata mais seguro: justamente porque aqui há uma legislação bastante forte. A lei 6.938, de 1981 (Política Nacional do Meio Ambiente), determina que as atividades precisam de um licenciamento ambiental, levando à fiscalização na construção de rodovias, hidrelétricas etc. Hoje temos também uma política nacional de resíduos sólidos, de 2010, para o caso de resíduos nocivos ao meio ambiente.
 O seguro ambiental tem mercado em quais setores? Quais são os tipos mais comuns de clientes?
Indústrias químicas, siderúrgicas, indústria de cosméticos, alimentícias, empresas de papel e celulose, laboratórios analíticos e/ou ambientais. Além disso, empresas de energia, como usinas hidrelétricas e termelétricas. Mas até as eólicas também trazem danos ao meio ambiente: seja aos pássaros da região ou durante a própria fabricação dos equipamentos eólicos. O seguro abrange todo o universo da indústria, de diferentes formas. Também abrange o transporte de resíduos ou descartes perigosos.
Em relação ao setor de petróleo e gás natural, como ocorre o seguro?
A área de Óleo&Gás tem um tratamento específico, porque segue toda uma orientação de cobertura na categoria “riscos de petróleo”. Aqui no Brasil, as apólices de riscos ambientais foram trazidas e desenvolvidas principalmente pelas seguradoras multinacionais. No caso de Óleo&Gás, ainda dependemos muito das coberturas do resseguro que vêm do exterior. Para as coberturas mais complexas, o risco precisa ser bem distribuído entre as resseguradoras. Um dos custos mais pesados seria a limpeza e recuperação da área afetada. 
Quais são os riscos ambientais envolvidos nas siderúrgicas?
Entre os riscos de uma siderúrgica, destacaria a explosão de fornos, com derramamento do material incandescente, e vazamento de substâncias tóxicas. Por exemplo, em Volta redonda [2012], o MPF moveu uma ação civil-pública devido à poluição de uma grande siderúrgica. Além disso, a siderúrgica que não tem seus filtros ajustados ou adequados está submetida a grande risco de poluição do ar.
As empresas sérias hoje se adaptam e se submetem ao ISO 14000 e ao ISO 14001, normas que tratam da mitigação de danos ambientais. Se uma empresa detém o ISO, significa que usa todos os critérios para descarte de material e gerenciamento desses riscos. Nesses casos, a própria seguradora considera uma taxação menor.
Quando começou a surgir o seguro ambiental no Brasil?
Os produtos principais no mercado começaram a surgir há cerca de cinco anos, quando as seguradoras decidiram desenvolver uma cobertura mais especifica. Se hoje várias empresas ainda não buscam o seguro, é porque a quantidade de ocorrências não chegou ainda a abalar a companhia. Nós mesmos começamos a atuar com empresas internacionais que vinham para cá (química e petroquímica). Outro motivo foi a existência de um longo monopólio de resseguro pelo IRB (Instituto de Resseguros do Brasil).
É possível citar alguns dos seus clientes?
Como o seguro está relacionado à responsabilidade civil, as empresas geralmente preferem não se identificar, e nós respeitamos essa solicitação.
Como funciona o seguro no caso de terceirização do transporte de resíduos perigosos?
Quem faz esse transporte são empresas especializadas que geralmente contam com o seguro. Ainda assim, a empresa que contratou a transportadora pode ser responsabilizada. Em caso de catástrofe, a transportadora responde legalmente, mas a indústria também recebe os efeitos legais por ter gerado aquele produto.
O que a AD Corretora espera de 2014, especialmente nesse mercado de seguros de Responsabilidade Civil-Ambiental?
Daremos um passo ainda maior que nos anos anteriores. É um seguro que está em crescimento gradativo, devido aos costumes do mercado brasileiro. De fato, as primeiras apólices foram internacionais. Além disso, a maturação do que plantamos em 2013 é longa. Estamos focados nas atividades em que a necessidade do seguro é maior e onde vamos trabalhar com foco nesse desenvolvimento. Em algumas situações, uma empresa não adquire determinado ativo, devido a um passivo ambiental. Para mim, essa conscientização está caminhando e minha expectativa é de aumento este ano.

PRÉ-SAL VAI EXIGIR ATÉ 18 NOVAS PLATAFORMAS

FPSO Angra dos Reis
Para desenvolver a produção do Campo de Libra, licitado no final de 2013, será preciso construir entre 12 e 18 plataformas de petróleo e cerca de 60 barcos de apoio. A projeção é do presidente da Transpetro, Sérgio Machado.
Segundo Machado, para corresponder ao aumento das operações de exploração e produção de petróleo no pré-sal da Bacia de Santos, principalmente com o início das atividades no Campo de Libra, será lançada a terceira fase do Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota), visando à construção de novos petroleiros. A expectativa é aumentar a produção de 2 milhões para 6 milhões de barris diários.
Apesar de ter certeza sobre a continuidade do programa, Sérgio Machado afirmou que a data do lançamento da terceira fase ainda não está marcada.

Brasil se tornará um dos maiores produtores de petróleo do mundo até 2035

Relatório, divulgado, nesta terça-feira pela Agência Internacional de Energia, indica que produção diária do país triplicará em 22 anos

Brasil se tornará um dos maiores produtores de petróleo do mundo até 2035 Rogerio da Silva/Agencia RBS
Produção brasileira de petróleo passará dos atuais 2 milhões de barris diários para 6 milhões por dia em 2035Foto: Rogerio da Silva / Agencia RBS
Graças a exploração em águas profundas, como o pré-sal, o Brasil se tornará um dos maiores produtores mundiais de petróleo até 2035, triplicando sua atual capacidade de produção de 2 milhões de barris por dia para 6 milhões diários.
Mais de 80% dessa produção virá das chamadas águas profundas e ocorrerá principalmente até 2025. Hoje, os maiores fornecedores mundiais de petróleo são Arábia Saudita, Rússia, Estados Unidos, China, Canadá, Irã e Emirados Árabes.
A previsão faz parte de relatório divulgado nesta terça-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE). O documento também destaca que o Brasil é um dos países que utiliza o menor percentual de combustíveis fósseis em sua matriz de energética: menos de 20% ante quase 50% do resto do mundo.
No relatório, a AIE avalia que as grandes mudanças que estão ocorrendo nos mercados de energia, como resultado da forte expansão da produção de petróleo na América do Norte, não vão levar a uma "era de abundância" da commodity ou abalar o predomínio de longa data do Oriente Médio no setor.
A agência, que tem sede em Paris, rejeitou a especulação de que a exploração de recursos como o óleo de xisto possa enfraquecer o papel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no fornecimento de petróleo ao mundo no longo prazo.
Embora o aumento da produção em lugares como EUA, Canadá e Brasil seja crucial para atender a demanda por petróleo nos próximos 20 anos, a produção de países não integrantes da Opep começará a diminuir em meados dos anos 2020, prevê a AIE. A partir de então, diz a agência, países do Oriente Médio vão atender a maior parte do aumento na oferta global.
As conclusões da AIE repetem a análise publicada na semana passada pela Opep. Na ocasião, a entidade reconheceu que o boom do óleo de xisto nos EUA teve forte impacto no mercado, mas questionou que se os níveis atuais de produção são sustentáveis.
O crescimento rápido da produção de fontes não convencionais, em especial do gás de xisto norte-americano, tem gerado dúvidas sobre a posição dominante da Opep nos mercados de petróleo. A AIE prevê que os EUA talvez se tornem o maior produtor de petróleo até 2020, superando a Arábia Saudita, embora de forma apenas temporária. A agência também prevê que a China vai se tornar o maior consumidor mundial de petróleo até 2030.
Vários integrantes da Opep, que reúne alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, registraram queda em suas exportações para os EUA nos últimos anos.
Em maio, a AIE previu que a produção na América do Norte crescerá 3,9 milhões barris por dia entre 2012 e 2018. Enquanto isso, a demanda pelo petróleo da Opep deverá cair abaixo de 30 milhões de barris por dia, uma tendência que deve se estender até 2018.
O Oriente Médio, no entanto, "continua no centro da perspectiva de mais longo prazo para o petróleo" como a única fonte da commodity a baixo custo, segundo a AIE.

Petrobras anuncia descoberta de acumulação em águas profundas no RN

17 de dezembro de 2013 | 
Reuters
A Petrobras anunciou nesta terça-feira a primeira descoberta de acumulação de petróleo em águas profundas da Bacia Potiguar, no Estado do Rio Grande do Norte.
A descoberta ocorreu durante a perfuração do poço 1-BRS-A-1205-RNS (1-RNS-158), informalmente conhecido como Pitu, em profundidade de água de 1.731 metros e localizado a cerca de 55 km da costa do Estado.
O poço ainda está sendo perfurado a uma profundidade de 4.197 metros, e a perfuração prosseguirá até 5.028 metros, segundo a Petrobras.
(Por Roberto Samora) 

Novos estaleiros devem gerar 30 mil empregos

13/01/2014 
Novos estaleiros devem gerar 30 mil empregos
Divulgação. Agência Petrobras Divulgação. Agência Petrobras

A indústria naval brasileira deverá gerar 30 mil novos empregos nos próximos dois anos. A projeção é do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).
Atualmente, o setor emprega por volta de 78 mil pessoas nos estaleiros em operação. Mas nos próximos dois anos, quatro estaleiros entrarão em operação: Jurong Aracruz (ES); Enseada (BA); EBR (RS); e CMO (PE), o que aumentará a oferta de mão de obra.
Em entrevista à 'Agência Brasil', o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, disse que o setor prevê para os próximos dez anos “uma demanda firme e continuada por navios e plataformas de petróleo” no país. Segundo ele, o Sinaval aguarda a divulgação do Plano de Negócios da Petrobras 2014-2018 que, em sua opinião, deverá “trazer uma nova perspectiva de encomendas de plataformas em função do leilão do Campo de Libra, feito no ano passado, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“As reservas existentes no Campo de Libra devem provocar uma revisão para cima das previsões de demanda de plataformas, de navios de apoio marítimo e de navios petroleiros”, disse Ariovaldo Rocha.
No entendimento do presidente do Sinaval, a fase atual de expansão da construção naval brasileira decorre da decisão política do governo brasileiro de que as reservas offshore de petróleo descobertas no país deveriam reverter em benefício à sociedade, com a geração de emprego e o desenvolvimento de um novo setor produtivo.
Aliado a isso, houve, segundo o Sinaval, o reconhecimento da Petrobras que a exploração de petróleo em águas cada vez mais profundas criava a demanda por navios de apoio e de plataformas com nova tecnologia.
“Como os estaleiros internacionais estavam com dificuldades para atender novas demandas e a frota de petroleiros da companhia para o transporte de petróleo e derivados era composta por navios com idade acima de 20 anos de uso, houve o entendimento que era necessário renová-la”, ressaltou o presidente do Sinaval.
Apesar dos avanços, Rocha avalia que a construção naval brasileira ainda é “modesta” no cenário mundial. “Estamos construindo cerca de 370 navios, incluindo 14 plataformas de petróleo e 28 navios-sonda. Estão em construção, no Brasil, cerca de 6 milhões de toneladas de porte bruto. No mundo, estão em construção mais de 140 milhões de toneladas de porte bruto, em 4.800 empreendimentos”.
Para ele, o projeto do governo é muito claro: utilizar a capacidade de compra, decorrente dos investimentos na expansão da produção de petróleo e gás, para criar um novo segmento industrial capaz de gerar empregos, formar pessoal e distribuir renda na rede de fornecedores.
“Para isso, [o governo] implantou a regra do conteúdo local, que prevê a substituição competitiva das importações de sistemas e equipamentos, fortalecendo empresas locais e atraindo empresas internacionais para investir no Brasil e construir aqui suas unidades industriais”, disse o presidente do Sinaval.
Qualificação de mão de obra é o desafio
Entre os principais desafios da indústria naval do país está a formação e a qualificação de mão de obra especializada que possibilite o aumento da produtividade e da competitividade dos estaleiros e o desenvolvimento de novas tecnologias e inovação na rede de fornecedores de conteúdo local para o setor. A avaliação é do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).
A crescente demanda do setor por plataformas de prospecção e exploração, por navios de grande porte e de apoio às atividades offshore (em mar), principalmente para atender a Transpetro – o braço logístico da Petrobras -, já levou a um aumento considerável na geração de emprego no setor naval.
Segundo dados do Sinaval, os estaleiros do país empregavam, em 2000, o total de 1.910 pessoas. Desde então, esse número vem crescendo ano a ano e, em 2008, chegou a 40.277 metalúrgicos empregados. Em setembro do ano passado, segundo o último relatório do Sinaval, o número de trabalhadores do setor somou 78 mil pessoas.
Com a construção de quatro novos estaleiros, outros 30 mil empregos deverão ser gerados nos próximos dois anos. Deste total, 39,05% - 32.698 empregados - estavam na Região Sudeste; 30,97% - 24.201 trabalhadores - no Sul; 15,97% - 12.482 metalúrgicos - no Norte; e 11,21% - 8.755 trabalhadores - no Nordeste.
Até setembro de 2013 estavam em andamento, no país, 373 obras envolvendo navios graneleiros, porta-contêineres, petroleiros, navios de produtos derivados, gaseiros, navios de apoio marítimo, comboios fluviais e rebocadores portuários.
Desde 2001, quando os desembolsos do setor somavam R$ 300 milhões, o setor já movimentou investimentos de R$ 22,7 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões foram desembolsados de janeiro a outubro de 2013.
A indústria naval brasileira deverá gerar 30 mil novos
empregos nos próximos dois anos. A projeção é do 
Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação 
Naval e Offshore (Sinaval).
Atualmente, o setor emprega por volta de 78 mil pessoas 
nos estaleiros em operação. Mas nos próximos dois anos, 
quatro estaleiros entrarão em operação: Jurong Aracruz (ES); 
Enseada (BA); EBR (RS); e CMO (PE), o que aumentará a 
oferta de mão de obra.
Em entrevista à 'Agência Brasil', o presidente do Sinaval, 
Ariovaldo Rocha, disse que o setor prevê para os próximos 
dez anos “uma demanda firme e continuada por navios e 
plataformas de petróleo” no país. Segundo ele, o Sinaval 
aguarda a divulgação do Plano de Negócios da Petrobras 
2014-2018 que, em sua opinião, deverá “trazer uma nova 
perspectiva de encomendas de plataformas em função do 
leilão do Campo de Libra, feito no ano passado, pela Agência 
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“As reservas existentes no Campo de Libra devem provocar 
uma revisão para cima das previsões de demanda de plataformas,
de navios de apoio marítimo e de navios petroleiros”, disse Ariovaldo 
Rocha.
No entendimento do presidente do Sinaval, a fase atual 
de expansão da construção naval brasileira decorre da 
decisão política do governo brasileiro de que as reservas
offshore de petróleo descobertas no país deveriam reverter 
em benefício à sociedade, com a geração de emprego 
e o desenvolvimento de um novo setor produtivo.
Aliado a isso, houve, segundo o Sinaval, o reconhecimento
da Petrobras que a exploração de petróleo em águas cada 
vez mais profundas criava a demanda por navios de apoio 
e de plataformas com nova tecnologia.
“Como os estaleiros internacionais estavam com 
dificuldades para atender novas demandas e a frota de 
petroleiros da companhia para o transporte de petróleo 
e derivados era composta por navios com idade acima 
de 20 anos de uso, houve o entendimento que era 
necessário renová-la”, ressaltou o presidente do Sinaval.
Apesar dos avanços, Rocha avalia que a construção naval
brasileira ainda é “modesta” no cenário mundial. 
“Estamos construindo cerca de 370 navios, incluindo 
14 plataformas de petróleo e 28 navios-sonda. Estão em 
construção, no Brasil, cerca de 6 milhões de toneladas 
de porte bruto. No mundo, estão em construção mais de 
140 milhões de toneladas de porte bruto, em 4.800 
empreendimentos”.
Para ele, o projeto do governo é muito claro:
utilizar a capacidade de compra, decorrente 
dos investimentos na expansão da produção de 
petróleo e gás, para criar um novo segmento 
industrial capaz de gerar empregos, formar pessoal
 e distribuir renda na rede de fornecedores.
“Para isso, [o governo] implantou a regra do conteúdo
local, que prevê a substituição competitiva
das importações de sistemas e equipamentos, 
fortalecendo empresas locais e atraindo empresas
internacionais para investir no Brasil e construir
aqui suas unidades industriais”, disse o presidente do Sinaval.

Qualificação de mão de obra é o desafio
Entre os principais desafios da indústria naval
do país está a formação e a qualificação de mão
de obra especializada que possibilite o aumento
da produtividade e da competitividade dos 
estaleiros e o desenvolvimento de novas 
tecnologias e inovação na rede de fornecedores
de conteúdo local para o setor. A avaliação é do 
Sindicato Nacional da Indústria de Construção e 
Reparação Naval e Offshore (Sinaval).
A crescente demanda do setor por plataformas de 
prospecção e exploração, por navios de grande porte
e de apoio às atividades offshore (em mar), principalmente
para atender a Transpetro – o braço logístico da Petrobras -, 
já levou a um aumento considerável na geração 
de emprego no setor naval.
Segundo dados do Sinaval, os estaleiros do país 
empregavam, em 2000, o total de 1.910 pessoas. 
Desde então, esse número vem crescendo ano a ano e, 
em 2008, chegou a 40.277 metalúrgicos empregados. 
Em setembro do ano passado, segundo o último relatório 
do Sinaval, o número de trabalhadores do setor somou 
78 mil pessoas.
Com a construção de quatro novos estaleiros, 
outros 30 mil empregos deverão ser gerados nos 
próximos dois anos. Deste total, 39,05% - 32.698 empregados - 
estavam na Região Sudeste; 30,97% - 24.201 trabalhadores - 
no Sul; 15,97% - 12.482 metalúrgicos - no Norte; e 
11,21% - 8.755 trabalhadores - no Nordeste.
Até setembro de 2013 estavam em andamento, no país, 
373 obras envolvendo navios graneleiros, porta-contêineres, 
petroleiros, navios de produtos derivados, gaseiros, 
navios de apoio marítimo, comboios fluviais e 
rebocadores portuários.
Desde 2001, quando os desembolsos do setor 
somavam R$ 300 milhões, o setor já movimentou 
investimentos de R$ 22,7 bilhões, dos quais 
R$ 2,5 bilhões foram desembolsados de janeiro a outubro de 2013

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Bom dia! depois de um longo recesso voltamos a postar novos artigos a " Turmando Petróleo" esta voltando com força total em 2014,vamos voltar com os nosso circulo de palestras gratuitas em todas as escolas do ensino médio de todo Brasil,voltado para divulgar os cursos,tirar as duvidas sobre o mundo profissional do petróleo,verdades e mitos desse gigantesco universo. Por isso agende sua palestra que estarei presente com o máximo prazer e com isso despertar nos jovens as possíveis chances profissionais no mercado.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Requisitados, mas difíceis de encontrar

21 de outubro de 2013 

Estratégico, que apresente resultados, tenha networking e domínio da atividade a ser desenvolvida. “Esse é o perfil do profissional que a maioria das empresas procuram e têm dificuldades de encontrar”, diz o diretor da empresa de recrutamento e consultoria Page Personnel, Roberto Picino.
Com essas habilidades, existem sete cargos com maior dificuldade de contratação, De acordo com um estudo realizado pela consultoria. São eles: analista sênior/especialista de supply chain, arquiteto de sistemas, executivo de vendas hunter sênior, analista de pricing (mercado de bem de consumo), analista de custos, coordenador de universidade corporativa e especialista de projetos.
Picino conta que a consultoria recoloca em média 300 profissionais por mês e em uma análise do dia a dia do recrutamento perceberam um grau de dificuldade maior para recolocar profissionais nesses postos. “O tempo médio para contratação de um profissional é entre 30 e 40 dias e percebemos que para essas funções a colocação pode demorar até 120 dias”, diz. Ou seja, são profissionais muito procurados, mas com dificuldades de serem encontrados.
A partir dai a Page decidiu fazer um levantamento desses cargos e saber as exigências das empresas. “Conseguimos entender o nível de detalhamento das funções e quais eram as especificidades do mercado para ocupar esses postos”, conta.
Picino esclarece que, para esses cargos, as companhias buscam um profissional já pronto para assumir as funções. “Não querem alguém para treinar, querem que traga resultados imediatos para o negócio, que conheça especificamente um determinado produto, serviço ou área”, diz.
Leônidas. Carreira na área de supply chain (Imagem: Divulgação)
O engenheiro mecânico Paulo Leônidas, de 43 anos, hoje é diretor de supply chain na linha de não alimentos do Grupo Pão de Açúcar. Um dos cargos destacados no levantamento é o de analista sênior, especialista nessa área, função na qual ele já esteve durante sua carreira. E entende bem as exigências da função.
“Comecei como estagiário e vi nascer o conceito de supply chain, integrando as áreas de logística, com suprimentos e compras”, conta. Antes de chegar ao Pão de Açúcar, em 2010, Leônidas passou por empresas como Danone, Vigor, Nestlé e Coca-Cola. “Também fui analista, especialista, coordenador, gerente até chegar a diretor, sempre na área de supply.”
Movimento
Ele reconhece que ter passado por diferentes cargos e ter conhecido as áreas de compras, suprimentos, planejamento foi importante para o sucesso na carreira.
“Para trabalhar nessa área é preciso ser estratégico e saber atuar em diversos papéis com várias áreas, pois o supply está na espinha dorsal das operações da companhia, coordenando pedidos e entregas. Também precisa ser criativo e corajoso para arriscar e, muitas vezes, antecipar comportamentos do mercado”, diz.
Para melhorar sua atuação e se desenvolver, ele fez cursos de pós-graduação em administração industrial e de gestão de pessoas. “Há 20 anos não havia a preocupação de gerenciar pessoas, era um trabalho mais técnico. Hoje, é preciso pensar na qualidade de vida, produtividade e retenção de funcionários. É o diferencial da função.”
Como diretor, tem cerca de mil pessoas de diferentes níveis sob seu comando. “Para crescer na carreira é preciso subir degrau por degrau. Nenhum profissional nasce diretor, o resultado é o esforço de uma vida inteira”, diz.
Inovar e criar metodologias
Outra função destacada na pesquisa é de coordenador de universidade corporativa. Um cargo ligado ao RH das empresas, que precisa de um profissional detentor de conhecimento desse setor.
Heloisa Granja, de 28 anos, entrou na Whirlpool em 2011 como trainee. Teve como incumbência tocar o projeto da universidade corporativa da companhia. “Quando recebi o plano, a primeira coisa que pensei é que era uma loucura, uma ousadia. Mas fiquei feliz porque a empresa me confiou a proposta. Então fui investigar o mercado, entender a proposta de uma universidade corporativa e como se dava seu funcionamento.”
Heloisa. De trainee a coordenadora da UC da Whirlpool (Imagem: Divulgação)
A UC Whirlpool foi lançada em março deste ano. Hoje, ela é analista sênior de recursos humanos Latin America e coordena a universidade. Para a função, a jovem destaca a necessidade ter visão estratégica.
“Preciso enxergar o presente e o futuro e ter um pensamento inovador para entender os temas e as necessidades da companhia, a fim de criar metodologias e colocá-las em prática”, afirma Heloisa.
Coordenador de universidade corporativa deve ir além do RH
Glaucimar Peticov, de 50 anos, é diretora de RH do Bradesco e coordenadora da universidade corporativa (Unibrad). No banco desde 2003, ela foi responsável pela área de treinamento e com o plano para criar a unjiversidade corporativa, ela assumiu o projeto.
Ela é formada em psicologia, tem especialização, MBA e pós-graduação em negócios e recursos humanos em universidades nacionais e internacionais. “Minha bagagem profissional em RH e conhecimento na área de negócios me deu experiência para coordenar a universidade corporativa”, diz.
A diretora de RH passou um ano e quatro meses na formulação do projeto, que foi formatado pela especialista em educação corporativa e coordenadora do curso na Fundação Instituto de Educação (FIA), Marisa Eboli.
Segundo Marisa, 90% de um projeto de universidade corporativa começa pela área de RH. “Normalmente a área quer rever seu centro de treinamento e transformá-lo em uma universidade corporativa, um processo que não é só mudar o nome, não é somente um rótulo. Significa realmente rever todo seu centro de treinamento e estruturá-lo a partir do sistema de competências da empresa”, diz.
Glaucimar mostra-se bastante orgulhosa do trabalho desenvolvido na Unibrad. <IP9,0,0>“Eu tenho característica empreendedora, de assumir desafios. Eu acredito também na capacidade de saber ouvir e entender as demandas do mercado e do time.”
                  Glaucimar. Diretora de RH e coordenadora da Unibrad (Imagem: Divulgação)
Ela também acredita que para atuar na área de recursos humanos e educação corporativa é preciso sair do mundo de RH e ter uma visão mais ampla do mundo dos negócios.
Outra competência destacada por ela – que declara ser apaixonada pelo trabalho realizado – é a versatilidade e o serviço. “Para alcançar os objetivos é preciso servir, este é o verbo.”

Maldição do petróleo ameaça venezuelanos

08 de outubro de 2013  -CENÁRIO: Christian Science Monitor
A dispersão dos recursos provenientes do petróleo deixou a economia da Venezuela em frangalhos, embora seus líderes coloquem nos EUA a culpa pela situação de sua economia. Outros países com grandes reservas aprenderam a se esquivar da "maldição do petróleo" e Caracas poderia seguir na mesma direção.
Entre os poucos países abençoados com grandes quantidades de petróleo em seu território, a Venezuela é um exemplo lamentável do que não se deve fazer com uma abundante riqueza natural. Produtos de primeira necessidade são escassos, a inflação explode e os apagões são comuns. Filas de pessoas em busca de vistos para sair do país são longas.
Em vez de mudar e investir os seus petrodólares para um período de escassez de óleo, o presidente Nicolás Maduro recorreu a uma velha artimanha usada por Hugo Chávez, seu predecessor. Inventou um inimigo do Estado para desviar a atenção da sociedade da corrução e da má condução do governo. Expulsou três diplomatas americanos, acusando-os de complô para sabotar a economia.
O mau uso das benesses temporárias provenientes do petróleo e outros minérios é similar ao fenômeno comum dos ganhadores de loterias que logo acabam falindo. Nações como Noruega, Botswana, Chile e Canadá adotaram alguns princípios básicos para ampliar os ganhos obtidos com a exploração dos seus recursos naturais.
Em primeiro lugar, são transparentes quanto ao destino do dinheiro, o que exige um certo compromisso com a democracia. Em segundo lugar, a riqueza é distribuída de modo equitativo, especialmente para as futuras gerações, e não é canalizada secretamente para uma elite bem relacionada. E, em terceiro, procuram duplicar a riqueza investindo os recursos em educação, novos empreendimentos e infraestrutura.
À medida que mais países exploram novos depósitos de gás e petróleo, especialmente em formações betuminosas, eles começam a aprender qual a melhor maneira de reciclar os ganhos obtidos. A orientação, com frequência, parte de grupos privados e de organizações globais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Muitos países com recursos naturais de grandes proporções, especialmente no Oriente Médio, não são democráticos. Os economistas discutem se é a riqueza de recursos ou a história de cada uma deles que explica isso. A riqueza não teria um efeito corrosivo se mais países adotassem práticas básicas, como abertura, uma poupança prudente e liberdade política.
A Venezuela não precisaria transformar os EUA num espantalho se começasse a entender que a maldição do petróleo é algo que um país cria sozinho.
/ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTIN
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'Explorar petróleo no Ártico é criminoso'

Para diretor-executivo do Greenpeace, prisão dos ativistas não desativará os protestos

20 de outubro de 2013-LAURA GREENHALGH - O Estado de S.Paulo
Quando o Skype conecta o entrevistado, nas primeiras horas do dia em Amsterdã, na Holanda, ele pede desculpas pela aparência. Tem dormido pouco e trabalhado além do limite físico. Há um mês não faz outra coisa senão lidar com a prisão de 28 ativistas do Greenpeace em uma cadeia de Murmansk. O sul-africano Kumi Naidoo, de 48 anos, número 1 da organização ambiental, anda preocupado com a situação dos colegas. Vê intransigência em autoridades russas, ainda que líderes como o presidente Vladimir Putin e o primeiro-ministro Dmitri Medvedev rejeitem a acusação de pirataria imputada ao grupo. "É absurdo. Nós nos preparamos para enfrentar as consequências dos atos, mas que haja proporcionalidade entre o que fazemos e do que nos acusam", diz em entrevista exclusiva ao Estado.
Em nenhum momento Naidoo nomeia os presos - entre eles, a bióloga brasileira Anna Paula Maciel. Fala de todos coletivamente e defende a "desobediência civil pacífica" como arma da organização. Tornou-se fonte de inspiração para milhares de ativistas do Greenpeace, cuja capilaridade pelo mundo constitui fenômeno à parte no ambientalismo. Este líder modelo tem disposição para o ataque, mas sabe fazer ativismo de salão, tendo sido ouvido na ONU e no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Kumi Naidoo debutou na militância contra o apartheid em seu país. Com Mandela livre e no poder, ajudou a montar a ala jovem do Congresso Nacional Sul-africano. Depois, foi se especializando em protestos de massa contra a pobreza da era da globalização. Em 2009, quando participava de uma greve de fome pelo Zimbábue, foi procurado pela direção do Greenpeace, que o convidava a entrar num processo de seleção para o seu mais alto posto. Aceitou o desafio a pedido da filha. "Ela me animou, seria a chance de atuar numa organização que não fica falando, falando...aqui se faz". No ano passado, Naidoo fez barulho no Ártico. Subiu no bote para protestar contra a exploração de petróleo numa região que classifica como "santuário global". Há um mês não estava lá para ser preso. Mas avisa que não vai desistir dessa guerra.
Qual é a situação dos presos? 
É séria. No início, foram mandados para lugares distintos, depois reunidos numa só prisão. Enfrentaram condições muito duras em termos de comida, água, cobertores. Agora estão autorizados a receber cartas da família, há momentos em que se encontram fora das celas, mas, na maior parte do tempo, permanecem solitariamente confinados. Por horas e horas, ao longo de todos esses dias.
E o que o Greenpeace vem fazendo?Recorremos das acusações e pedimos a libertação imediata do grupo. Contudo, na terça-feira, esses recursos foram julgados e negados, o que me preocupou. Há fatos novos. O governo holandês entrou com uma representação questionando a legalidade de prisões em águas internacionais, tomando como base a Convenção do Mar do Norte. Isso vai ser apreciado na próxima segunda, numa corte de arbitragem em Hamburgo. Tecnicamente, eu deveria esperar uma solução positiva. Mas tenho dúvidas. Essa situação ainda pode levar um par de semanas ou um par de meses. Difícil prever o desfecho.
As autoridades russas jogam duro?Sim e não. O Conselho de Direitos Humanos, órgão do governo russo, vem contestando o processo e vai pedir que os ativistas sejam alvo de acusações adequadas. Pode-se até discutir uma acusação de tentativa de invasão da propriedade alheia, mas não de pirataria. Veja bem, nós não pretendemos estar acima da lei. Mas não queremos estar fora dela tampouco. Acreditamos no poder da desobediência civil pacífica, inspirados em momentos da História em que essa tática foi utilizada - na luta contra o colonialismo, a escravidão, o apartheid. A desobediência civil pacífica é uma arma legítima, usada por mulheres e homens quando dizem "agora, basta, isso não dá mais". Gandhi, Luther King ou Mandela, cujas lutas hoje incorporamos e celebramos, fizeram uso dela. E nos ensinaram: quando existem leis injustas ou injustiças protegidas por leis, é preciso reagir.
Seria este o motor da campanha "Save de Arctic", do Greenpeace? A exploração de petróleo no Ártico não é só injusta, mas criminosa. Então desafiamos leis e acordos que justifiquem essa atividade. Temos a responsabilidade moral de fazer isso. Agora, somos uma organização consciente dos riscos que corre e nos preparamos para arcar com as consequências. Não vamos fugir do julgamento, só exigimos julgamento justo. Como disse o sr. Medvedev, falando pelo Conselho de Direitos Humanos, acusar o Greenpeace de pirataria e de formação de gangue, com intuito de sabotar plataforma de petróleo, é absurdo. Até o presidente Putin não vê sentido nisso. Espero que o bom senso prevaleça. E que sejamos acusados na proporção do que fizemos.
Como calcular essa proporção?Fizemos uma ação visando a chamar a atenção do mundo para o seguinte problema: vazamento de óleo no Ártico é dano irrecuperável. Subimos em botes de borracha, num grupo de não mais de dez pessoas, para pacificamente hastear faixas e cartazes lembrando que uma catástrofe ali é iminente, há risco real. Mas os executivos da (companhia russa depetróleo) Gazprom preferiram inverter as coisas e nos acusar de colocar em risco a plataforma. Em nenhum momento quisemos protestar na plataforma, não é do nosso interesse. Queremos ficar do lado de fora. Então, colocamos o quê em risco? Ora, risco é o que estão fazendo por lá. Convido os seus leitores a pensar no que representa para todo o planeta uma atividade que provoca a formação de milhares de imensas placas de gelo, que se deslocam num lugar de remoto acesso, onde as condições para operar uma plataforma são as mais precárias que se possa imaginar. Isso é risco.
Você já fez protestos na região?
Sim. No ano passado fiquei naquelas águas por sete dias. Equipes de segurança da plataforma passaram o tempo todo provocando a guarda costeira russa, dizendo que os guardas deveriam nos prender. Mas eles viram que estávamos protestando pacificamente, não ameaçávamos nada. Ficaram nos observando três, quatro dias. Quando decidimos sair da área, daí eles nos perguntaram: e agora, para onde vão? Dissemos que iríamos à Noruega, depois ao Polo Norte, mas o fato é que não costumamos antecipar nossas ações. Não sei como explicar por que o relacionamento com as autoridades costeiras russas mudou tão drasticamente nos últimos 12 meses.
Qual é a influência das companhias de petróleo no jogo com as autoridades?Seja na Rússia, no Canadá ou nos Estados Unidos, sempre nos deparamos com o poder excessivo das gigantes do óleo, gás e carvão. São poucas companhias ao todo, mas capturam e manobram governos segundo seus interesses. Costumo dizer que os EUA são a melhor democracia que o dinheiro pode comprar. Lobbies empresariais atuam junto ao meio político americano. E, dentre eles, os mais ferozes hoje são os das empresas poluidoras. Mobilizam equipes financeiras num corpo a corpo com cada representante do Congresso, para garantir que as leis da energia fóssil tramitem sem obstáculos. Na Rússia, a situação é diferente. A Gazprom foi uma estatal, não está bem claro onde terminam os interesses do governo, onde começam os da iniciativa privada.
Diz-se que as companhias russas são mais atrasadas do ponto de vista tecnológico.Sim, o que só aumenta o risco de catástrofe ambiental. A Gazprom está drenando on shore neste momento. Ou seja, faz uma extração mais simples do que a offshore. E já ocorrem vazamentos pelo uso de 40 bombas obsoletas. Ou seja, usam equipamento velho, adotam práticas ruins, numa plataforma que não passa de um amontoado de peças de plataformas desativadas no Mar do Norte. Peças até cobertas de ferrugem!
Qual é o risco ambiental maior?
Num lugar daqueles, em que seis meses do ano, ou até mais, o oceano permanece congelado, a extração de óleo acaba ocorrendo de maneira intensiva no verão. E é feita com equipamentos velhos, vazamentos frequentes, derretimento de placas que não deveriam derreter. Daí, quando chega o inverno, toda essa bagunça é novamente congelada por um longo período. Assim, não há renovação da natureza, só destruição.
O que dizem os cientistas disso?
Há pesquisas em duas frentes: sobre o Ártico em si e sobre o Ártico no contexto da mudança climática. O Painel Intergovernamental de Mudança Climática da ONU (IPCC, na sigla em inglês) há duas semanas tornou público um relatório que reforça a visão do Greenpeace. A conclusão é a seguinte: há consenso científico de que 75% das reservas conhecidas de carvão, óleo e gás no planeta precisam ficar exatamente onde estão, se quisermos evitar uma catástrofe climática de escala planetária. Mas o IPCC é composto por governos, portanto, é um corpo conservador que acabará propondo medidas restritas, mesmo diante de evidências da ciência. Há até cientistas russos apoiando nossa posição no Ártico, ou seja, de que é preciso declarar a região santuário global, protegendo-a como se faz com a Antártida.
Existem consensos, mas não unanimidade entre os cientistas.
Existem cientistas trabalhando para companhias poluidoras, o que os torna ambíguos em relação aos riscos. Assim como existem cientistas independentes, insistindo que os danos serão irreversíveis. Que não vai dar para limpar o estrago. Também existe um consenso da ordem de 98% dos estudos feitos, reiterando que a mudança climática é real, vem se acelerando e ameaça a vida no planeta. Vamos continuar colocando isso em dúvida? O planeta em si não é o problema, porque ele vai mudar com o clima. Muda o solo, mudam os oceanos, mudam as estações. A dúvida é sobre a capacidade humana de coexistir com esse planeta em mutação, por séculos e séculos à nossa frente.
O Brasil tem um programa ambicioso de exploração de petróleo. Ele está no alvo do Greenpeace?
Como já disse, nunca antecipamos nossas ações. O que posso dizer é que atuamos em escala global, para desencorajar governos de investir em energia fóssil e poluidora. O Brasil tem a oportunidade histórica de se converter num líder global no setor da energia renovável. Não tenho dúvida de que já estamos passando de uma economia suja, marrom e fóssil, para uma economia limpa, verde e renovável. Basta ver como os investimentos nesse setor vêm crescendo.
O que forçará a mudança: os imperativos econômicos ou a consciência ambiental fortalecida?
Para muita gente no planeta, já é tarde para reagir... Segundo a Fundação Kofi Annan, 500 mil mortes anuais são causadas por alterações do clima. Em Darfur, a perda da terra levou à falta de comida que, combinadas, levaram ao genocídio. É isso o que se quer? Não há lugar para otimismo e não temos muito tempo para repensar nosso sistema energético, reduzir as emissões de carbono e gerar milhões de empregos numa economia sustentável, que leve em conta a vida das pessoas. É completamente injusto que comunidades pobres sejam hoje as mais penalizadas pelas emissões de carbono dos países ricos. Elas pagam um preço mais alto por isso, mas somos todos afetados
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domingo, 6 de outubro de 2013