TURMA DO PETRÓLEO

TURMA DO PETRÓLEO

sexta-feira, 15 de março de 2013


Gelo de fogo: energia para o Japão

País se torna primeiro a extrair metano do fundo do mar
Fonte: O Globo -
O Japão anunciou ontem ter conseguido, pela primeira vez, extrair gás de um depósito marinho de hidrato de metano — também chamado de "gelo inflamável". Para autoridades e especialistas, um passo importante em direção a uma promissora, mas ainda pouco compreendida, fonte de energia, sobretudo no que diz respeito a sua contribuição às mudanças climáticas, segundo matéria publicada no jornal New York Times.
O gás que foi extraído de hidrato do metano submarino pode ser uma fonte alternativa de energia para conhecidas reservas de petróleo e gás natural. Isso poderia ser crucial, especialmente para o Japão, que é o maior importador mundial de gás natural liquefeito e está envolvido em um angustiante debate público sobre a forte dependência do país de energia nuclear.
Especialistas estimam que a quantidade de carvão encontrada em hidratos de gás em todo o mundo é pelo menos o dobro da quantidade de carvão presente em todos os combustíveis fósseis do planeta, tornando-se um fator potencial para mudar o jogo de países pobres em energia, como o Japão. Pesquisadores já haviam extraído com sucesso gás em reservatórios de hidrato de metano em terra, mas não a partir do leito marinho, onde a maior parte dos depósitos estão.
O Japão tem investido centenas de milhões de dólares, desde o início os anos 2000, para explorar as reservas de hidrato de metano do mar, tanto no Pacífico quanto no Mar do Japão. A ideia ganhou ainda mais força depois da crise nuclear de Fukushima, que paralisou o programa de energia nuclear do Japão e provocou um aumento das importações de combustíveis fósseis.
O ministério japonês da Economia, Comércio e Indústria disse que uma equipe a bordo do navio de perfuração experimental científica Chikyu começou a extração de gás de hidratos de metano de uma camada de cerca de 300 metros abaixo do leito do mar, na manhã de ontem. O navio está trabalhando na perfuração desde janeiro em uma área do Pacífico com cerca de 1.000 metros de profundidade e a 80 quilômetros ao sul da Península Atsumi.
Com equipamentos especializados, a equipe baixou a pressão nas reservas submarinas de hidrato de metano, causando a separação entre metano e gelo. Horas mais tarde, uma ruptura na popa do navio mostrou que estava sendo produzido gás, informou o ministério.
— O Japão poderia, finalmente, ter uma fonte de energia para chamar de sua — disse Takami Kawamoto, um porta-voz da Corporação Nacional Japonesa de Óleo, Gás e Metais (Jogmec), estatal que conduz a extração experimental.
A equipe vai continuar o processo por cerca de duas semanas, antes de analisar a quantidade de gás que foi produzido, informou a Jogmec. O Japão espera tornar a tecnologia de extração comercialmente viável em cinco anos.
— Esta é a primeira produção experimental de gás a partir de hidrato de metano, e eu espero que sejamos capazes de confirmar a produção estável de gás — disse Toshimitsu Motegi, ministro do Comércio japonês.
Ele reconheceu que esse processo de extração ainda enfrenta obstáculos técnicos e outros problemas. Ainda assim, “o gás de xisto já foi tecnicamente considerado difícil de extrair, mas agora é produzido em grande escala”, lembrou.
— Ao enfrentar estes desafios um por um, nós poderíamos começar logo a tocar nos recursos que cercam o Japão.
A Jogmec estima que a área onde se encontra o submarino Nankai, detém pelo menos 1,1 trilhão de metros cúbicos de hidrato de metano, o suficiente para substituir por 11 anos as importações de gás do Japão.
A estimativa aproximada do Instituto Nacional de Ciência Industrial Avançada e Tecnologia colocou o montante total de hidrato de metano em águas japonesas em mais de 7 trilhões de metros cúbicos, ou o que os pesquisadores dizem que atenderia 100 anos da necessidade de gás natural do Japão.
— Agora nós sabemos que a extração é possível — disse Mikio Satoh, um pesquisador sênior em geologia marinha no instituto. — O próximo passo é ver a quanto o Japão pode baixar os custos para tornar a tecnologia economicamente viável.

domingo, 10 de março de 2013


Maquiagem, asfalto, aspirina e tudo o mais que contém petróleo

Usamos mais produtos à base de petróleo do que sonha a nossa vã filosofia
Colaboradora: Rachel Ann Hauser Davi 
O petróleo, além do seu uso mais conhecido como combustível,  também está presente em diversos produtos do dia a dia. Alguns exemplos muito citados são os cosméticos, onde a maioria tem, em sua composição, subprodutos do petróleo usados na fabricação de componentes como o glicol, corantes e o propileno, principal responsável pela fixação dos pigmentos das maquiagens. Temos também o asfalto que recobre as ruas do mundo inteiro, que, na verdade, é um concreto asfáltico – uma mistura especial de minerais mantida unida pelo asfalto propriamente dito, um derivado semi-sólido do petróleo. A produção de plástico também é de extrema importância, assim como os corantes, flavorizantes e conservantes de alimentos.

Essa inserção de produtos derivados do petróleo certamente facilitou muito a produção de diferentes produtos comercializados hoje em dia. Porém, quando o petróleo acabar – o que com certeza acontecerá visto que este é um recurso finito – a sociedade se encontrará em uma situação extremamente problemática. Diversos produtos que hoje nem pensamos duas vezes em como são obtidos terão sua produção reduzida, ou até mesmo finalizada, pois em muitos casos as opções existentes para substituir os derivados de petróleo ainda não são ideais.

Algumas opções mais sustentáveis foram colocadas em prática antes do advento dos derivados de petróleo. Por exemplo, por anos a indústria de cosméticos utilizou produtos naturais na produção de seus produtos de beleza, por que não voltar a isso? Com relação à produção de plásticos, já existem diversos tipos de produtos novos no mercado, denominados biopolímeros, produzidos a partir de matérias-primas renováveis como cana-de-açúcar, milho, óleo de girassol, soja e mamona; além, é claro, do fato de podermos voltar a utilizar mais amplamente o vidro, facilmente reciclável. Uma alternativa ao combustível fóssil, por exemplo, é a energia produzida pelo processamento de algas, que podem fornecer sete mil vezes mais energia por quilometro quadrado que qualquer outro biocombustível, sendo altamente renovável. Nesse sentido, não podemos esquecer os outros tipos de fonte energética atuais, como a eólica, solar e elétrica.
Em muitos produtos, pode-se substituir óleos de origem mineral por materiais de origem vegetal. Porém, é claro, que alguns produtos ainda não chegaram a esse ponto. Temos as pomadas como exemplo, em que as alternativas naturais testadas (manteigas de cacau e de karité) não são tão eficientes – ficam rançosas, impedindo a passagem de umidade para a pele e não conduzindo adequadamente os ingredientes ativos. O petróleo também é a base de alguns dos remédios mais consumidos no mundo, como antibióticos, sedativos, certos xaropes e analgésicos (aspirina, por exemplo, fabricada a partir do hidrocarboneto benzeno, normalmente derivado de produtos petrolíferos), que ainda não tiveram substitutos produzidos.
Isto apenas ilustra e reforça ainda mais a necessidade de mais estudos para podermos nos livrar da dependência do petróleo. Devemos repensar, reutilizar e reconstruir aquilo que possuímos, para criar um mundo mais verde, e devemos começar agora, antes que nos vejamos em uma situação difícil e, por incrível que pareça, em um mundo onde todo o nosso progresso será simplesmente estagnado devido à dependência do petróleo.
A autora
Rachel Ann Hauser Davis é bióloga, Doutora em Química Analítica pela PUC-Rio e professora e pesquisadora da UNICAMP. Faz parte do GEPAM - Grupo de Espectrometria, Preparo de Amostras e Mecanização.

Comportamento: Fator chave para o sucesso profissional e empresarial

Leonardo Cruz, doutor em psicologia, fala sobre treinamentos comportamentais
NNpetro - Amanda Magalhães -Turma do Petróleo - Valdson Vercellotti 
Doutor em psicologia social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), analista transacional e coach, Leonardo Cruz é um dos diretores da PORTOMAR, empresa especializada em treinamentos comportamentais no campo offshore.
Em entrevista ao NNpetro e Turma do Petróleo, Leonardo fala da necessidade de formação técnica do profissional, dá dicas fundamentais para quem deseja ingressar na área, aborda aspectos importantes sobre a preparação de profissionais que trabalham embarcados e faz um alerta: "É responsabilidade do empregador munir seus funcionários do conhecimento e equipamentos necessários para garantir sua segurança e a da operação. Mas também é função do profissional utilizar tais recursos em seu cotidiano de forma adequada e consciente. Seu comportamento é fator chave para o sucesso da sua carreira e da empresa para a qual trabalha".
1X) O que são treinamentos comportamentais para o campo offshore e qual a importância deste tipo de preparo?
Leonardo Cruz – Os treinamentos comportamentais têm o objetivo de mapear e alterar hábitos e atitudes de um grupo de profissionais que geram quebras nos protocolos de manutenção da segurança, do meio ambiente, saúde e qualidade de vida. Essas quebras vêm, em geral, de conflitos e/ou falhas de comunicação, dificultando a excelência no processo produtivo.
Com os treinamentos técnicos oferecidos, as corporações cumprem seu propósito, mas é necessário agregar os treinamentos comportamentais para gerar rotina segura e saudável no trabalho, focada na atenção e diminuição de acidentes, desvios e incidentes recorrentes nesta atividade profissional, em vista do alto risco de sua execução.
2X) Qual a sua experiência no setor? Poderia destacar algum caso interessante que tenha vivenciado neste campo em que o treinamento comportamental fez a diferença?
Com doutorado em psicologia social, há algum tempo já atuava como pesquisador e consultor em treinamentos comportamentais e desenvolvi ferramentas e técnicas específicas para o mercado offshore e a cadeia de serviços que lhe dá suporte. Há três anos, eu e minha sócia Elaine Rabello (também psicóloga e mestre em saúde coletiva) criamos a PORTOMAR e, desde então, nossos clientes têm sido companhias de apoio marítimo, estaleiros, portos e gestores de empresas de óleo e gás.
Têm sido muitas as experiências marcantes. Destaco os programas de  treinamento em pré-embarque, nos quais tratamos de temas como relações interpessoais, comunicação, reconhecimento e hierarquia, entre outros. Nesses treinamentos, aplicamos esses conhecimentos a situações ligadas à percepção de risco, protocolos de segurança pessoal e ambiental, além da manutenção da saúde física e mental destes profissionais.
Os ganhos levantados por nós, pela empresa e narrados pelos que participam de treinamentos comportamentais são de diversas ordens, incluindo ganhos pessoais. Certa vez um comandante levou toda a sua família para nos conhecer e agradecer os ganhos que teve não somente durante seu embarque, mas também na relação com sua família e com pessoas de seu convívio social. Cabe ainda acrescentar que a corporação que investe em treinamentos comportamentais passa a ser vista como uma empresa humana, com olhos atentos para a melhora no clima organizacional e no bem estar do seu capital intelectual.
3X) Quais são as maiores dificuldades enfrentadas por um profissional offshore e como estar preparado para elas? Além do mais, como seguir em frente e não deixar que estes obstáculos atrapalhem a carreira do profissional? Que conselhos você daria a um profissional que quer entrar neste mercado?
São muitos os desafios: confinamento físico, trabalhos em turnos, fatores ambientais como calor e barulho, afastamento familiar, dentre outros. É fundamental o profissional ter equilíbrio mental e emocional, seguir rigorosamente os protocolos de ação para cada procedimento inerente à sua função e ter disciplina, comunicação clara e assertiva, capacidade de negociação e administração de conflitos, em especial líderes e profissionais que fazem interfaces entre plataformas, embarcações e pessoal de movimentação e logística em terra.
É responsabilidade do empregador munir seus funcionários do conhecimento e equipamentos necessários para garantir sua segurança e a da operação. Mas também é função do profissional utilizar tais recursos em seu cotidiano de forma adequada e consciente. Seu comportamento é fator chave para o sucesso da sua carreira e da empresa para a qual trabalha.
O profissional que quer entrar nesse mercado deve ter clareza que, para alçar ganhos financeiros inerentes às funções offshore, precisa de alto nível técnico. É necessário foco na área em que quer se especializar e se dedicar para ser o melhor. Além do conhecimento técnico, deve saber se expressar, falar bem a língua portuguesa e inglesa. Outra preocupação deve ser enriquecer seu conhecimento com cursos complementares e procurar instituições de boa credibilidade no mercado para sua formação.
4X) Atualmente, qual tem sido a maior demanda da PORTOMAR e quais os resultados obtidos?
A maior demanda de prestação de serviço da PORTOMAR tem sido o programa de treinamentos comportamentais em pré-embarque, que citamos anteriormente. É um programa procurado por ter como objetivos o aumento da percepção de risco, a baixa de acidentes de trabalho, a baixa de absenteísmo por problemas de saúde do trabalhador e o aumento da qualidade de vida a bordo. Fazemos acompanhamento de resultados com relatórios que mapeiam os dados para comprovação do cumprimento das metas de treinamento. Nesse programa, já treinamos mais de 500 marítimos e pudemos mapear melhoras na relação da equipe, diminuição do estresse e ansiedade, aumento da atenção, melhora do bem-estar a bordo, maior equilíbrio mental e emocional, melhora na qualidade de sono e diminuição do uso de medicamentos. O setor de SMS das empresas contratantes e de suas tomadoras de serviço apresentam resultados de baixa de acidentes, desvios e incidentes.
5X) Com as novas rodadas de licitação anunciadas pela ANP, a tendência é que o mercado de óleo e gás cresça ainda mais em 2013. A PORTOMAR está preparada para esta demanda?
É uma preocupação constante da PORTOMAR o aprimoramento de nossos consultores. O estudo e vivências sobre o mercado offshore e a cadeia de óleo e gás é cotidiana, para que possamos cumprir com nossa missão de inovar em treinamentos comportamentais visando maior segurança, saúde e qualidade de vida para as pessoas e corporações offshore. Para isso utilizamos linguagem, ferramentas e produtos específicos, razão do nosso diferencial.
Com o aumento da demanda por nossos serviços, estruturamos a formação de novos consultores de tal sorte a assimilarem não só a expertise necessária pela especificidade do que fazemos, mas também para que estejam preparados para atender a demanda do dinâmico mercado de óleo e gás, seguindo os valores que determinamos como cruciais para a nossa prática profissional, como eficácia e responsabilidade.


Gás natural é o futuro da geração energética

Produção de gás natural da Shell tende a aumentar com inovação tecnológica, segundo cientista
NNpetro - Júlia Moura - 
Com a projeção de que a população mundial pode chegar a 9 bilhões de pessoas até 2050, segundo dados da ONU, a Shell volta seus investimentos para novas tecnologias de exploração e produção de petróleo e gás natural. No 2º Encontro de Inovação da empresa, que aconteceu nesta quinta-feira (07), no Rio de Janeiro, o cientista chefe mundial da Shell, Gerald Schotman, avaliou que a tendência para os próximos anos é de crescimento de produção de gás natural, visto que o mercado precisa ser abastecido.
“Temos no mundo reservas de gás natural que poderiam suprir a demanda atual em 250 anos. Precisamos trabalhar para atender a necessidade energética do mundo e do Brasil. Precisamos de velocidade e, portanto trabalhar com coinovação. Trabalhar isoladamente não teremos a inovação que precisamos no tempo necessário", disse Schotman, destacando a crescente produção de gás natural da companhia.
Pela primeira vez a petrolífera atingiu, em 2012, a maior produção de gás natural comparada a de petróleo.  “É um sinal de mudanças. Sinal de que temos que ir em frente”, constata Schotman, se referindo ao gás natural como um combustível “AAA” (avaiable, affordable e acceptable, em inglês), ou seja, abundante, de baixo custo e acesso fácil e aceitável.
O presidente da Shell Brasil Petróleo, André Araujo, lembrou que a inovação faz parte da estratégia da empresa, que completa 100 anos de operação no país em 2013, além de ressaltar que o “Brasil é um país estratégico”.
“O Brasil tem grandes desafios, mas também grandes oportunidades de prover energia”, afirmou Araujo.
Tecnologia subsea
Com esta visão, a Shell investe em desenvolvimento de equipamentos subsea. De acordo com o vice-presidente de Tecnologia da FMC Technologies, Paulo Couto, o futuro está em conseguir trabalhar a exploração de petróleo em águas profundas com equipamentos somente “no fundo do mar”.  “No futuro toda essa coisa que boia caminha para ser automatizada no fundo do mar, tecnologia submarina. O acesso ao fundo do mar é difícil, por isso, temos que repensar como será o serviço no fundo do mar”, explica Couto.
Já para o gerente executivo do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), Marcos Assayag, o desafio atual é identificar a técnica adequada para as rochas carbonáticas do pré-sal. “Já caminhamos a passos lagos em relação ao tempo de perfuração.  Acredito que estamos construindo uma história bem sucedida que levou a  Petrobras a ser reconhecida em águas profundas. Além da técnica adequada , outro desafio é a redução dos custos na área de operação de poços. Hoje a área de poço representa a metade dos custos de exploração, com 50%”.
Conteúdo local
A Shell participa de estudos do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) que avaliam a possibilidade de flexibilização dos índices de conteúdo local. Araujo reconhece preocupação com a capacidade da indústria nacional de atender as demandas futuras do setor de óleo e gás: "Não posso negar que o volume de demanda por equipamentos e serviços é muito grande. E obviamente existe uma preocupação de como, daqui a quatro, cinco anos, vai estar a capacidade da indústria de entregar (as encomendas).”
O executivo disse ainda que a empresa tem interesse nas rodadas de licitação de petróleo que serão realizadas neste ano no país, incluindo a rodada de gás a ser realizada em outubro, mas que neste momento está em avaliação técnica para estipular a participação da petrolífera na 11ª rodada.

domingo, 3 de março de 2013


Para o bem ou para o mal? Plataformas de petróleo destroem ecossistema

'Será que não está na hora de mudar e parar de aceitar passivamente a destruição do ambiente causada pela extração petrolífera', analisa Rachel Davis
Colaboradora: Rachel Ann Hauser Davis -
As plataformas de extração de petróleo em alto mar fornecem à sociedade esse combustível fóssil não renovável, para que todos possam aproveitar os benefícios da vida moderna. Porém, os impactos ambientais causados por essas plataformas trazem prejuízos enormes ao meio ambiente e, por consequência, à população.
Diversos resíduos são gerados nessas estruturas, como, por exemplo, resíduos sólidos, em sua maioria classificados como “perigosos”. De acordo com o Ibama, apenas em 2009 foram gerados 44.37 toneladas destes resíduos a partir de atividades de pesquisa sísmica marítima, perfuração de poços, produção e escoamento de petróleo e gás natural em águas brasileiras, e, deste total, 24.11 toneladas (54,3%) eram substâncias sólidas perigosas, produzidas principalmente nas plataformas e instalações do pré-sal no Sudeste brasileiro. Dentre os tipos de resíduos encontrados, estão sucatas metálicas, restos de tinta e embalagens plásticas, que poluem o ambiente.
Outro resíduo perigoso gerado a partir deste tipo de atividade petrolífera é a “água de produção”, também chamada de “água negra”. Este resíduo é composto da mistura da água do mar com o óleo extraído e contém, muitas vezes, graxas e substâncias tóxicas, como os metais cádmio, cobre, berílio, ferro, e até mesmo compostos radioativos nocivos à saúde, como por exemplo o estrôncio 90 e o bismuto 214.
Esta água negra é extremamente prejudicial ao ambiente, e tem o potencial de contaminar grande parte da vida marinha, e as empresas de extração petrolífera têm o dever de tratar o resíduo antes de descartá-lo. Em um caso brasileiro ocorrido no final de 2012, porém, investigações realizadas pela PF revelaram que a Petrobrás não trata seus resíduos de forma correta na maioria das plataformas da costa brasileira (de 110 plataformas, apenas 29 possuem a capacidade de tratar a água negra, por exemplo), faltando ainda uma fiscalização adequada do Ibama. Além disso, as investigações também indicaram que a água negra é descartada há décadas no oceano sem tratamento adequado, sem fiscalização alguma.
Outro tipo de resíduo gerado a partir da extração petrolíferas nas plataformas são os resíduos gasosos – geralmente uma mistura de hidrocarbonetos tóxicos com predominância de gás metano –, que contribuem para o efeito estufa. Teoricamente, apenas gás residual e misturas de óleo e gás podem ser liberados para a atmosfera pelas plataformas. Porém, nos últimos dois anos, houve vazamentos de gás destas estruturas no Brasil, poluindo mais ainda o meio ambiente.
Com isso, podemos perceber que chegamos ao absurdo de permitir que empresas deste tipo usem o planeta como seu próprio lixo particular, tendo em vista que existem muitas outras tecnologias, além do uso de combustíveis fósseis, que podem fornecer à sociedade moderna tudo que temos hoje em dia e mais um pouco. Exemplos disso são carros elétricos e o uso da energia eólica, já comuns na Europa há algum tempo. Será que não está na hora de mudar e parar de aceitar passivamente a destruição do ambiente causada pela extração petrolífera, e investir em opções sustentáveis e menos poluentes?
Rachel Ann Hauser Davis
Bióloga; Doutora em Química Analítica
UNICAMP - Instituto de Química
Grupo de Espectrometria, Preparo de Amostras e Mecanização - GEPAM

Duas plataformas da Petrobras se chocam por causa do mau tempo

Colisão entre P-58 e P-63 aconteceu próximo ao Canal do Porto de Rio Grande
Redação NNpetro - 
Uma plataforma da Petrobras, ainda em construção, chocou-se contra um navio plataforma por causa do mau tempo e da maré alta, na manhã do último sábado (2), próximo ao  canal do Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
De acordo com a estatal, os ventos fortes romperam as amarras do navio plataforma P-58, em construção no canteiro Honório Bicalho. À deriva, a unidade seguiu em direção ao canal; ao mesmo tempo, algumas das amarras da plataforma P-63, também em construção no canteiro, romperam-se e a proa deslocou-se na mesma direção, levando à colisão.
Ninguém ficou ferido no acidente, segundo a estatal. A P-63 já foi reposicionada no canteiro de construção, enquanto a P-58 será levada de volta ao cais.
A Petrobras declarou que realizará uma inspeção nas plataformas para analisar a extensão dos danos causados pelo choque. A companhia informa que também constituiu uma comissão de investigação para apurar os fatos e determinar as correções necessárias.
(Com informações do Estado de S.Paulo)

Óleo usado em setor elétrico é poluente e cancerígeno

Substância foi proibida, mas continua sendo usada pela indústria
Colaboradora Rachel Ann Hauser Davis 
O ascarel é o nome comercial de um óleo resultante de uma mistura de hidrocarbonetos derivados de petróleo, usado como fluido dielétrico, lubrificante e isolante em equipamentos elétricos, principalmente em transformadores e capacitores. Este tipo de óleo contém também, além de hidrocarbonetos, compostos chamados de bifenilas policloradas, ou PCBs. Estes são poluentes orgânicos persistentes, não biodegradáveis, altamente tóxicos e de ação corrosiva e inflamável, que causam efeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde – são carcinogênicos e mutagênicos, podendo ainda causar danos irreversíveis ao sistema nervoso central. Além disso, também são solúveis em gorduras, o que facilita a sua chegada até os seres humanos, via ingestão de pescado, por exemplo.
A instalação de novos aparelhos que utilizem ascarel e a comercialização deste óleo foi proibida no Brasil em 1981, porém ainda existem muitos equipamentos abandonados contendo esse produto, especialmente em depósitos, garagens, subestações e edifícios industriais, servindo de estoque para eventual reposição, pois a lei, absurdamente, ainda permite o uso da substância por empresas que tenham equipamentos que a utilizem, durante a sua vida útil, que é de cerca de 40 anos. Assim, temos a presença por muitas décadas de possíveis fontes poluidoras contendo compostos reconhecidamente tóxicos e carcinogênicos.
Diversos exemplos recentes ilustram este problema: em 1996, uma subestação do metrô no bairro de Irajá, Rio de Janeiro, foi invadida e depredada por moradores locais, acarretando o vazamento de 400 litros de ascarel, provenientes de transformadores. Este vazamento provocou a intoxicação de nove moradores e a morte de uma criança, pois muitas pessoas usaram o óleo para fritura de alimentos. Em 2005, aproximadamente 11 mil litros de ascarel foram furtados de um prédio abandonado na zona portuária do Rio de Janeiro. A Polícia Federal na época indicou que o óleo pode ter sido comercializado no mercado negro para abastecer essas empresas que ainda possuem equipamentos à base de ascarel. E agora, em 2013, houve o vazamento de 12 mil litros desse óleo em Florianópolis, diretamente despejados no meio ambiente.
Embora testes realizados por uma equipe de pesquisadores USP tenham dado resultado negativo com relação à presença de PCBs neste último episódio – a hidrodinâmica local pode ter favorecido a dispersão das substâncias –, em outras regiões do Brasil a situação não é bem assim. Pesquisadores da PUC-Rio, por exemplo, verificaram níveis de PCBs acima do máximo permitido pela legislação, tanto brasileira quanto internacional, em três espécies de peixes (tainhas, corvinas e peixe espada) na Baía de Ilha Grande – um fator alarmante visto que estas e outras espécies de peixe são regularmente consumidas pela população da área de entorno.
Neste contexto, vemos que este é um problema extremamente preocupante, e que, como muitas coisas que acontecem em nosso país, poderia ser facilmente evitado, sancionando-se leis (lá nos idos da década de 80, quando já se sabia dos efeitos danosos destes compostos) proibindo, alem da comercialização, o uso de equipamentos contendo ascarel e derivados. Afinal, transformadores e capacitores elétricos valem a vida e a saúde de nossa população?
Rachel Ann Hauser Davis
Bióloga; Doutora em Química Analítica
UNICAMP - Instituto de Química
Grupo de Espectrometria, Preparo de Amostras e Mecanização - GEPAM

Números de descobertas de óleo e gás na Rússia impressionam

Reservas de petróleo somam 681 milhões de toneladas e produção do gás natural 816 bilhões de metros cúbicos
Redação NNpetro - 
O ministro de Recursos Naturais da Rússia, Sergey Donskoy, afirmou nesta terça-feira (22) que as descobertas de petróleo e gás em 2012 foram mais expressivas do que o esperado, superando a quantidade produzida por cada commodity.
Segundo o ministro, as novas descobertas de petróleo somam 681 milhões de toneladas e as reservas de gás natural registram 816 bilhões de metros cúbicos (bmc), conforme mostram as transições postadas no portal russo Kremlin.
Os volumes apresentados pelo ministro ficaram acima da produção de petróleo da Rússia em 2012, estipulada em 518 milhões de toneladas, e de 655 bmc de gás, de acordo com dados do Ministério da Energia.
De acordo com a agência Reuters, Donskoy não revelou qual classificação utilizou para calcular as reservas, embora o Ministério use geralmente os padrões russos.
Maior produtora
A quantidade do óleo bruto extraído cresceu 3,5%, ultrapassando 266 milhões de toneladas. O produto refinado, por sua vez, subiu 3,6%, atingindo mais de 265 milhões de toneladas.

Dona de casa de Salvador acha petróleo no quintal

Bairro onde ocorreu o achado é considerado o marco zero da descoberta de petróleo
Redação NNpetro - 
Foi ao preparar o terreno do quintal para aumentar a casa no bairro Jardim Lobato, subúrbio ferroviário de Salvador (BA), que a dona de casa Tereza Barbosa se deparou com um líquido preto no terreno e uma antiga sonda de petróleo.  Desconfiada, Tereza Barbosa acionou rapidamente a Petrobras e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Afinal, não é todo dia que se acha um poço de petróleo no fundo do quintal de casa.
"Em princípio, pensamos que era um poste antigo, que deveríamos arrancar. Nossa sorte é que, logo depois, começou a escorrer aquele líquido escuro. A gente achou que era petróleo, mas não tínhamos certeza. Por isso, paramos a obra", disse Daniela Fiúza, filha de Tereza Barbosa, ao jornal Estado de S. Paulo.
Técnicos da estatal e da ANP já estiveram no local. Lobato foi o primeiro ponto a ter petróleo explorado no Brasil, no fim da década de 1930. Provavelmente, a sonda encontrada no quintal de dona Tereza é uma das sete sondas que foram colocadas no período em que o petróleo começou a jorrar em Lobato. O local, batizado em homenagem a Francisco Rodrigues Lobato, proprietário da fazenda onde foi descoberto o poço, tornou-se uma comunidade pobre, com taxa de criminalidade elevada, de acordo com o jornal Tribuna da Bahia.
História da exploração no marco zero
As operações no campo de Lobato começaram oficialmente em 21 de janeiro de 1939 e duraram até a década de 1970, quando a Petrobras considerou esgotados os reservatórios existentes e deixou a área, abandonando as sondas. Após a retirada da estatal, o bairro começou a receber moradores, na maioria dos casos em moradias irregulares, oriundas de invasões.
No local pode existir ainda de 500 mil a 1 milhão de barris de petróleo, mas, segundo a ANP, não há expectativa de que se encontre na área petróleo para exploração comercial. Em nota, a ANP informa que o campo "não apresenta volume de óleo significativo, pois os reservatórios estão esgotados". De acordo com a ANP, "os poços desse campo estão encobertos por aterros de grande extensão, sobre o qual desenvolveu-se uma zona urbana, portanto, os poços não seriam reutilizados". A ANP disse ainda que o vazamento será investigado.
Manifestação
Os moradores aproveitaram o achado para fazer uma manifestação com o objetivo de chamar a atenção para os problemas do bairro. Segundo a presidente da Cooperativa Múltipla do Bairro Ouro Negro, Adélia Lima, o petróleo é sinônimo de riqueza no mundo, mas não em Lobato, bairro do subúrbio ferroviário, com 1.500 moradores que convivem com saneamento precário, desemprego e pobreza.
(Com informações do Estado de S. Paulo)

Óleo é indicado no tratamento para dores nas articulações
Fonte: BBC - 
O Azerbaijão, país na fronteira entre Europa e Ásia, é um grande produtor de petróleo, exportando milhões de barris a cada ano. O óleo negro é tão abudante que moradores do oeste do país começaram a usar o produto como tratamento para dores nas articulações.
Um spa local oferece, entre diferentes opções de tratamento, um banho de imersão em petróleo. O paciente deve ficar no máximo dez minutos na banheira cheia de petróleo para não alterar seu ritmo cardíaco. Segundo funcionários do estabalecimento, o óleo é mantido na banheira a 40 graus Celsius.
Os usuários do spa descrevem a experiência como um banho quente e relaxante. Especialistas locais sustentam que o petróleo da região é rico em naftalina, química que garante o poder de cura em casos de dores nas articulações, mas cientistas ao redor do mundo alertam para o potencial cancerígeno da naftalina.

'O homem está tão dependente de petróleo que não quer pensar em outras soluções', avalia Rachel

Bióloga defende investimentos em energias alternativas
Redação NNpetro - 
Ferrenha defensora da economia verde, a bióloga e doutora em química Rachel Ann Hauser Davis dá entrevista ao NNpetro e expõe seu ponto de vista em relação ao cenário energético mundial. Para ela, mais investimentos em energias alternativas deveriam ser feitos e que a larga utilização do petróleo se deve ao fato "da veiculação da imagem de que 'não podemos viver sem'".
Colaboradora do portal, Rachel publica toda quarta-feira textos com enfoque em saúde e meio ambiente. Com mais essa entrevista, o NNpetro reafirma o compromisso de ser um veículo imparcial, comprometido com a informação, democracia e diversidade de olhares. Somos um veículo de todos para todos.
1X) Os ecologistas condenam o petróleo e o gás, mas eles existem em todos os lugares: no plástico, maquiagem, asfalto, silicone, pneus, gasolina, diesel, entre outros produtos. No mundo, o transporte de alimentos, mercadorias e pessoas é feito essencialmente com a queima desses combustíveis. É realmente possível a vida sem petróleo? Você consegue enxergar os benefícios que esta energia traz para a sociedade?
Rachel Ann Hauser Davis – É claro que os benefícios existem, os transportes citados, por exemplo, foram extremamente importantes no desenvolvimento da nossa sociedade. Hoje em dia, esse tipo de produto é sim parte de nossa vida diária. Porém, amadurecemos (ou deveríamos ter amadurecido) o suficiente para perceber que a nossa dependência nesse tipo de produto será o nosso fim em alguns anos. Carros elétricos já são maioria, por exemplo, em muitos países da Europa. Por que não aplicar tecnologias, se não completamente verdes, ao menos mais sustentáveis do que as atuais, quando reconhecidamente afetamos o ambiente e a saúde humana e animal de forma extremamente negativa? O que impede o trem elétrico? Aviões elétricos já são uma realidade, por que não investir nisso? Protótipos de aviões com painéis solares muito mais potentes da nova geração, por exemplo, também já estão em fases de testes. O grande problema é o pouco investimento nessas áreas, devido ao pouco interesse de nos livrarmos da dependência de combustíveis fósseis.
2X) O mercado de óleo e gás prevê um auge de exploração para daqui a 20, 30 anos. Como você vê o mundo até lá? Acredita que a utilização do petróleo terá diminuído?
Eu gostaria de dizer que sim, que nossa dependência do petróleo irá diminuir, e ainda existe esperança para isso, pois existem muitos grupos e empresas que caminham pelo lado verde, sustentável. Porém, infelizmente acredito que, cada vez mais, há uma competição pelo petróleo e a veiculação da imagem de que “não podemos viver sem” – o que distorce a realidade do potencial de outras tecnologias – mantém o mundo estagnado no mesmo cenário. Acho que a situação poderia mudar se todos se conscientizassem da existência de outras possibilidades, de que não é tão cara assim a implantação de tecnologias alternativas, e que poderíamos manter nossa qualidade de vida praticamente a mesma substituindo o petróleo por outras fontes de energia, com um pouco de trabalho duro e força de vontade. Resta saber se a população deseja sair da inércia e tentar melhorar a situação do nosso planeta, que em alguns anos se tornará insustentável.
3X) Na sua opinião, qual a melhor fonte de energia para se investir e por quê? O Brasil está no rumo certo quando se trata de eficiência energética?
Existem diversos tipos, mas, na minha opinião, as melhores fontes seriam as que necessitam de pouca ou nenhuma extração do ambiente, como a energia eólica, a hidrelétrica (em casos de locais com grandes correntezas de água ou cachoeiras), e, claro, a energia solar, que acho extremamente subutilizada. Acho que o Brasil tem investido no caminho certo, já temos implantadas diversas hidrelétricas há anos, existe cada vez mais uma maior preocupação com a “energia verde”, porém como um país com tanto potencial eólico e solar não investe mais nisso? Acho que ainda temos muito para avançar nesse quesito. Se houvesse maior investimento nessas tecnologias, o preço (que é a desculpa de muitos para não implantarem este tipo de fonte energética), cairia e as tecnologias se tornariam mais viáveis de serem implantadas.
4x) Que medidas as empresas que exploram petróleo podem tomar para serem ecologicamente corretas ou para reduzirem o impacto ambiental? É possível falar em sustentabilidade quando se trata de combustíveis fósseis?
Estudos prévios de impactos ambientais e análises de risco devem ser sempre realizados. Porém, esses estudos caem muitas vezes no jogo de corrupção onipresente no Brasil, onde se conclui que não haverá impacto ambiental nenhum, quando todos sabem que isso é extremamente difícil. Deve-se também sempre seguir à risca as leis e regulamentações estabelecidas, que existem por um motivo. Porém, aqui também temos o problema de corrupção, e as pessoas que querem apenas realizar seu trabalho são até ameaçadas para fazer as coisas “do jeitinho” que as empresas querem para obter as licitações desejadas. Estamos falando de um problema muito maior que não se restringe à exploração do petróleo, como, por exemplo, um estudo feito às pressas que acaba por permitir o vazamento de milhões de toneladas de óleo, ou então a queima e liberação de fumaça tóxica, em um projeto que deveria ser ecologicamente correto, e outras situações desse tipo.
Na minha opinião, estamos cavando um buraco, onde vamos nos enterrar em algumas décadas. O homem está tão dependente de petróleo que não quer pensar em outras soluções. Dou como exemplo o pré-sal aqui no Brasil. Quando foi descoberto, foi um acontecimento enorme, investem-se milhões, bilhões, de reais na sua extração. Porém, ele é um recurso finito. Por que não investir esse dinheiro em opções mais sustentáveis, como energia eólica ou solar? É claro que seria um investimento a longo prazo, para o desenvolvimento de tecnologias já existentes com objetivo de obter mais energia limpa com menos gasto de dinheiro. Infelizmente, as empresas pensam no agora, no retorno imediato que os combustíveis fósseis dão. Porém, o que não pensam é que, daqui a 40, 50 100 anos, o planeta que deixaremos para as próximas gerações estará esgotado de seus recursos finitos (inclusive água potável!) e será cada vez mais difícil e caro implantar tecnologias verdes. Por que não começar agora?
5X) Como foi a sua trajetória profissional e acadêmica? Já teve experiência na área de óleo e gás? E qual a sua expectativa como colunista do NNpetro?
Eu sou bióloga, formada pela UNIRIO e, quando terminei a graduação, descobri a vontade de ser pesquisadora, portanto resolvi fazer um mestrado na PUC-Rio. O mestrado foi em química analítica com foco ambiental, e eu tinha a vontade de trabalhar com compostos de importância atual no cenário brasileiro, por isso acabei trabalhando com os efeitos de hidrocarbonetos derivados de petróleo em organismos aquáticos, dentre outras linhas de pesquisa. Depois disso, continuei no doutorado, focando nos efeitos de metais pesados e alguns outros compostos em organismos aquáticos. Acho que a pesquisa abre muitas portas para diversas soluções a impactos danosos ao meio ambiente, se for bem conduzida.
Minha expectativa como colunista do NNpetro é poder compartilhar informações pouco difundidas, pois são informações científicas muitas vezes restritas a grupos como pesquisadores e acadêmicos. Além disso, eu também pretendo incitar discussões a respeito desse tipo de tema, pois é apenas com discussões que podemos chegar a medidas eficazes de prevenção a determinados problemas ambientais.

Como vivem, trabalham e se divertem os petroleiros que passam longos dias por mês longe da família e amigos, nas plataformas da Petrobras em alto-mar.