TURMA DO PETRÓLEO

TURMA DO PETRÓLEO

sábado, 27 de abril de 2013


A Lei do Petróleo levará o Brasil à prosperidade ou à derrocada?

'A criação da empresa estatal Petro-Sal, responsável por gerir os contratos de partilha, já significou mudança nas regras do jogo'
Colunista Paulo Wrobel - 
Após a adoção da Lei do Petróleo em 1997, a produção do Brasil mais do que triplicou, enquanto a Petrobras passou a ser uma das maiores e a mais tecnologicamente sofisticada do mundo. Com a expansão da cadeia produtiva do setor de petróleo e gás natural no país, inúmeras empresas, pequenas, médias e grandes, nacionais e estrangeiras, entraram no setor, gerando empregos, renda, impostos, tecnologia e muitos outros benefícios econômico-sociais.
Em suma, de todos os ângulos que se possa olhar, o sucesso da flexibilização advinda da Lei do Petróleo demonstrou acerto. A regulação do setor, via Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), tornou-se um marco, apesar de certa politização em suas posteriores nomeações. Os leilões periódicos de novos campos atraíram novos parceiros para o setor, enquanto o sistema de concessão, adotado pela lei, garantiu receitas expressivas aos municípios, estados e governo federal, através de bônus de assinatura, royalties e participação especial.
A euforia nacionalista, que tomou conta dos dirigentes, e a ambição desmesurada de tornar o petróleo e o gás natural recursos que iriam catapultar o Brasil ao ranking de país desenvolvido acabaram por turvar o julgamento daqueles encarregados em decidir os rumos da exploração, que, ao que tudo indica, seja de reservas substanciais.
Em primeiro lugar, é sempre bom lembrar que os recursos naturais só se transformam em riqueza quando são extraídos do solo ou mar, criando emprego e renda. Até então, os recursos são apenas ambição e promessa. No caso do pré-sal, dada a complexidade que envolve a extração do petróleo e gás natural, a sofisticação tecnológica demandada altíssimos investimentos e um tempo bem longo de maturação destes investimentos. E, claro, há riscos associados à extração em local isolado, longe da costa e sem nenhuma infraestrutura disponível.
Em segundo lugar, baseado na experiência holandesa da descoberta de um grande campo de gás natural em 1959, cunhou-se a expressão “Dutch disease”, para definir o quanto a súbita exploração de recursos naturais abundantes pode trazer transtornos à economia, como, entre outros problemas, a excessiva valorização cambial e perda de competitividade do setor industrial. De lá para cá, muitos estudos têm apontado que países que se especializaram em intensa exploração de recursos naturais abundantes, principalmente em um produto como o petróleo, acabaram por desperdiçar os recursos e não atingir níveis melhores de prosperidade.
O Brasil possui economia bem mais complexa e, embora tenha se valido nos últimos anos de excessiva dependência das exportações de commodities agrícolas, não correria o risco de depender apenas de recursos naturais – sua economia é muito diversificada para isso. Mas corre o risco de excessiva dependência de uma empresa – a Petrobras – para desenvolver os campos do pré-sal. Com efeito, o regime de partilha adotado em dezembro de 2010, através da Lei no 12.351, em substituição ao regime de concessão, atribui encargos a Petrobras, além dos que já possui como empresa do “upstream” ao “downstream”, que podem dificultar seu plano de investimento e descapitalizá-la.
Segundo a legislação do regime de partilha, caberia à empresa, como operadora única (liderando os consórcios e administrando as reservas), ter participação de ao menos 30% em todos os novos campos do pré-sal. A criação da empresa estatal Petro-Sal, responsável por gerir os contratos de partilha, já significou mudança nas regras do jogo, muito embora ela só venha a ser operacional  quando os campos passarem a gerar renda. Os defensores do regime de partilha argumentam que neste regime o Estado arrecadaria mais e que, por ser “dono” dos recursos, poderia fazer com eles o que bem entendesse. Pelo regime de partilha foi criado ainda o Fundo Social, responsável por administrar os recursos advindos das receitas recebidas pelo governo na exploração dos campos do pré-sal. O Ministro da Educação já anunciou que 50% dessas receitas serão direcionadas a sua pasta.
Se olharmos um mapa de produção de petróleo no mundo, veremos que a grande maioria dos países que adotaram o regime de partilha são países menos prósperos, a maioria na África e Ásia, enquanto os países mais prósperos adotam o regime de concessão. Talvez aqueles países estejam querendo associar posse dos recursos naturais com prosperidade, risco que, nos últimos anos, tem demonstrado ser uma falácia.
O autor
Paulo Wrobel é economista, com mestrado em Ciência Política e doutorado em Relações Internacionais. Trabalha como pesquisador, analista e consultor, tendo se especializado em energia e geopolítica. Atualmente, é professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio.

A polêmica sobre o gás de xisto na Europa

'No fundo, o gás de xisto é uma autêntica revolução, mas ainda mais um sintoma da necessidade de extrair todas as gotas de combustíveis fósseis que o mundo moderno ainda carrega'
Colunista Paulo Wrobel - 
Especialistas sabiam há muito tempo que haveria grandes quantidades embutidas de gás metano a serem exploradas nas camadas rochosas xistosas. O que estaria faltando para desenvolver o setor seriam o aperfeiçoamento e a sofisticação da tecnologia e o estímulo comercial fornecido pela sinalização dos preços. Os Estados Unidos abraçaram com gosto a exploração das jazidas rochosas, fazendo com que o preço do gás de xisto no mercado doméstico americano alcançasse US$ 5 por mil pés cúbicos, menos de um terço do preço do mercado spot internacional. Dado estes números, a tendência seria que a exploração das rochas se tornasse, com o tempo, uma atividade global. Isso vem sendo feito aos poucos, mas nem todas as regiões e países exibem o mesmo entusiasmo.  
Nos Estados Unidos, o baixo preço do gás de xisto tem levado muitas empresas a reconsiderar seus planos de investimento em novas perfurações, uma vez que a lucratividade não compensaria. Discute-se se a saída para elevar os preços seria a exportação do produto, reduzindo a oferta para o mercado doméstico. De outro lado, os que são contra as exportações levantam o argumento da segurança energética. Até agora, apenas uma licença de exportação foi concedida. De fato, a regulação do setor nos Estados Unidos compete aos governos estaduais, e, até hoje, apenas dois estados, Nova York e Vermont, não permitem a exploração do gás de xisto no limite de seus territórios.
A China possuiria as maiores reservas conhecidas de gás de xisto, a seguir viriam os Estados Unidos, Austrália, Argentina, África do Sul e partes da Europa. Na Europa, no entanto, muitos países ainda se mostram reticentes quanto a explorar o produto. França e Bulgária anunciaram que renunciam ao direito de produzi-lo, por questões ambientais ou de política industrial, enquanto outros países avaliam a possibilidade da extração. Dado que o gás natural é mais barato que o petróleo na criação de diversos produtos derivados dos combustíveis fósseis, as grandes empresas europeias do setor petroquímico estariam pressionando os políticos europeus a aceitar a exploração das jazidas de xisto, uma vez que os concorrentes americanos estariam obtendo vantagens na oferta abundante e barata do gás de xisto.
A questão da exportação americana de gás de xisto não é tão simples como parece. O gás, diferente do petróleo, não é exportado em um mercado global, mas, sim, regionalmente. Na Europa, o gás natural americano deve competir com o gás de gasodutos transportado da Rússia e Noruega, e o GNL importado de países como o Qatar. A Rússia, por sua parte, não anda muito satisfeita com a potencial competição americana e, quem sabe, europeia na oferta de gás natural para o atraente mercado europeu, e tudo indica que ela deverá usar seu peso político e capacidade de produção de gás natural convencional para se manter como fornecedor da região.
Na Europa, mais do que nos Estados Unidos, as questões regulatórias, especialmente as ambientais, são grave empecilho para o desenvolvimento do setor. O gás de xisto implica não apenas na emissão de gases na atmosfera (o metano é 20 vezes mais poluente que o CO2), mas inclui outros fatores, como riscos sísmicos antropogênicos, consumo excessivo e contaminação da água. Ademais, como em toda atividade de mineração, a exploração do gás de xisto incorre em profundas alterações na paisagem.
O gás de xisto europeu teria que competir com o gás convencional abundante e barato dos atuais fornecedores - Rússia, Noruega, Argélia e Holanda -, mas reservas notáveis deste gás foram descobertas na Polônia, França e Noruega. Na Polônia, o país europeu que vem desenvolvendo mais seriamente a exploração das reservas de gás de xisto, o gás natural representa, hoje, apenas 15% da matriz energética. Além disso, a Polônia não possui experiência no setor de petróleo e gás, sem a infraestrutura necessária para a exploração. No fundo, o gás de xisto é uma autêntica revolução, mas ainda mais um sintoma da necessidade de extrair todas as gotas de combustíveis fósseis que o mundo moderno ainda carrega.
O autor
Paulo Wrobel é economista, com mestrado em Ciência Política e doutorado em Relações Internacionais. Trabalha como pesquisador, analista e consultor, tendo se especializado em energia e geopolítica. Atualmente, é professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio.

Com 29 projetos em 5 estaleiros diferentes, a Sete Brasil é pioneira em sondas para o pré-sal

Presidente da Sete Brasil avalia que país vive um boom no setor de construção naval
NNpetro - Júlia Moura - 
Precursores das sondas que irão explorar as camadas ultraprofundas do pré-sal, a Sete Brasil está hoje com 29 projetos em andamento em 5 estaleiros do país. O impacto da grande encomenda impulsiona o desenvolvimento técnico e econômico da indústria, além de gerar cerca de 110 mil postos de trabalho até 2020.
“Sabemos de nossa enorme responsabilidade para que todas as sondas sejam construídas e entregues dentro dos prazos e custos previstos, atendendo aos requisitos de qualidade e de conteúdo brasileiro, em bens e serviços exigidos pela Petrobras”, disse o presidente da Sete Brasil, João Ferraz, em entrevista ao NNpetro.
Ferraz não acredita em atrasos nos projetos, já que os prazos estabelecidos para os estaleiros brasileiros possuem uma margem de risco, baseada no desempenho dos estaleiros estrangeiros. “Por exemplo, enquanto estaleiros sul-coreanos necessitam de 24 meses para construir uma sonda do mesmo tipo que a encomendada pela Sete Brasil, junto aos estaleiros brasileiros, estes terão 48 meses de prazo total para construção dessas sondas”, explica.

1X) NNpetro – Quais são os riscos que a Sete Brasil está superando já que a construção de sondas brasileiras de perfuração do pré-sal é uma atividade pioneira no país? A quantidade de sondas é um desafio, além do investimento alto?
João Ferraz - A Sete Brasil nasceu a partir da percepção de que havia uma enorme necessidade de viabilizar o desenvolvimento da indústria naval brasileira. Todos os seus processos, procedimentos, mecanismos de mitigação de riscos e até seus acionistas e investidores têm em comum o viés de desenvolvimento de novos nichos no mercado de óleo e gás no país, para atendimento da enorme demanda que já está sendo gerada no desenvolvimento do pré-sal brasileiro. Sem dúvida que o pioneirismo dessa construção se reveste como um dos maiores riscos e desafios a serem enfrentados. Sabedores disso, e conhecedores dos exemplos bem sucedidos de indústrias semelhantes em outros países, a estratégia da Sete Brasil foi a criação de um modelo de negócios complexo que pudesse mitigar adequadamente os principais riscos. Um desses elementos é a geração de uma escala econômica que permita aos estaleiros, ao mesmo tempo, gerar uma rápida curva de aprendizado através da repetição da construção de sondas idênticas, atrair parceiros tecnológicos como sócios dos estaleiros que trouxessem processos fabris modernos e eficazes e maximizar a economicidade do empreendimento através do aumento de produtividade e redução de custos de construção.
Essa escala econômica só é possível de ser obtida através de uma grande quantidade de sondas a ser construída por um mesmo estaleiro. Ou seja, a grande quantidade de sondas que terá que ser construída no país acaba sendo um dos meios mais eficazes para viabilização técnica e econômica do próprio empreendimento. A partir do sucesso alcançado pelas sondas de última geração, que serão construídas pela primeira vez no Brasil, e que têm seus preços totalmente alinhados aos preços internacionais para os mesmos tipos de equipamentos, poderemos replicar o modelo para outros negócios que tenham perfis semelhantes. Apesar desse sucesso, sabemos de nossa enorme responsabilidade para que todas as sondas sejam construídas e entregues dentro dos prazos e custos previstos, atendendo aos requisitos de qualidade e de conteúdo brasileiro, em bens e serviços exigidos pela Petrobras.
2X) Quando serão entregues as primeiras e as últimas sondas? Com quanto de conteúdo local serão produzidas? Quais estaleiros irão construir as sondas e quantas? Os estaleiros brasileiros estão renascendo com a demanda do pré-sal?
A primeira sonda está prevista para ser entregue em meados de 2015 e a última no início de 2020. Os equipamentos terão um conteúdo local médio de 62%, variando entre 55% e 65%.
São 29 sondas produzidas entre cinco estaleiros: Estaleiro Atlântico Sul (Suape - PE) entregará 7 navios-sonda; Estaleiro Jurong Aracruz (Aracruz - ES), 7 navios-sondas; Estaleiro Brasfels (Angra dos Reis - RJ), 6 sondas semissubmerssíveis; Estaleiro Enseada do Paraguaçú (Paraguaçú - BA), 6 navios-sondas; Estaleiro Rio Grande (Rio Grande - RS), 3 sondas. Como cada estaleiro já garante capacidade plena de construção por um período que varia entre 8 a 10 anos contínuos, sem dúvida que as encomendas colocadas pela Sete Brasil ajudam diretamente a sua viabilização técnica e econômica. O país está vivenciando um boom no setor e boa parte das encomendas, que viabilizam esse crescimento, vem da construção das sondas para operação no pré-sal.
3X) Há uma preocupação dos estaleiros do Brasil não conseguirem cumprir com os prazos?
Quanto à possibilidade de atrasos, a Sete Brasil entende que todo o projeto idealizado pela Petrobras, para implantação do programa de construção de sondas no país, prevê uma série de mitigadores para esse risco, inclusive com um prazo para construção bem mais dilatado que o necessário por estaleiros internacionais mais experientes neste tipo de atividade. Por exemplo, enquanto estaleiros sul-coreanos necessitam de 24 meses para construir uma sonda do mesmo tipo que a encomendada pela Sete Brasil, junto aos estaleiros brasileiros, estes terão 48 meses de prazo total para construção dessas sondas.
4X) Quanto de apoio do BNDES a Sete Brasil terá para a construção das sondas do pré-sal?
O BNDES tem sido um parceiro fenomenal nesse empreendimento. Como principal banco de fomento do país, o BNDES percebeu que o projeto das sondas é estruturante e permitiria o desenvolvimento, modernização e consolidação da indústria de construção naval brasileira. A participação do BNDES nesse empreendimento é fundamental sob vários aspectos, tanto na construção das sondas quanto na construção e modernização dos estaleiros. Na área de financiamento das sondas, considerando que a política do banco é de financiar 80% do conteúdo local brasileiro e que o conteúdo local médio será de 62%, a participação do BNDES será de quase 50% de todo o investimento (Capex). Considerando que o complemento desse montante virá de capital próprio (25%) e de outras fontes de financiamento (25%), sem dúvida que o BNDES acaba sendo o grande vetor de viabilidade financeira do projeto.
5X) Qual é a geração de emprego esperada? Tem algum programa de desenvolvimento de mão de obra?
Deverão ser gerados mais de 110.000 empregos diretos e indiretos, de forma permanente e que serão mantidos, pelo menos, até 2020. A Sete Brasil, junto com seus parceiros operadores de suas sondas e outras organizações do setor, como o PROMINP, está concluindo um programa que pretende educar e treinar todos os profissionais que irão tripular as sondas em construção. Serão mais de 6.000 postos de trabalho diretos envolvendo diferentes categorias profissionais, e que estarão habilitadas para operar e manter as sondas já em 2015. Além dos treinamentos que são desenvolvidos pelos próprios estaleiros, para adequar e qualificar a sua própria mão de obra, a Sete Brasil, em parceria com a ONG Rede Cidadã, vem implantando o Projeto Conexão, cujo objetivo é promover o crescimento ordenado e sustentável da economia das pequenas cidades no entorno dos estaleiros e que serão impulsionadas pela construção de equipamentos para o pré-sal. Esse programa não se destina a gerar mão de obra para os estaleiros, mas sim melhorar a qualificação de mão de obra e prestar assessoria a pequenos empreendimentos necessários ao desenvolvimento sustentável das regiões afetadas pelos estaleiros, em diversos setores da economia

sexta-feira, 19 de abril de 2013


Especialista fala do programa de especialização da Repsol

Daniele Lemos destaca a criatividade e inovação como elementos valiosos
Redação NNpetro -
A expansão da indústria de óleo e gás no Brasil tem levado muitas empresas a investirem cada vez mais em programas de qualificações, uma vez que conseguem especializar o profissional da maneira desejada e proporcionam, com menor custo, melhora significativa na qualidade dos serviços prestados.
Segundo a gerente de gestão de pessoas da Repsol Sinopec Brasil, Daniele Lemos, é importante investir nos jovens profissionais do Brasil, pois o país está em crescimento e precisa de profissionais qualificados.
“Formar o profissional desde o início de sua carreira possibilita um melhor desenvolvimento, tanto para o profissional como para a empresa”, destacou a gerente ao NNpetro.
De acordo com Lemos, valorizar a criatividade e inovação são elementos valiosos em um segmento técnico que utiliza tecnologias de ponta, assim como é fundamental ter boa capacidade de adaptação e espírito de equipe.
Especialização
A Repsol Sinopec, petrolífera espanhola, está com vagas abertas para o programa "Novos Profissionais", que seleciona jovens recém-formados em Engenharia, Geologia e Geofísica para ingressarem na empresa após um período de especialização na Espanha.
Os candidatos selecionados para o programa são enviados, com todas as despesas pagas, para um curso ministrado fundamentalmente em Madri, com alguns módulos em parceria com a Heriot-Watt University, em Edimburgo. Ao longo de 10 meses, os jovens têm aulas com professores de conceituadas universidades internacionais e renomados profissionais da indústria petrolífera. Terminado o curso, o profissional retorna à Repsol Sinopec, onde terá a oportunidade de aplicar e desenvolver os conhecimentos adquiridos.
“Após dez meses obtendo conhecimentos teóricos no Centro de Formação, o trainee é alocado em uma área onde ele possa aplicar os conhecimentos adquiridos e se desenvolver como profissional seja trabalhando em campo ou no escritório”, explicou a gerente de gestão de pessoas da empresa.
Daniela explica que o Centro de Formação em Madri já possui toda a infraestrutura necessária para a formação dos traines, mas que a experiência no exterior também é fundamental para quem quer trabalhar no setor. "Também consideramos importante essa experiência multicultural que eles obtém convivendo por dez meses com pessoas de diversos países, com línguas, culturas e realidades profissionais diversificadas", ressalta.
O programa existe há 14 anos e já formou mais de 600 profissionais para o setor de energia. Desde 2007, 20 brasileiros já se formaram. Este ano, serão selecionados mais seis jovens.

É inimaginável viver sem petróleo?

Para bióloga, energia nuclear é uma boa alternativa ao petróleo
Colaboradora Rachel Ann Hauser Davis - 
Viver sem o petróleo. Inimaginável? Difícil, sim, mas não impossível. Basta a sociedade finalmente perceber que o petróleo é um bem finito, e que mais tem feito mal do que bem. É claro que o seu uso há décadas vem impulsionando o desenvolvimento de diversas tecnologias. Sem o petróleo, com certeza a vida teria sido mais difícil e o desenvolvimento social que vimos ao longo dos anos seria bem diferente. Porém, para esta autora, o petróleo atualmente faz mais mal do que bem. Derramamentos, metais pesados, hidrocarbonetos, contaminação, toxicidade, mutagênico, morte de animais e de plantas por sufocamento, câncer de diversos tipos... A lista dos males que este combustível fóssil acarreta poderia continuar por páginas.
Opções, como já comentei em outros textos, existem e precisam apenas de investimentos. Então a desculpa de que “é impossível” realizar essa mudança não procede. Alguns países já têm se dado conta disto. A Suécia, por exemplo, quer eliminar todas as fontes de combustíveis fósseis até 2020, substituindo-as por opções limpas e renováveis. Atualmente, os investimentos maiores no país são na área do desenvolvimento da biomassa, aumentando o uso de recursos vindos de florestas. Assim, uma primeira alternativa ao petróleo seria o biodiesel, uma fonte renovável e menos poluente que o petróleo, mas ainda assim poluente. Outros tipos de energias, como a eólica, solar e a hidroelétrica são também opções extremamente interessantes, e que deveriam receber mais investimentos.
Uma fonte de energia que é pouco discutida como forma de substituir o petróleo é a energia nuclear. Uma pequena pincelada neste assunto mostra que a energia nuclear pode ser considerada energia limpa. O que é necessário é apenas cuidado. Segundo especialistas, o lixo atômico permanece radioativo por séculos, mas não emite poluentes para o meio ambiente se for devidamente descartado. De acordo com o pesquisador britânico James Lovelock, bastaria uma carga equivalente a dois caminhões de urânio (elemento metálico barato e abundante), vindos de países estáveis como Canadá ou Austrália, para se obter energia suficiente para abastecer cidades ou até mesmo países.
 A emissão de gases ácidos é zero. Poeira e resíduos tóxicos? Nada. Resíduos? O equivalente a alguns baldes. Os benefícios da utilização da energia nuclear em vez de combustíveis fósseis são irrefutáveis. Quase um sétimo da energia consumida em todo o mundo é gerada por 438 reatores nucleares. Na França, 59 reatores nucleares geram 78% da energia necessária ao país. De acordo com o cientista nuclear Bruno Comby, a energia nuclear gerada pela França, além do baixo custo, reduz em 90% a poluição por dióxido de carbono no setor de energia. Todo o resíduo radioativo produzido pelo Reino Unido, em 50 anos de operações nucleares, seria suficiente para encher um recipiente de apenas 10 m3. O pesquisador se pergunta: por que estamos tão preocupados com um recipiente de 10 m3, se isto não é nada em comparação aos 13.700 km3 de dióxido de carbono produzidos pela queima de combustíveis fósseis? A poluição produzida todos os anos pelo petróleo é suficiente para, com sobra, cobrir as Ilhas Britânicas com uma nuvem espessa de 10 metros de altura.
Precisamos evoluir, e pensar em fontes de energia mais eficientes e menos danosas, pois corremos o risco de poluir o planeta a tal ponto que não será mais possível a sua recuperação, matando milhares, ou centenas de milhares, de espécies da fauna e flora, inclusive o Homo sapiens.
A autora
Rachel Ann Hauser Davis é bióloga, Doutora em Química Analítica pela PUC-Rio, professora visitante da UNIRIO e pesquisadora da PUC, UERJ e UNIRIO.

11ª Rodada de tem número recorde de empresas habilitadas

Sete empresas ficaram de fora do leilão, segundo ANP
Redação NNpetro - 
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou na noite desta segunda-feira (15) a lista completa das 64 empresas habilitadas para o próximo leilão de petróleo do país. Segundo a agência, o número é recorde, e supera a nona rodada, realizada em 2007, que habilitou 61 companhias.
Outro número comemorado pela ANP foi o total de 71 petroleiras interessadas em um leilão que não envolve áreas de alto potencial do pré-sal. As sete empresas que se inscreveram e ficaram de fora da rodada ainda podem recorrer.
A 11ª Rodada será realizada nos dias 14 e 15 de maio, no Rio de Janeiro, com a oferta de 289 blocos, totalizando 155,8 mil km², distribuídos em 11 Bacias Sedimentares: Barreirinhas, Ceará, Espírito Santo, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Tucano. Dos 289 blocos, 166 estão localizados no mar, sendo 94 em águas profundas, 72 em águas rasas, e 123 em terra.

Conheça a relação completa das empresas habilitadas:
01 - OGX Petróleo e Gás S.A.
02 - Queiroz Galvão Exploração e Produção S.A.
03 - Repsol Sinopec Brasil S.A.
04 - Shell Brasil Petróleo Ltda.
05 - Alvopetro S.A. Extração de Petróleo e Gás
06 - BG Energy Holdings Limited
07 - Ouro Preto Óleo e Gás S.A.
08 - Premier Oil PLC
09 - Woodside Energy Holdings (South America) PTY LTD.
10 - Murphy Exploration & Production Company
11 - BHP Billiton Petroleum PTY LTD.
12 - G3 Óleo e Gás Ltda.
13 - Gran Tierra Energy Brasil Ltda.
14 - Janeiro 1949 Extração de Petróleo Ltda.
15 - PetroRecôncavo S.A.
16 - Total E&P do Brasil Ltda.
17 - Compañia Española de Petróleos, S.A.U. - CEPSA
18 - ConocoPhillips Company
19 - Nova Petróleo S.A. - Exploração e Produção
20 - Sabre Internacional de Energia S.A.
21 - Sinochem Petróleo Brasil Ltda.
22 - Inpex Corporation
23 - JX Nippon Oil & Gas Exploration Corporation
24 - GDF Suez Energy Latin América Participações Ltda.
25 - Ecopetrol S.A.
26 - HRT O&G Exploração e Produção de Petróleo Ltda.
27 - Irati Petróleo e Energia Ltda.
28 - Novo Norte Energia e Consultoria Ltda.
29 - Petronas Carigali SDN BHD
30 - EP Energy do Brasil Ltda.
31 - Petróleos de Portugal S.A. - Petrogal
32 - Maersk Oil Brasil Ltda.
33 - Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás Ltda.
34 - Exxonmobil Química Ltda.
35 - Statoil Brasil Óleo e Gás Ltda.
36 - Imetame Energia Ltda.
37 - Karoon Petróleo e Gás Ltda.
38 - PTT Exploration and Production Public Company Limited
39 - Sonangol Guanambi Exploração e Produção de Petróleo Ltda.
40 - Hess Corporation
41 - CNOOC International Limited
42 - Trayectoria Oil & Gas
43 - Petra Energia S.A
44 - UTC Óleo e Gás S. A
45 - Chevron Brazil Ventures Aps.
46 - Mitsubishi Corporation
47 - Kosmos Energy Ltd.
48 - Niko Resources Ltd.
49 - Chariot Oil & Gas Limited
50 - Mitsui & Co. Ltd.
51 - Pacific Brasil Exploração e Produção de Petróleo Ltda.
52 - Central Resources do Brasil Produção de petróleo Ltda.
53 - Petróleo Brasileiro S.A.
54 - Partex Brasil Operações Petrolíferas Ltda.
55 - Orteng Equipamentos e Sistemas Ltda.
56 - Cowan Petróleo e Gás Ltda.
57 - Tarmar Energia e Participações Ltda.
58 - Enel Trade S.p.A
59 - Brasoil Manati Exploração Petrolífera Ltda.
60 - Perenco S.A.
61 - BP Exploration Operating Company Limited
62 - Geopark Holding Limited
63 - Hupecol Operating Co. LLC
64 - Sumitomo Corporation

Quanto pesam 180 mil leis?

Congresso cria comissão para racionalizar legislação brasileira
NNpetro - Diretor do Grupo Nicomex - Gilberto Castro
Dependendo da força do halterofilista, ele poderá levantar mais ou menos peso. No Brasil, onde parte significativa do PIB e da força de trabalho empregada estão vinculadas ao desempenho de pequenas e médias empresas, o peso da excessiva burocracia dobra os joelhos do país. Assim é esperançoso saber que o Congresso Nacional estabeleceu uma comissão mista de deputados e senadores com a finalidade de organizar e desburocratizar 180 mil leis federais, portarias e normas que, se não são redundantes ou conflituosas, são excessivas por natureza. Repito: 180 mil leis.
O relator da comissão, senador Romero Jucá (PMDB-RR), declarou à repórter Fernanda Krakovics, em matéria publicada no jornal O Globo de domingo (14), que “será prioridade a regulamentação de pontos que clarifiquem a legislação trabalhista, que destravem a economia e que deem segurança jurídica ao país”.
Desburocratizar é o que precisamos fazer em todas as frentes. O nível de burocracia que temos hoje no Brasil é, talvez, o maior de todos os gargalos que devemos enfrentar para nosso desenvolvimento econômico e social. As previsões de saldo de nossa balança comercial para o final desse ano são péssimas. Nosso superávit comercial deve cair a US$ 11 bilhões frente aos US$ 19,4 bilhões de 2012. Nossa participação no comércio internacional (importações e exportações) vem caindo e, em 2012, representou apenas 1,3% do fluxo internacional.  Fatores de ordem econômica (crise europeia) justificam, sem dúvida, essa péssima performance, mas nossa ignorância administrativa (burocracia em excesso) contribui sobremaneira.
Alguém lucra com esse quadro atual, e já foram muitos no passado. Hoje, acredito que já não são tantos mais os que ganham com um país engessado em uma burocracia emperrada. Refiro-me, logicamente, às atividades econômicas exercidas de forma honesta.
O Brasil precisa ganhar musculatura econômica e social, mas não para levantar pesos desnecessários. As leis do país precisam ser claras e objetivas e, como consequência, pesar menos à população, aos empregados e aos empresários.
O autor
Gilberto Castro é economista e despachante aduaneiro, com pós-graduações em Negócios da Indústria de O&G e Direção Editorial.

Wärtsilä vai fornecer equipamentos para sondas da Sete Brasil

Embarcações serão construídas no Brasil no Estaleiro Jurong Aracruz
Redação NNpetro - 
A Wärtsilä, líder global em soluções energéticas de ciclo de vida completo para mercados marítimos e de geração de energia, firmou contrato com a Jurong Shipyard Pte Ltd, subsidiária da Sembcorp Marine, para fornecer motores e propulsores para seis navios-sonda. As embarcações serão projetadas para atuar em águas profundas e construídas no Estaleiro Jurong Aracruz.

Este contrato representa um marco para a Wärtsilä, pois os equipamentos serão produzidos no Brasil. É, ainda, um reconhecimento ao trabalho desenvolvido para melhorar a posição competitiva da empresa em um mercado em franco desenvolvimento, com atividades voltadas para produção e exploração offshore.

Os navios serão construídos para a Sete Brasil, empresa de investimentos que gerencia carteiras de ativos no setor de petróleo e gás. A atuação principal das embarcações será na exploração do pré-sal e a operação será feita pela Seadrill e Odfjell.

Os seis navios serão equipados com geradores principais acionados por motores Wärtsilä 16V32, e propulsores para montagem e desmontagem subaquática FS3510/NU , com as primeiras entregas programadas para 2013. O primeiro navio tem entrega prevista para o 2º trimestre de 2015.

"Ao demonstrar a nossa capacidade em fornecer equipamentos Wärtsilä com um alto nível de conteúdo local, temos novamente comprovada nossa força global e competitividade. Navios-sonda, que operam em águas muito profundas, enfrentam difíceis condições operacionais e precisam estar preparados para trabalhar em altos níveis de complexidade.", explica o vice-presidente da Wärtsilä Ship Power, Magnus Miemois.

Ao enfatizar a inovação tecnológica e a eficiência, a Wärtsilä maximiza o desempenho ambiental e econômico das embarcações e usinas de energia de seus clientes. Em 2011, as vendas líquidas da Wärtsilä totalizaram cerca de 4,2 bilhões de euros. A empresa, que atualmente tem 18 mil funcionários, opera em 70 países ao redor do mundo.

Petra Energia faz descoberta de gás natural em MG

Petroleira notifica à ANP descoberta na Bacia de São Francisco
Redação NNpetro - 
A Petra Energia notificou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) uma descoberta de gás natural em terra, na Bacia de São Francisco, em Minas Gerais.
O poço 1-PTRA-17-MG, no bloco SF-T-121, notificado na sexta-feira (1º), indicou a presença de hidrocarbonetos. O potencial no poço não foi revelado, ainda não é possível afirmar se o volume descoberto é comercial.
A companhia possui ao todo 24 blocos exploratórios e mais de sete mil quilômetros quadrados de área. No entanto, a empresa busca o gás não convencional no Brasil. De 14 poços perfurados na Bacia do São Francisco até novembro, foram encontrados indícios do combustível em dez.
Em abril, a Petra Energia começa a testar, pela primeira vez no Brasil, a técnica que permite a extração de gás não convencional dessas formações ainda intocadas no país. A petroleira tem previsão para começar a produção de gás natural no país em 2015. Além da Bacia de São Francisco, a Petra possui ativos nas bacias do Parnaíba e do Amazonas.
(Com informação do Valor)

Executivos do setor discutem o papel do gás natural na matriz energética do Brasil

Evento é moderado por Pablo Cisneros, CEO do Banco de Desenvolvimento da América Latina
Redação NNpetro - 
Oito executivos estão reunidos hoje (11), no Rio de Janeiro, para debater o papel do gás natural na matriz energética brasileira, desde eletricidade ao transporte até os locais de consumo. Também será discutido o potencial do gás não convencional no curto e médio prazo. O evento é promovido pelo Institute of the Americas e tem como moderador o CEO do Banco de Desenvolvimento da América Latina, Pablo Cisneros.
Estão confirmadas as presenças de Jorge Alcaide, Diretor de Power Plants da Wärtsilä Brasil, José Cesário Cecchi, Superintendente de Comercialização e Movimentação de Gás Natural da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Winston Fritsch, Presidente da Petra Energia, Angelica Laureano, Gerente Executiva de Marketing e Comercialização de Gás Natural e Energia da Petrobras, Francisco Morandi, Vice Presidente da AES Brasilian Holdings, Décio Oddone, Vice-presidente Executivo Investimentos da Braske, Marco Tavares, Presidente do Conselho de Administração da Gas Energy, e David Zylbersztajn, Diretor da DZ Negócios com Energia.
O recente quadro de baixa nos reservatórios das hidrelétricas que o Brasil enfrenta faz com que as atenções se voltem ao setor energético do país. O consumo de gás natural é apenas uma pequena percentagem do total de energia consumida, sendo que na sua maioria é importado da Bolívia em forma de gás natural liquefeito (GNL). Contudo, o Brasil conta com potenciais reservas de gás natural, convencional e não convencional, não só em bacias sedimentares terrestres, mas também offshore e nas camadas do pré-sal.
Jorge Alcaide, diretor da Wärtsilä Power Plants, levará ao debate o conceito de Smart Power Generation e as inovações que estão sendo introduzidas no setor de geração elétrica, tendo o gás natural como uma fonte de grande potencial competitivo no cenário nacional.
A tecnologia Flexicyle, patenteada pela Wärtsilä, também será apresentada pelo executivo. As usinas termelétricas a gás natural com essa tecnologia têm uma eficiência superior às usinas a gás de ciclo simples, contribuindo inclusive para a redução de emissões de carbono. O rápido tempo de resposta para entrar em operação em plena carga também caracterizam a alta performance desses geradores.

Aker Solutions investirá R$ 500 mi em novas fábricas e irá gerar mais de 6 mil empregos

Luis Araujo também aborda os prós e contras de se investir no Brasil e comenta atuação da norueguesa no pré-sal
NNpetro - Adriano Nascimento -
A 5X Petróleo desta semana é com o presidente da Aker Solutions no Brasil, Luis Araujo, que relata as perspectivas da multinacional norueguesa no país, assim como os benefícios e malefícios de se investir aqui, no setor de óleo e gás. “Estamos investindo mais de R$ 500 milhões de reais em duas novas unidades, em Macaé e Curitiba, focadas em tecnologias de perfuração e equipamentos submarinos respectivamente”, destaca Araujo, em entrevista ao NNpetro.
O presidente explica o motivo pelo qual a empresa preferiu substituir a atual fábrica em Curitiba, e contou que irá gerar mais de 6 mil empregos diretos e indiretos no novo empreendimento. De acordo com Araujo, a companhia irá focar sua atuação na camada pré-sal, investindo no que chama de três pilares de crescimento no mercado brasileiro: sistemas submarinos, plataformas de perfuração e FPSOs.
1X) NNpetro – Qual é a perspectiva de investimentos da Aker Solutions Brasil nos próximos anos?
Luis Araujo - O mercado brasileiro é um dos mais importantes mercados offshore do mundo e como uma companhia focada neste segmento, mais especificamente em tecnologias para águas profundas, temos um enorme interesse em crescer nossa presença no país.
O Brasil é, portanto, o país que está recebendo os maiores investimentos da Aker Solutions em termos globais e fora de nossa matriz. Estamos investindo mais de R$ 500 milhões de reais em duas novas unidades, em Macaé e Curitiba, focadas em tecnologias de perfuração e equipamentos submarinos respectivamente.
2X) Em relação à camada pré-sal, quais são os setores que despertam maior interesse da companhia?
Temos grandes expectativas no que chamamos dos três pilares de crescimento no mercado brasileiro: sistemas submarinos, plataformas de perfuração e FPSOs, nos quais somos fornecedores de diversas tecnologias-chave. Estes três segmentos apresentam um enorme potencial de crescimento no Brasil, pois este mercado representa cerca de 35% de todas as árvores de natal molhadas (ANMs) submarinas planejadas, 40% da frota de perfuração para águas ultraprofundas e 40% de todas as FPSOs em construção no planeta.
3X) Na visão da empresa, quais são os benefícios e malefícios de se investir no mercado brasileiro de óleo e gás?
A Aker Solutions está profundamente comprometida com o desenvolvimento de conteúdo local no Brasil e este desenvolvimento requer investimentos em instalações e competência. Estes investimentos estão sendo feitos baseados nos planos de nossos clientes no Brasil, principalmente a Petrobras que é um cliente e parceiro chave para nós.
Os benefícios passam principalmente por um horizonte de desenvolvimento da produção em campos de petróleo que se estende por muitos anos e até por décadas. Em poucos mercados no mundo temos este horizonte com uma quantidade de reservas provadas da magnitude que temos no Brasil, principalmente após a descoberta dos campos do pré-sal. Isto é muito importante para dar tranquilidade ao investidor.
Quanto aos malefícios, podemos citar a atual carência de mão de obra qualificada e a falta de fornecedores qualificados na parte de baixo da cadeia. Acreditamos que podemos ajudar o país nestes pontos e estamos desenvolvendo ações para solucionar estes dois gargalos como, por exemplo, através de capacitação de pessoas no Brasil e no exterior em níveis nunca antes aplicados, bem como desenvolvendo fornecedores no Brasil e também trazendo alguns fornecedores internacionais para se estabelecer no Brasil. Não dá para ficar apenas reclamando da vida!
4X) Qual é o objetivo da empresa um substituir a atual fábrica de equipamentos submarinos em Curitiba por um novo empreendimento? Qual é a previsão de investimento para a nova fábrica e quantos empregos a empresa pretende gerar na região?
Nosso objetivo é duplicar nossa capacidade de produção no Brasil para atender a crescente demanda do pré-sal e das futuras licitações da ANP. Nós acreditamos que o Brasil precise de produção em escala e nossa fábrica nova será projetada para este tipo de produção. A previsão é investir cerca de R$ 280 milhões nas novas instalações gerando cerca de 1.200 empregos diretos e consequentemente mais de 5.000 empregos indiretos.
5X) Como a Aker Solutions enxerga sua atuação no Brasil daqui a dez anos?
Estamos no Brasil há quatro décadas e, portanto, dez anos são até um período curto se colocar nesta perspectiva. Mas nossos planos são triplicar o tamanho de nossos negócios no Brasil nos próximos quatro a cinco anos. Com os nossos investimentos na região, com o nosso extenso portfólio de tecnologias e serviços e com as ordens que estamos conquistando estamos confiantes em atingir e até ultrapassar estas metas.

domingo, 14 de abril de 2013




8ª Sonda-Escola do Brasil é inaugurada hoje no RN

Data: 12 abril 2013 - Hora: 18:00 - Por: Marcos Aurelio de Sá
- A 8ª sonda-escola do país foi inaugurada no final da manhã de hoje, no Anexo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai/RN, em Mossoró.
- O moderno Centro de Capacitação Profissional para Operação de Sondas (CCPS), uma iniciativa do Senai em parceria com a Petrobras, contará com um equipamento de perfuração de poços.
- O objetivo do CCPS é atender a demanda por formação de mão de obra em atividade de construção de poços na indústria de petróleo.
- Cinco módulos de treinamento – Bombas de Lama, Movimentação de Cargas, Preparação e Circulação de Fluídos, Operações na Mesa de Perfuração e Treinamento em Altura – foram instalados em área com mil metros quadrados, cedida ao Senai pela Prefeitura de Mossoró.
- No local, serão ministrados treinamentos teóricos e práticos para as funções de plataformistas, torristas e sondadores, tanto destinado aos alunos oriundos do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, quanto alunos-empresa e alunos da comunidade.
- O centro permitirá que os alunos operem equipamentos e ferramentas reais, através da prática de alguns processos realizados numa operação normal.
- A sonda móvel foi uma das primeiras a realizar perfurações de poços em Mossoró, onde hoje é o Hotel Thermas, e depois de passar por recuperação servirá para as aulas práticas dos cursos do Senai na área do petróleo.
- A torre tem 15 metros de altura e a capacidade de perfuração é de cerca de mil metros.
- O engenheiro mecânico e professor do Senai-RN, Wilberto Pires, afirma que a sonda trará inúmeros benefícios para os estudantes da instituição. “Os alunos já vão sair da instituição com a prática. Vão sair mais profissionais, especializados, mais bem preparados porque fizeram a prática no próprio Senai”, disse.
- O custo de um equipamento como esse, que pertencia a Companhia de Perfuração de Recursos Minerais (CPRM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, é estimado em R$ 10 milhões. A recuperação, realizada pelo próprio Senai, custou R$ 400 mil.
- O CCPS já dispõe de equipamentos como bomba de lama, tanque de lama, torre, entre outros, para serem usados nas aulas práticas da instituição. Os equipamentos são fruto de uma parceria com a Petrobras.
- O Senai-RN atende hoje mais de 5 mil estudantes em Mossoró e cidades vizinhas, oferecendo 28 áreas de conhecimento, entre elas o setor petrolífero, automação, caldeiraria, metalurgia, mecânica e soldagem.
Opinião: Parabéns ao Senai pela inauguração, isso é fruto de competencia e dinamismo dos seu diretores e dirigentes em busca de inovações para os alunos que buscam oportunidades nesse mercado tão competitivo,pena que outras escolas da cidade no ramo não tenham essa linha de pensamento,perdem alunos e não formam turmas por serem tão cheia de burocracia e falta de visão de seus dirigentes.  

quarta-feira, 10 de abril de 2013


Pesquisadora fala sobre riscos das plataformas: 'um dos piores ambientes para se trabalhar'

Preparo físico e psicológico é fundamental para quem trabalha embarcado
Colaboradora Rachel Ann Hauser Davis - 
A área de petróleo offshore é caracterizada pela não interrupção de seus processos e operações durante os 365 dias do ano, exigindo apenas substituições nas equipes de trabalho, que se revezam de forma ininterrupta. Nessas condições de trabalho existem riscos intrínsecos e variados, caracterizados como sendo "técnicos, coletivos e ambientais". Os riscos técnicos são aqueles que têm origem em eventos tecnológicos e condições organizacionais, ou eventos naturais agravados pela tecnologia e organização; que vitimam ou podem vitimar indivíduos e comunidades, dentro e fora dos locais de produção, resultando em alterações ambientais significativas, sejam eventos agudos, destrutivos, sejam processos latentes, combinações inéditas, ou efeitos cumulativos, em parte desconhecidos.
Existem, é claro, vantagens de se trabalhar em plataformas de petróleo, como, por exemplo, os bons salários, devido ao chamado “adicional de embarque”, que varia de 50% a 140% do salário-base do trabalhador e os dias de folga seguidos, dependendo da escala a ser adotada, como, por exemplo, 14 dias embarcados e 14 dias em terra, ou até mesmo escalas de 28 dias embarcados e 28 dias em terra.
As desvantagens e os riscos, porém, aparentam ser de maior relevância. Destaca-se, em primeiro lugar, o confinamento ao qual o trabalhador é submetido. O profissional precisa, necessariamente, ter capacidade de ficar longe dos amigos e familiares por longos períodos de tempo e, em alguns casos, sem acesso à ligações telefônicas ou computadores, o que obviamente é muito difícil para os que deixam familiares próximos e entes queridos, como filhos (as) e marido/esposa em terra.
Outros riscos incluem a necessidade de pegar um helicóptero para embarcar na plataforma, inclusive sendo utilizado às vezes o transporte “via cestinha”, muito comum para fazer transbordos entre 2 embarcações. Este método de transporte é extremamente arriscado, pois a “cestinha” balança muito ao sabor dos ventos e existe a possibilidade de acidentes graves, dependendo das condições climáticas, que podem ser bastante adversas - desde o risco de furacões, chuva intensa, frio, ou altas temperaturas (acima dos 40º), dependendo do local onde está localizada a plataforma.
A rotina de trabalho puxado também se encontra na categoria de riscos, pois como não existem feriados e finais de semana para quem está embarcado, trabalhando-se 12 ou até mesmo 24 horas por dia, deve-se ter um preparo físico e psicológico para tal rotina, o que muitas vezes é bastante difícil. Além disso, a permanência durante muitos dias seguidos em confinamento em alto mar acaba elevando significativamente os riscos para os trabalhadores.
O ambiente hostil das plataformas - com válvulas e tubulações em todo canto, equipamentos enormes trabalhando a todo vapor, a existência de linhas pressurizadas, a necessidade de subir escadas a 30 ou mais metros de altura acima do nível do mar, a presença constante de ruídos altíssimos e guindastes movimentando cargas de toneladas sob a cabeça dos trabalhadores - também é um risco enorme, e, de fato, talvez este seja um dos piores ambientes para se trabalhar, sendo completamente diferente da maioria dos ambientes de trabalho usuais. Inclusive, diversos acidentes relacionados ao ambiente hostil da plataforma podem ocorrer ou já ocorreram. Alguns exemplos são a subida exagerada da pressão de alguma tubulação, podendo levar a uma explosão do poço sendo perfurado; ou a manobra errada de um guindaste, podendo deixar cair toneladas em cima de algum trabalhador; ou o estouro de alguma válvula liberando gases tóxicos. Além disso, como o ser humano não é infalível, o helicóptero que faz o transporte pode cair, ou um simples tropeção na escada pode provocar a queda de um trabalhador.
Assim, o trabalho offshore está constantemente submetido a processos e atividades complexas, perigosas, contínuas e coletivas, que envolvem diversos riscos à saúde e à vida do trabalhador.
A autora
Rachel Ann Hauser Davis é bióloga, Doutora em Química Analítica pela PUC-Rio, professora visitante da UNIRIO e pesquisadora da PUC, UERJ e UNIRIO.